CORRUPÇÃO: O MUNDO PIOROU E NÓS TAMBÉM.




Os jornais de hoje mostram a cara da corrupção brasileira. Ela é branca, de alta escolaridade e, como uma colmeia de abelhas assassinas, zunem discretas no alto da burocracia estatal. Nelson Leal Júnior, o diretor-geral do DER-Paraná é uma delas. Levou “bola”, propina, dinheiro sujo, pago pela ECONORTE para comprar um luxuoso apartamento de R$2,5 milhões em Balneário Camboriú. Na verdade, o dinheiro saiu do nosso bolso mesmo.  Afinal, como imortalizou Margaret Thatcher não há essa coisa de dinheiro público. Todo o dinheiro vem do bolso dos pagadores de impostos. Com ele, outros egressos da mesma colmeia do crime: Oscar Alberto da Silva Gayer (nome de nobre, caráter de hiena), Leandro Ogama, o próprio diretor presidente da ECONORTE e por aí vai...

Por coincidência, ontem saiu a mais completa e qualificada publicação sobre o tema: o "Índice de Percepção da Corrupção-IPC /2017” publicada pela Transparência Internacional com sede em Berlin. O Brasil despencou 17 posições em relação ao ano anterior. Em 2016, ocupávamos o 79º lugar dentre 180 nações avaliadas com IPC=40. Agora, somos donos do posto número 96 (IPC=37). Seria melhor dizer “cela” já que a corrupção aprisiona a nação inteira.

Se serve de consolo, o mundo piorou. Dois terços dos 180 países possuem IPC menor que 50. A média mundial é 43. O índice vai de 0 a 100. Quanto mais próximo de zero, mais corrupto é o país. Quanto mais próximo de 100, mais honesto.
A Dinamarca (IPC=88), campeã absoluta de honestidade em décadas, foi destronada pela Nova Zelândia que agora ganha o honorabilíssimo título de país mais honesto do planeta (IPC=89). Claro que se pode considerar um “empate técnico”, mas número é número.

Na América Latina, o Uruguai continua à frente de todos (IPC=70; Posição 23). O Chile é o segundo melhor no ranking regional (IPC=67; Posição 26).
Os colegas do BRICS melhoraram em relação a nós, à exceção da Rússia.

Posição
País
IPC
71
África do Sul
43
77
China
41
81
Índia
40
135
Rússia
29

A infeliz Somália continua inerte no túmulo da desonestidade. Último lugar com IPC=9. Conseguiu piorar. Era IPC=10 no ano passado.  A Venezuela também continua na lista dos 11 mais corruptos (IPC=18; Posição 169).

A receita da corrupção é universal: ditaduras formais ou disfarçadas, perseguição aos opositores, extermínio de jornalistas. Tudo isso para tornar mais fácil a repartição do butim pelos cruéis donos do poder. Maduro é o representante máximo na América Latina.

A guerra contra a corrupção apenas começou por aqui. E a Lava-Jato, por si só não é a garantia de exterminá-la. Para isso, é necessário uma radical mudança de crenças e valores da sociedade que ainda aceita, compartilha e até incentiva práticas obscenas há muito dizimadas em países honestos. Polpuda parcela da sociedade, em todos os seus níveis, é adepta do pensamento escondido “Se eles roubam e se dão bem. Por que não eu também”?

Não há outra saída que não seja a penosa autocrítica social lastreada em reformas inadiáveis nas áreas política, econômica, fiscal, tributária e previdenciária. O inimigo comum? Privilégios odiosos e indefensáveis sejam eles legais ou não. Ou você acha que isso também não é uma forma de corrupção?





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