PRA QUE SERVEM OS MUSEUS?





Na Amsterdã do começo do século 17 líderes comunitários, políticos, militares e comerciantes constituíam os elementos basilares de uma sociedade igualitária e empreendedora. Diferentemente do resto da Europa, a “República Unida das Sete Terras Baixas” era o exemplo da gestão compartilhada pelos seus cidadãos e cidadãs. Sim; as mulheres já desempenhavam relevante papel na administração e controle das instituições principalmente aquelas de caráter assistencial. Tá tudo detalhado nas trinta colossais pinturas na mostra do museu Hermitage de Amsterdã (filial do famoso Hermitage de São Petersburgo). Estive lá.

Museus servem para isso. São eles que nos explicam quem somos e por quê. Você acha que a Holanda chegou até aqui como um dos países mais prósperos, civilizados e admirados do planeta do nada? Foi tudo uma complexa construção social e estratégica com foco no livre comércio, na tolerância religiosa e, claro, no empreendedorismo.

Museus não somente contam a nossa história. Eles lançam a luz reveladora sobre nossas crenças, valores e idiossincrasias. A exposição denominada “Galeria de Retratos da Época de Ouro Holandesa” faz contraponto com um dos quadros mais famosos do mundo “A Ronda Noturna” de Rembrandt que pode ser vista no gigantesco Rijksmuseum. Este quadro com suas impressionantes dimensões de 3,80m de altura por 4,54m de largura foi pintado entre 1639 e 1642 e mostra a Guarda Cívica de Amsterdã sob o comando do capitão Frans Banning Cocq. É, por assim dizer, a Monalisa do museu.

O Brasil, como sabemos, prefere usar o dinheiro público na manutenção da enorme frota de carros oficiais que transportam energúmenos de todos os matizes de Brasília a Cabrobó. E a sociedade aceita isso candidamente. Museus por aqui, salvo raras exceções, servem mesmo é de cabide de emprego para esquerdopatas rudimentares que não conseguem diferenciar uma impressão digital de uma pintura rupestre.

Os museus em Amsterdã já chegaram há tempos ao século 21. No Museu Van Gogh só é possível comprar ingressos com hora marcada baixando um aplicativo no celular. O museu está sempre cheio e não há filas. Um fone de ouvido narra tudo em dez línguas (Português, inclusive) bastando, para isso, que você aponte para a obra que estiver à sua frente. O mesmo ocorre com o fantástico Museu Stedelijk de arte contemporânea ou com o pequeno e didático Museu Histórico Judaico.

O Brasil tem a sua Monalisa. Trata-se do quadro “Abaporu” de Tarsila do Amaral. É a mais valiosa obra de arte nacional orçada em 40 milhões de dólares. Só que este quadro não nos pertence. Seu dono é o MALBA- Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires. Vi o Abaporu, neste ano em Nova Iorque na exposição dedicada à pintora brasileira no MoMa. Mas isso é outra história...

Na sequência tem o Tate Modern e o British Museum de Londres... Aguardem!

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