O LORD QUE PILHOU O PARTHENON.


Os Mármores de Elgin

Em 2017, o Brasil recebeu 6,5 milhões de turistas estrangeiros. Só o Museu do Louvre, em Paris, acolheu 8,1 milhões de visitantes. Museu é, definitivamente, business! Claro que me refiro a instituições de altíssimo nível donas de coleções de inestimável valor cultural e histórico e que dispõem do que há de mais moderno em tecnologia de exposição. O Museu Britânico faz parte dessa elite.

No ano passado, 5,9 milhões de pessoas passaram pelas salas do British como é carinhosamente conhecido. Os ingleses são mestres no uso da cultura como soft power, ou seja, a hipnotizante capacidade de influência e atração dos outros para a superioridade do seu modo de vida. E museus são uma arma mais do que estratégica nesse tabuleiro de percepções e convencimento.

Enquanto o nosso Museu Nacional ardia nas chamas provocadas pela criminosa incompetência de seus (ir)responsáveis gestores - gente sem nenhum conhecimento técnico – mais preocupada na disseminação de agendas ideológicas da idade das trevas da cultura humana, o British, desde 1963, através do “Ato Real” é laboriosamente administrado por 25 membros sendo um deles apontado diretamente por Sua Majestade , 15 pelo Primeiro Ministro, 4 pelo Secretário de Estado e os demais, pelos próprios membros do conselho executivo do museu.

Ser o terceiro mais importante museu do planeta exige trabalho, muito trabalho. Os membros do board elegem o Diretor Geral (gestor responsável) que se reporta diretamente ao Governo Britânico. A cada ano ele é obrigado a apresentar o Planejamento Estratégico da instituição que é aprovada ou não pelo Parlamento (algo incompreensível para os desmiolados do PSOL que aparelham a UFRJ e o infeliz Museu Nacional).

São dez curadorias que deslumbram os visitantes do mundo todo. A mais impactante, sem dúvida, é a que trata da arte greco-romana. É lá que estão os famosos “Mármores de Elgin”, frisos superiores que adornavam o Parthenon de Atenas.
A história é rocambolesca. Os otomanos dominaram a Grécia por quase quatro séculos. Os gregos só se livraram deles em 1832. Durante este período, o Parthenon foi sucessivamente vilipendiado. Em 1687 foi atingido por uma bala de canhão já que o templo havia sido transformado em um reles paiol de munição. Os turcos não tinham nenhum apreço pela arte grega (mais ou menos como a quadrilha do PSOL em relação ao Museu Nacional) e quase destruíram o templo ocupando-o por mais de um século como fortaleza militar.

Foi aí que Thomas Bruce, o Lord Elgin, na época embaixador britânico junto ao Império Otomano, resolveu “comprar” os frisos superiores do templo e levá-los para a Inglaterra. Obtida a autorização com o sultão local para removê-los, Elgin exagerou na dose e empregou 300 homens que trabalharam durante um ano na retirada de 56 peças e 19 estátuas. São elas que estão magnificamente expostas no Museu Britânico. A Grécia acusa a Inglaterra de roubo e tem feito todo tipo de gestão para recuperar este tesouro da humanidade.

Dois terços dos famosos frisos do Parthenon estão em Londres, um terço no Museu de Atenas e há fragmentos espalhados por outras nove instituições ao redor do mundo.
O Museu Britânico se defende alegando que as peças foram legitimamente adquiridas e que a missão primordial da instituição é salvaguardar a cultura da humanidade abrigando-a com segurança e conservação para a apreciação planetária das gerações futuras.
God Save the Queen! And the Culture, of course...

Não perca a próxima postagem sobre o Tate Modern.  

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