MONSTROS SÃO ELES.


Vi ontem o desconcertante “A Forma da Água”. Adoro filmes com personagens heterodoxos. Principalmente se forem seres que fogem da obviedade maligna dos monstros habituais do gênero terror-diletante.  

As mulheres são muito melhores do que os homens no trato com “monstros” aqui tomado na minha acepção preferida que deriva do verbo monere do Latim “chamar tenção para”. Tá certo que o monstro cinematográfico é mesmo aquela entidade deformada no seu exterior como o grandalhão enfeitiçado de “A Bela e a Fera” ou no seu interior, como o pior de todos: Alien- O Oitavo Passageiro”.

Mas, ninguém melhor que uma mulher para dobrar ou vencer um monstro. A lista de personagens é longa: vai de Elizabeth Lavenza (Mae Clarke), a noiva de Frankenstein (1931- diretor James Whale), passando, é claro, por Ann Darrow (Fay Wray) a namorada de King Kong (1933- diretores Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack) até chegar à doce Eliza Esposito (Sally Hawkins) na novíssima película de Guillermo Del Toro.

Até os girinos das lagoas sabem que as aparências enganam. Esmeralda soube ver muito além da feiura de Quasímodo na obra imortal de Victor Hugo “O Corcunda de Notre Dame” (o filme de 1939 dirigido por William Diertele tinha os fantásticos Charles Laughton e Maureen O’Hara nos papéis principais).

Del Toro toma emprestado os elementos básicos do icônico “O Monstro da Lagoa Negra” (diretor Jack Arnold- EUA/1954) mas, os filmes são tão diferentes quanto Donald Trump o é de Madre Teresa. Aliás, a obra do diretor mexicano fala mesmo é da infinita bondade que ainda resiste, meio perdida, em algum lugar do coração humano.

Del Toro é um especialista na dificílima arte de desnudar nossa desumanidade que costuma lançar âncoras com frequência no pântano da intolerância e do preconceito. Quando o vilão Strickland, magistralmente interpretado por Michael Shannon diz que “Deus é mais parecido comigo” para Zelda, a zeladora afrodescendente interpretada por Octavia Spencer, fica claro que tudo o mais que não for homem, anglo-saxão e protestante não tem a mínima chance.


O filme é belo um Ipê florido e impactante como o silêncio dos conventos. Se você se importa com a conexão humana vá vê-lo.

posts parecidos

Conexão

Conectividade de A-Z

O CANAL PARA FALAR DA CONEXÃO HUMANA.

Aqui você tem voz. Pode contribuir, sugerir, criticar, propor temas, discutir e ampliar o escopo do Blog. Nossa conexão poderá fazer a diferença.