R$ 333,59 MILHÕES EM PROPINAS.




Não estamos falando de qualquer um. Trata-se do homem considerado por Lula “unha e carne” o qual gozava de sua “total confiança”. Eram os idos de 2005 e a declaração fora feita durante a primeira coletiva de Lula com a imprensa desde sua posse em janeiro de 2003. De lá pra cá, os fatos colocaram uma pá de cal definitiva na moralidade e ética de Lula e do PT.  

Antonio Palocci foi ministro da Fazenda de Lula (2003 a 2006). Renunciou em 27.03.2006 devido ao escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Francenildo declarara, na época, ter visto o então ministro frequentando uma mansão para reuniões com lobistas para tratar de interesses pouco republicanos.

Palocci, inocentado em agosto de 2009 pelo STF, foi alçado novamente ao centro do poder nomeado ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff em 2011. Ficou no cargo pífios cinco meses e sete dias. Saiu após ter sido acusado de enriquecimento ilícito. Em setembro de 2016, Palocci foi preso pela Polícia Federal na Operação Omertà da Lava Jato. Omertà é o código da máfia em relação ao voto perpétuo e inquebrantável de silêncio de seus componentes. Na ocasião teve decretado pela Justiça o bloqueio de R$ 128 milhões em contas bancárias.

Em 26.06.2017, Palocci, o “unha e carne” de Lula, foi condenado pelo então juiz Sérgio Moro a 12 anos e dois meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Em 29.11.2018, passou ao regime de prisão domiciliar após firmar acordo de delação premiada. A frase histórica dessa delação foi a revelação do “Pacto de Sangue” de Lula e o PT com a Odebrecht (referente aos R$ 300 milhões que a empreiteira havia assumido com o partido).

O jornal o Estado de São Paulo de hoje publica a completa e estarrecedora lista de falcatruas creditada ao PT e seus líderes máximos entregue por Palocci ao relator do caso, o ministro Edson Fachin do STF.

São 23 relatos denominados de “Termos de Depoimento”. O número 1 faz um descritivo geral da “Organização Criminosa” constituída pelo PT com o “objetivo de obtenção de vantagens indevidas de grupos empresariais em contrapartida à prática de atos de ofício em prol dos interesses das empresas”.

Os grupos empresariais citados são: Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Ambev, Pão de Açúcar, Casino, Banco Safra, Bradesco, Itaú-Unibanco, BTG Pactual, Brasil Seguros, Vale, Votorantim, Sadia-Perdigão, PAIC Participações, Qualicorp, Touchdown além de BNDES e Instituto Lula.

Os políticos mencionados: Lula, Dilma, Haddad, Fernando Pimentel, Gleisi Hoffman, João Paulo Lima e Silva, Tião Viana, Lindbergh Farias, Carlos Zarattini – todos do PT além do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB), Eduardo Coutinho ex-presidente do BNDES e do ex-ministro do regime militar Delfim Netto.

Da parte dos empresários, Benjamim Steinbruch (presidente da CSN- Companhia Siderúrgica Nacional) e Rubens Ometto (presidente do conselho da Cosan e o maior doador individual do país segundo o TSE, em 2018 aportou a políticos de vários partidos R$ 6,33 milhões).

No Termo 4, Palocci delata a doação ilegal (R$ 3,5 milhões) do ditador da Líbia Muammar Kadafi para a campanha de Lula em 2002. Isso tem um caráter explosivo pois se confirmado, a lei eleitoral prevê a extinção do partido envolvido (no caso, o PT).

No Termo 6 ficamos sabendo sobre os R$ 50 milhões pagos pela Camargo Corrêa para melar a operação Castelo de Areia junto ao STJ (o que foi bem sucedido).

No Termo 7, o Banco Safra desembolsa R$ 12 milhões para as campanhas de Haddad (2012) e Dilma (2014) além de custear as despesas do Instituto Lula. Em troca, procurava obter que o BNDES não concedesse empréstimo para a fusão do Grupo Pão de Açúcar com o Carrefour.

No Termo 11, Odebrecht, Benjamin Steinbruch e Rubens Ometto se associam para a aprovação em 2009, da aprovação da MP 470 que trata do refinanciamento de dívidas tributárias. E por aí vai...

R$ 333.590.000,00 é muito dinheiro. Daria para comprar 2.300 ambulâncias, 4.200 carros de polícia ou construir 10 hospitais públicos. Também daria para pagar o salário de 7.000 professores durante um ano !

No dia 29.04.2005 o jornalista da revista Época, André Barrocal fez a seguinte pergunta a Lula na sua primeira entrevista coletiva:

“Existe descompasso entre o senhor e o ministro Palocci?”

Lula responde:

“Eu tenho pelo companheiro Palocci o mais profundo respeito, tenho uma ligação política e ideológica, tenho uma relação de quase 30 anos com o Palocci portanto eu poderia dizer a você que eu e o Palocci somos como unha e carne. Eu tenho total confiança nas coisas que o Palocci faz.”

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