BRASIL. COMO DEIXAMOS CHEGAR A TAL PONTO?




Não é novidade pra ninguém que a política brasileira é um simulacro mal ajambrado do modelo perdedor das Capitanias Hereditárias de 1534. Já se passaram 513 anos e pouca coisa mudou. E o que é pior: com a conivência da sociedade que aceita conceder assento no Parlamento a elementos que deveriam estar atrás das grades ao invés de ocupar a tribuna que um dia ouviu os discursos patrióticos de Rui Barbosa.

Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG), relator e autor do substitutivo da MP 783 que trata dos descontos e parcelamentos das dívidas tributárias com o fisco (Programa Especial de Regularização Tributária, o REFIS), não poderia estar mais exultante. Afinal de contas, seus asseclas da Câmara dos Deputados aprovaram seu texto-base que concede descontos de 85 a 99% (é isso mesmo que você está lendo) nas multas, juros de mora, encargos legais e honorários advocatícios. Coisa de escroques refinados.

Newton Cardoso Jr. tem estirpe. É filho de Newton “Newtão” Cardoso (1938-2011), o mega truculento e corrupto político mineiro que acumulou mandatos (três vezes prefeito da cidade de Contagem, duas vezes deputado federal, uma vez governador de Minas Gerais, uma vez vice-governador) e uma inexplicável fortuna de três bilhões de Reais.

Cardoso Jr, como se percebe, não faz feio ao dar um novo significado ao verbo sonegar. Representante de um grupo de empresas que deve ao país cerca de R$ 50 milhões não sente remorso algum em articular tenebrosas transações dignas do mais hediondo crime de lesa-pátria. Ele próprio, de acordo com o SINPROFAZ  (Sindicato dos Procuradores da fazenda Nacional) devedor de R$ 67 milhões.

O plano original proposto pela equipe econômica previa que o país pudesse obter com o REFIS, 13,3 bilhões de Reais neste ano. Com a nova redação que foi aprovada na Câmara este valor despenca para vergonhosos 3 bilhões.

O vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG em seu terceiro mandato) foi o braço direito de Juninho na aprovação da lambança. Fabinho (como é chamado por seus coleguinhas) decidiu extorquir o país como vingança pela privatização de quatro usinas da CEMIG. Esta gente, como até a lama que soterrou Mariana sabe, tem como meta a estatização de tudo o que lhes for possível se isto significar, obviamente, a possibilidade de aumentar o próprio patrimônio.

Aterrorizantes 60% dos 238 deputados federais estão sob algum tipo de investigação criminal. Não há nada que se compare a isso nas democracias importantes do planeta.
Nossa última esperança é a revisão disso tudo pelo Senado Federal. Mas, aí é que o perigo maior reside. Dos 81 senadores, 32 são investigados pelo STF. São assustadores 40% envolvidos em atos criminosos (ou potencialmente, para sermos politicamente corretos). No Congresso Nacional ,pouquíssimos honram seu mandato defendendo ideias e ações que sejam, realmente, benéficas à sociedade. A esmagadora maioria despreza seus eleitores e, por extensão, o próprio país.

Como disse o grande poeta e filólogo italiano Giacomo Leopardi (1798-1837) “ Do hábito da resignação nasce sempre a falta de interesse, a negligência, a indolência, a inatividade, e quase a imobilidade”.

Uma sociedade que aceita o status quo em que estamos imersos é parceira da corrupção. Precisamos de uma mudança radical. Em 2018, não reeleja ninguém!

Deputados Federais sob algum tipo de investigação criminal.

001.  Adail Carneiro (PHS-CE)
002.  Adilton Sachetti (PSB-MT)
003.  Aelton Freitas (PR-MG)
004.  Afonso Hamm (PP-RS)
005.  Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)
006.  Alberto Fraga (DEM-DF)
007.  Alex Manente (PPS-PR)
008.  Alfredo Kaefer (PSDB-PR)
009.  Alfredo Nascimento (PR-AM)
010.  André Moura (PSC-SE)
011.  Andrés Sanchez (PT-SP)
012.  Aníbal Gomes (PMDB-CE)
013.  Antônio Balhmann (Pros-CE)
014.  Antônio Bulhões (PRB-SP)
015.  Arthur Lira (PP-AL)
016.  Arthur Oliveira Maia (SD-BA)
017.  Assis Carvalho (PT-PI)
018.  Bacelar (PTN-BA)
019.  Benito Gama (PTB-BA)
020.  Benjamin Maranhão (SD-PB)
021.  Betinho Gomes (PSDB-PE)
022.  Beto Faro (PT-PA)
023.  Beto Mansur (PRB-SP)
024.  Bonifácio de Andrada (PSDB-MG)
025.  Cabo Daciolo (sem-partido-RJ)
026.  Caetano (PT-BA)
027.  Carlos Bezerra (PMDB-MT)
028.  Carlos Henrique Gaguim (PMB-TO)
029.  Célio Silveira (PSDB-GO)
030.  César Halum (PRB-TO)
031.  César Messias (PSB-AC)
032.  Cícero Almeida (PSD-AL)
033.  Clarissa Garotinho (PR-RJ)
034.  Cristiane Brasil (PTB-RJ)
035.  Danilo Forte (PSB-CE)
036.  Décio Lima (PT-SC)
037.  Delegado Éder Mauro (PSD-PA)
038.  Delegado Edson Moreira (PTN-MG)
039.  Dilceu Sperafico (PP-PR)
040.  Édio Lopes (PMDB-RR)
041.  Eduardo Barbosa (PSDB-MG)
042.  Eduardo da Fonte (PP-PE)
043.  Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
044.  Efraim Filho (DEM-PB)
045.  Erika Kokay (PT-DF)
046.  Ezequiel Fonseca (PP-MT)
047.  Fábio Reis (PMDB-SE)
048.  Fausto Pinato (PRB-SP)
049.  Félix Mendonça Júnior (PDT-BA)
050.  Fernando Jordão (PMDB-RJ)
051.  Fernando Torres (PSD-BA)
052.  Flaviano Melo (PMDB-AC)
053.  Genecias Noronha (SD-CE)
054.  Geraldo Resende (PMDB-MS)
055.  Giacobo (PR-PR)
056.  Giovani Feltes (PMDB-RS)
057.  Gorete Pereira (PR-CE)
058.  Guilherme Mussi (PP-SP)
059.  Herculano Passos (PSD-SP)
060.  Iracema Portella (PP-PI)
061.  Izalci (PSDB-DF)
062.  Jair Bolsonaro (PP-RJ)
063.  Janete Capiberibe (PSB-AP)
064.  Jerônimo Goergen (PP-RS)
065.  João Carlos Bacelar (PR-BA)
066.  João Castelo (PSDB-MA)
067.  João Paulo Kleinübing (PSD-SC)
068.  José Mentor (PT-SP)
069.  José Otávio Germano (PP-RS)
070.  José Stédile (PSB-RS)
071.  Josi Nunes (PMDB-TO)
072.  Josué Bengtson (PTB-PA)
073.  Jozi Rocha (PTB-AP)
074.  Júlio Delgado (PSB-MG)
075.  Júlio Lopes (PP-RJ)
076.  Kaio Maniçoba (PHS-PE)
077.  Lázaro Botelho (PP-TO)
078.  Lelo Coimbra (PMDB-ES)
079.  Lincoln Portela (PR-MG)
080.  Lindomar Garçon (PMDB-RO)
081.  Luciana Santos (PCdoB-PE)
082.  Lúcio Mosquini (PMDB-RO)
083.  Luiz Carlos Heinze (PP-RS)
084.  Luís Tibé (PTdoB-MG)
085.  Luiz Cláudio (PR-RO)
086.  Luiz Fernando Faria (PP-MG)
087.  Luiz Nishimori (PR-PR)
088.  Mandetta (DEM-MS)
089.  Marcelo Belinati (PP-PR)
090.  Marcelo Matos (PDT-RJ)
091.  Marcelo Squassoni (PRB-SP)
092.  Márcio Alvino (PR-SP)
093.  Marco Tebaldi (PSDB-SC)
094.  Marcos Reategui (PSC-AP)
095.  Marquinho Mendes (PMDB-RJ)
096.  Marx Beltrão (PMDB-AL)
097.  Maurício Quintella Lessa (PR-AL)
098.  Missionário José Olimpio (PP-SP)
099.  Nelson Marquezelli (PTB-SP)
100.  Nelson Meurer (PP-PR)
101.  Nilson Leitão (PSDB-MT)
102.  Nilton Capixaba (PTB-RO)
103.  Pastor Marco Feliciano (PSC-SP)
104.  Paulo Feijó (PR-RJ)
105.  Paulo Magalhães (PSD-BA)
106.  Paulo Maluf (PP-SP)
107.  Paulo Pereira da Silva (SD-SP)
108.  Paulo Pimenta (PT-RS)
109.  Pedro Fernandes (PTB-MA)
110.  Pedro Uczai (PT-SC)
111.  Professora Dorinha Seabra (DEM-TO)
112.  Renato Molling (PP-RS)
113.  Ricardo Barros (PP-PR)
114.  Roberto Alves (PRB-SP)
115.  Roberto Balestra (PP-GO)
116.  Roberto Brito (PP-BA)
117.  Roberto Góes (PDT-AP)
118.  Rocha (PSDB-AC)
119.  Rogério Marinho (PSDB-RN)
120.  Rômulo Gouvea (PSD-PB)
121.  Ronaldo Benedet (PMDB-SC)
122.  Ronaldo Carletto (PP-BA)
123.  Ronaldo Lessa (PDT-AL)
124.  Roney Nemer (PMDB-DF)
125.  Rossoni (PSDB-PR)
126.  Rubens Otoni (PT-GO)
127.  Sandes Junior (PP-GO)
128.  Shéridan (PSDB-RR)
129.  Silas Câmara (PSD-AM)
130.  Simão Sessim (PP-RJ)
131.  Subtenente Gonzaga (PDT-MG)
132.  Takayama (PSC-PR)
133.  Uldurico Junior (PTC-BA)
134.  Valmir Assunção (PT-BA)
135.  Valtenir Pereira (PMB-CE)
136.  Vander Loubet (PT-MS)
137.  Veneziano Vital do Rêgo (PMDB-PB)
138.  Vicente Cândido (PT-SP)
139.  Vinícius Gurgel (PR-AP)
140.  Waldir Maranhão (PP-MA)
141.  Washington Reis (PMDB-RJ)
142.  Weverton Rocha (PDT-MA)
143.  Wladimir Costa (SD-PA)
144.  Zeca Cavalcanti (PTB-PE)

Senadores investigados pelo STF (2017)

01. Acir Gurgacz (PDT-RO)
02. Aécio Neves (PSDB-MG)
03.  Benedito de Lira (PP-AL)
04.  Cásio Cunha Lima (PSDB-PB)
05. Ciro Nogueira (PP-PI)
06. Dário Berger (PMDB-SC)
07. Edison Lobão (PMDB-MA)
08. Eduardo Amorim (PSC-SE)
09. Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
10. Fernando Collor (PTC-AL)
11. Gladson Cameli (PP-AC)
12. Gleisi Hoffmann (PT-PR)
13. Humberto Costa (PT-PE)
14. Ivo Cassol (PP-RO)
15. Jader Barbalho (PMDB-PA)
16. João Capiberibe (PSB-AP)
17. José Agripino ( DEM-RN)
18. José Pimentel (PT-CE)
19. Lindbergh Farias (PT-RJ)
20. Marta Suplicy (PMDB-SP)
21. Omar Aziz (PSD-AM)
22. Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
23. Renan Calheiros (PMDB-AL) *
24. Romário (PSB-RJ)
25. Romero Jucá (PMDB-RR)
26. Sérgio Petecão ( PSD-AC)
27. Telmário Mota (PDT-RR)
28. Valdir Raup (PMDB-RO)
29. Vanessa Grazziotin (PC do B-AM)
30. Vicentinho Alves (PR-MT)
31. Wellington Fagundes (PR-MT)
32. Zezé Perrella (PTB-MG)

O campeão da safadeza (e da impunidade) é Renan Calheiros que responde a 11 inquéritos no STF por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de dinheiro público e falsidade ideológica.


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