A POLTRONA DA SRA. HENDERSON.




Como até os grilos do lago Paranoá sabem, somos um país que abraçou, raivosamente, a causa inglória da permanência na pobreza secular. Houve uma época em que éramos mais ricos do que a Coreia do Sul. Em 1960 a renda per capita deles era a metade da nossa. Hoje um coreano tem renda três vezes maior do que um brasileiro.

Em relação aos Estados Unidos, melhor nem falar. Em 1820 a renda per capita dos norte-americanos era de 1.894 dólares. A nossa, de pífios 908. Um século depois, o cidadão americano possuía renda per capita de 9.466 dólares. O brasileiro de apenas 1.379. No ano 2.000 a comparação ficou irritante. EUA 42.892 dólares per capita. Brasil 8.581. Cinco vezes menos! A fonte é a Tabela 10 de Geary-Khamis “Comparação internacional de rendas per capita em dólares”. Hoje a diferença continua gigante: o PIB per capita dos EUA em 2017 ficou 6,22 vezes maior do que o nosso. EUA= 59.501 dólares. Brasil = 9.571.

Na semana passada, o IBGE divulgou sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios –PNAD. Ficamos sabendo que a taxa de analfabetismo de 2017 ficou em 7%. Era 7,2 % em 2016. Isso significa que temos no país 11,4 milhões de cidadãos com mais de 15 anos que não sabem ler nem escrever. Provavelmente, também não sabem votar. Sul e Sudeste apresentam taxas de 3,5 %. O Centro-Oeste 5,2. Norte 8,0 e o Nordeste 14,5%.

Quanto mais velhos os brasileiros, menos escolarizados. A população com mais de 60 anos de idade apresenta o inacreditável índice de analfabetismo de 19,3%! No Nordeste, os cidadãos da terceira idade que não leem nem escrevem somam 3 milhões. Em termos estatísticos o número é impressionante: 38,6%!

Escolher seus representantes pelo voto requer informação e discernimento. Mas, quando se percebe que a maioria da elite encastelada nas universidades e nos altos escalões do serviço público professam as mesmas crenças e valores que elegeram um Nicolás Maduro , fica evidente o tamanho do problema. Essa gente faz parte dos trinta por cento que defendem políticas populistas-corporativistas ditas “de esquerda”. As mesmas que transformaram os países que as adotam em terra arrasada.  Os votos deles são, como se sabe, para o preso de Curitiba ou quem quer que o represente.

Estive recentemente em Nova Iorque para ver, ao vivo, a diva do canto lírico Anna Netrebko no templo da ópera mundial: o Metropolitan. Este, o maior teatro do gênero no planeta. Totalmente privado. Sentei-me na poltrona 11L. Nas costas do assento à minha frente havia gravado um nome: Sra. M. Henderson. Fui pesquisar. Tudo no MET vem de recursos privados. A elite do país se orgulha em contribuir com a disseminação do conhecimento e da cultura no país.  Eles patrocinam absolutamente tudo no MET: do salário dos músicos até as cadeiras de veludo vermelho. Enquanto isso, abaixo da linha do equador, Maristela Temer é acusada de utilizar dinheiro de propina para a reforma de sua casa...  

Percebem o tamanho do abismo que cavamos com nossos próprios pés como diria o imortal Cartola?
 Não vamos nos transformar nos Estados Unidos do dia para a noite. É preciso, antes, abandonar séculos de crenças e escolhas equivocadas que nos conduziram ao ponto em que estamos hoje. O Brasil que queremos passa necessariamente pelas mãos dos deputados e senadores que elegeremos em 2018. Não reeleja ninguém! Já é um bom começo.

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