SINDICATO DE LADRÕES SOB O DOMÍNIO DO MAL.



Sou cinéfilo. Vejo simplesmente tudo. De cults da animação japonesa às velhas chanchadas da Atlântida. De ícones do cinema político aos musicais da Broadway. Como todos os amantes da sétima arte, tenho minhas preferências: ficção científica vem no topo, seguida de thrillers psicológicos.

Ontem, fui ver “Polícia Federal. A Lei é para Todos” (direção de Marcelo Antunez, Brasil/2017) baseado no livro homônimo de Carlos Graieb e Ana Maria dos Santos. Minha recomendação (alucinada, é claro): deveria passar em todas as escolas públicas e privadas do Oiapoque ao Chuí.

A arte, como disse meu filósofo favorito, Aristóteles, não se presta apenas a representar a aparência exterior das coisas, mas, principalmente, seu significado interior. Tá tudo lá. Aquilo que políticos sem caráter, seja de que partido for, tentam desesperadamente ocultar dos eleitores com o auxílio de vendilhões de consciências travestidos de intelectuais fracassados e jornalistas venais.

Não espere ver na tela a densidade embasbacante de um “Z” (Costa-Gravas, França/1969). Nem precisava. O público, ao contrário de certos críticos de cinema que trocaram o cristalino dos olhos pela lente deformada da concupiscência ideológica, adora uma produção primorosa com boas interpretações capaz de narrar os fatos na sua ordem direta sem subterfúgios. Daí os aplausos calorosos no final da sessão.  

Só no Brasil (e países totalitários) o discurso da esquerda tem vicejado, hegemônico, ao longo de décadas sem que nenhuma outra corrente do pensamento político seja capaz de construir uma contranarrativa eficaz. Finalmente isso é passado. Sabemos, ainda falta muito para que as universidades públicas, majoritariamente infestadas pelo “pensamento progressista” nome sob o qual se ocultam fanáticos ideológicos (adoradores de Cuba mas que passam férias em Nova Iorque e Paris) sejam arejadas pela livre discussão das ideias.

A esquerdopatia é aquela doença terminal que arrasta nações inteiras para os derradeiros círculos do inferno de onde não há saída possível senão a aniquilação dos sonhos de muitos em benefício de uma casta dominante cruel, corrupta e hipnotizante. Adeus Lênin ( Wolfgang Becker, Alemanha/2004) não poderia ser mais didático. Nele, uma Gleisi Hofmann da antiga Alemanha Oriental é acometida de um ataque cardíaco fulminante ao ver o filho em uma passeata contra o regime vigente. Elementos dessa estirpe, como sabemos, não morrem fácil e a mulher volta de um coma profundo anos após a queda do Muro de Berlim.

Para que ela seja poupada da nova e maravilhosa realidade, seu filho, Alexandre, prefere encenar um hilário teatro que prevê a criação de todos os cenários de um país que não mais existe. O filho dedicado muda, desde as embalagens dos produtos até os filmes da TV, através de uma engenhosa manobra para que a megera se sinta na Alemanha comunista.  Esta gente, assim como os vampiros fogem do Sol, se esfarela sob os ventos da liberdade precursores da riqueza das nações e do verdadeiro bem-estar de seus cidadãos.

Os tiranos, como a História tem nos revelado sob o tédio da repetição em looping, apenas trocam de lugar com os de antanho. Hábeis na missão de apagar o passado, escravizam corações e mentes com a retórica do engodo. Lula da Silva, Nicolás Maduro, Kim Jong-un não largarão o osso até que morram de causas naturais ou sejam varridos da face do planeta por um diligente Anjo Exterminador ( Luis Buñuel, Espanha/1962).

“Polícia Federal. A Lei é para Todos” desnuda uma organização criminosa de alta periculosidade apoiada por um Sindicato de Ladrões (Elia Kazan, EUA/1954). Nessa antológica película, Terry Malloy, interpretado pelo incomparável Marlon Brando, faz do boxe sua pretendida entrada para um mundo de sucesso mas, foi obrigado a se submeter ao “esquema” criado pelo mafioso Johnny Friendly (ironia das ironias) seu patrão. Malloy terá que perder uma luta para que seu chefe lucre, assim como nós, brasileiros, fomos forçados a anos de penúria para que Lula, Dilma et caterva pudessem perpetrar seu plano diabólico de poder eterno.

É reconfortante sentir que nós, pagadores dos impostos, os verdadeiros viabilizadores de uma Petrobrás usada ad nauseam para o enriquecimento ilícito de políticos pilantras e empreiteiras corruptas não mais estejamos Sob o Domínio do Mal (John Frankenheimer, EUA/1962). Raymond Shaw (protagonizado por Laurence Harvey) volta da Guerra da Coreia como herói. Entretanto, nem ele nem Bennett Marco (Frank Sinatra, magistral) conseguem se lembrar o porquê. Ambos são assolados por pesadelos indecifráveis. Este é o estopim de uma investigação que desvenda algo como o assassinato (até agora sem solução) de Celso Daniel: os “heróis”, na verdade, foram programados para serem facínoras impiedosos sem qualquer sentimento de culpa. Por trás de tudo, um imundo jogo de interesses capaz das ações mais odiosas. Isso, caro leitor, lhe faz lembrar de um certo partido político?

De brinde pra você, cinco filmes políticos imperdíveis (além dos citados no texto acima):

1. O Encouraçado Potemkim ( Sergei M. Eisenstein, Rússia/1925). Narra a revolta de marinheiros de um navio de guerra russo em 1905 contra as desumanas condições a que são submetidos. O filme é o prenúncio da Revolução Russa de 1917. O paralelo inescapável que se pode fazer hoje com a Rússia de Putin, é que um regime cruel é substituído por outro tão cruel quanto.

2. Todos os Homens do Presidente – All the President’s men (Alan J. Pakula, EUA/1976). Mostra os bastidores jornalísticos do caso conhecido como Watergate que provocou a renúncia do presidente Richard Nixon em 1972. O jornal Washington Post, ao contrário de pasquins ideológicos como certo tipo de imprensa nacional costuma ser, segue, obstinadamente, o fluxo do dinheiro que desemboca em um escândalo de proporções tsunâmicas atingindo o alto escalão de um governo sem ética e sem moral.

3. A Grande Ilusão – All the King’s Men ( Steven Zailian, EUA/2006). A depressão que se instalou no país favoreceu o nascimento de um político populista e demagogo que se apresenta aos eleitores como um “homem simples do povo”. William Stark (interpretado pelo sempre ótimo Sean Penn) é eloquente o suficiente para enganar a população com promessas mirabolantes e, assim, se torna Governador da Louisiana. O poder revela a verdadeira face de “Willie” que se defronta com um processo de impeachment. Lembrou de algo?

Se preferir, assista ao original, dirigido por Robert Rossen (1949) Oscar de Melhor Filme e Melhor Ator (Broderick Crawford) de 1950.

4. O Conformista -Il Conformista (Bernardo Bertolucci- Itália/1970). Um funcionário de Mussolini (o icônico Jean-Louis Trintignant) recebe a esdrúxula missão de assassinar um professor liberal que fugiu da Itália para a França tão logo os fascistas assumiram o poder. Tudo aquilo que José Dirceu aprendeu a fazer em seu treinamento cubano.

5. Feios, Sujos e Malvados – Brutti, Sporchi e Cattivi (Ettore Scola Itália/1976). Favelados romanos ,da mesma família, decidem roubar o dinheiro recebido pelo patriarca Giacinto (interpretado por Nino Manfredi) como indenização por ter perdido um olho no trabalho. A maldade humana independe de classe e condição social como a deputada petista Maria do Rosário (PT-RS) finge acreditar.

Desejo a todos, caros leitores, uma revigorante semana.





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