NÃO TENHO IDADE PRA ISSO ...



Corria solto o ano de 1964. No Colégio Santa Maria, em Curitiba, a diversão favorita para os moleques de 15 anos como eu, era tomar um Chocomilk na Confeitaria das Famílias depois da aula, aos sábados. Isso, quando não havia uma corrida de pedalinhos no Passeio Público.

Na hora do recreio, o auto falante do Grêmio dos Alunos inundava o espaço com o novíssimo som de John, Paul, George e Ringo. Eles cantavam que aquela tinha sido “a noite de um dia duro”. E os cabelos jamais seriam os mesmos.

As garotas eram, muito, muito comportadas (pelo menos as que eu conhecia). O máximo que rolava era dançar de rosto colado numa festinha de garagem. Claro, que Roberto Carlos assumia o “rôle” de menino mau: “eu pego uma garota, canto uma canção e nela dou um beijo com empolgação” (diga-me, em que letra você encontra, hoje, esta palavra?).

Pois bem. 1964 mudou o país com a deposição do comunista-fantoche João Goulart cuja única coisa de bom era sua linda e elegante mulher Maria Tereza. Na TV, o inspetor Carlos e seu fiel cão Lobo, ele, o Vigilante Rodoviário, que quando não pilotava uma Harley-Davidson patrulhava as estradas a bordo de um Simca Chambord. E o máximo que prendia era algum infratorzinho mequetrefe. O país ainda não conhecia o PCC (nem o funk).

Acabo de receber um vídeo do YouTube com Gigliola Cinquetti cantando “Non ho l’età”. Ela venceu, em 1964, o “Eurovision” com esta música. Ouvi-la é um choque cultural com potencial para abalar qualquer certeza que ,por ventura, ainda reste de que a tecnologia nos fez melhores.  E aí vem a pergunta. Em que ponto da estrada descarrilamos?

A belíssima melodia vem com uma letra que resume toda uma gama de crenças e valores, infelizmente, perdidos para sempre. A personagem diz para um admirador, bem mais velho, que não tem idade para amá-lo nem, tampouco, sair com ele sozinha.  Mas, que, se ele puder esperá-la, terá assegurado seu amor eterno.

 Fico pensando no padrão atual de relacionamentos “ficantes” e “desficantes”. Meus caros, algo foi destruído. Sem chance de recuperação. O passado não voltará do seu túmulo. O futuro... não estarei aqui para vê-lo. O máximo que posso fazer é desejar boa sorte aos que, hoje, têm 15 anos.

Cante com Gigliola Cinquetti.



Non ho l'età, non ho l'età per amarti
Non ho l'età per uscire sola con te
E non avrei, non avrei nulla da dirti
Perchè tu sai molte più cose di me
Lascia ch'io viva un amore romantico
Nell'attesa che venga quel giorno, ma ora no
Non ho l'età, non ho l'età per amarti
Non ho l'età per uscire sola con te
Se tu vorrai, se tu vorrai aspettarmi
Quel giorno avrai tutto il mio amore per te

Lascia ch'io viva un amore romantico
Nell'attesa che venga quel giorno, ma ora no
Non ho l'età, non ho l'età per amarti
Non ho l'età per uscire sola con te
Se tu vorrai, se tu vorrai aspettarmi
Quel giorno avrai tutto il mio amore per te

Tradução
Não tenho a idade, não tenho a idade para amá-lo,
Não tenho a idade para sair sozinha com você.
E não teria, não teria nada a dizer-lhe,
porque você sabe muito mais coisas que eu.

Deixe que eu viva um amor romântico,
Na esperança de que chegue este dia, mas agora não.
Não tenho a idade, não tenho a idade para amá-lo,
Não tenho a idade para sair sozinha com você,
Se você quiser, se você quiser esperar-me,
Neste dia terá todo o meu amor pra você.
Deixe que eu viva um amor romântico,
Na esperança de que chegue este dia, mas agora não.
Não tenho a idade, não tenho a idade para amá-lo,
Não tenho a idade para sair sozinha com você,
Se você quiser, se você quiser esperar-me,
Neste dia terá todo o meu amor só pra você.

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