E ENTÃO? ANDROIDES SONHAM COM OVELHAS ELÉTRICAS OU NÃO?



O ano de 1982 começou sombrio com a morte de Elis em 19 de janeiro. Ficou insuportável com a Tragédia de Sarriá: Itália 3 x Brasil 2 em 5 de julho. Meses depois chega às telas “Blade Runner- O Caçador de Androides”. Presente de Natal. No rádio, Evandro Mesquita com sua Blitz cantava o mega hit “Você não soube me amar”.

No Sul do mundo, a Inglaterra com alguns tiros, afundara o orgulho Argentino na rocambolesca Guerra das Malvinas. 2019 parecia suficientemente longe então.
Los Angeles tinha se transformado na meca multicultural sob as brumas eternas de uma Califórnia sem luz e sem esperança. Coube ao Dr. Eldon Tyrell (e sua corporação) atender às demandas de um mercado ávido por mão de obra escrava e disponível para tarefas pouco ortodoxas. Ao que parece, sem mexicanos dispostos a tudo para fazer parte do sonho (agora pesadelo) americano só mesmo com a produção de replicantes...

Nada seria como antes, nas telas, depois de Blade Runner. Esqueça o terror gótico de Frankenstein (James Whale/EUA-1931).  Passe de raspão pelo androide pistoleiro compulsivo de Westworld (Michael Crichton, EUA/1973). Nem vai valer a pena mencionar o Exterminador do Futuro. Óbvio demais, quase uma comédia de costumes intertemporal.

Blade Runner e ainda, com mais intensidade, na sua versão neo-noir de 2017 ( Blade Runner-2049 - Denis Villeneuve/EUA) é capaz de conduzi-lo, mesmo que à revelia, às centenas de variações cromáticas sobre as quais se assenta, frágil e indefesa, a eterna discussão filosófica sobre ética e assemelhados. E isso, faz muito, mas muito sentido mesmo, em tempos de relativismo moral que expõe as vísceras de uma sociedade (a nossa) sedenta pelo vermífugo poderoso da mudança.

Grandes alertas. O amor tal como conhecemos um dia só será possível no futuro através de quase-gueixas digitais? Em que consiste a realidade? Idiossincrasias implantadas no córtex cerebral? Replicantes podem gerar filhos? Haverá sensibilidade artística a ponto de permitir a existência de ídolos do porte de Frank Sinatra ou Elvis Presley no ano de 2049? Árvores e animais serão, tão somente, vagas lembranças (o cinema já nos socou abaixo da linha do estômago com o clássico pouco conhecido Soylent Green, tão soturno quanto...)?

O replicante “K” se comporta com mais humanidade do que sua chefe: “Você fez um excelente trabalho mesmo desprovido de alma”. Claro que o mal, levado ao paroxismo, de (ora vejam) Luv, a replicante criada para ser “a melhor de todas” não nos deixa dúvidas de que essa semente está incubada em humanos imperfeitos e androides de última geração. 

Para evitar spoilers aos caros leitores que irão ver o filme, não deixa margem para dúvidas ,o grande Nelson Cavaquinho  em seu definitivo “Juízo Final”.
O sol há de brilhar mais uma vez,
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente
Quero ter olhos pra ver a maldade desaparecer...

Quem sabe na continuação do novíssimo Blade Runner- 3049. Claro, se Trump e Kim Jong-un nos deixarem chegar até lá. 

Sim. Tem uma fala que resume a espetacular sequência de Villeneuve. "Morrer pela causa certa é a coisa mais humana que se pode realizar".

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