DE NORA NEY A NEY MATOGROSSO.



Ney Matogrosso será homenageado logo mais, às 21:00 h no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Trata-se da 28ª edição do prestigiado Prêmio da Música Brasileira. Ney, dispensa comentários. Nosso único mega pop star cujo disco de estreia em 1973 “Secos e Molhados” caiu como um meteoro candente no deserto criativo do show business nacional.

Para aqueles que não são dessa época, basta dizer que o show do grupo no Maracanãzinho, em fevereiro de 1974, bateu todos os recordes de público com 30 mil pessoas dentro do estádio e 90 mil fora. Até hoje, nada existiu por aqui que supere estes números. Claro que Ney é daqueles fenômenos que ocorrem a cada par de séculos. Em tempos de Wesley Safadão e Anitta, talvez nos recuperemos em milênios, mas isso é outra história.

Existe um homônimo. Nora Ney (nome artístico da carioca Iracema de Sousa Ferreira-1922 a 2003). Um ícone dos anos 50. Sucesso no país que ainda tinha no comando Getúlio Vargas eleito em 1950 com 48,7% dos votos.

Eram tempos convulsionados. As donas de casa curitibanas deflagravam um movimento contra os tubarões da carne (assim apelidados por sonegarem impostos e extorquir a população com preços estratosféricos). A República de Curitiba já dava seus primeiros passos na caça aos corruptos boicotando o produto e incendiando (metaforicamente falando) outras capitais como São Paulo, BH e Rio de Janeiro. Algo que não ocorreria hoje em represália aos gatunos da Friboi.

Voltando a Nora Ney. O Brasil tinha 53 milhões de habitantes e a época era propícia para cantoras de voz grave e embargada ideal para ressaltar a dramaticidade de estrofes como “Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor. A vida passa, e eu sem ninguém, e quem me abraça, não me quer bem”.
“Ninguém me ama” gravado por Nora Ney, conquistou o primeiro Disco de Ouro da história da fonografia brasileira. O sucesso ultrapassou fronteiras, sendo gravado por Nat King Cole (em Português). Não é pouca coisa...

O rádio e suas cantoras eram a psicoterapia de massa possível na época. E cada sucesso de Nora Ney era uma master class que deixa no chinelo os modismos comportamentais holísticos atuais que tentam nos libertar de vícios patéticos como a falta de wifi.

Hoje, Irene Ravache se indigna na internet contra a soltura da fria assassina Anna Jatobá (aquela que jogou a menina Isabella Nardoni do sexto andar do prédio onde morava). Na época de Nora Ney, o país era abalado pelo Crime do Sacopã (tragédia passional envolvendo o assassinato do bancário Afrânio Arsênio de Lemos pelo aviador Alberto Jorge Bandeira tendo como pivô do crime Marina de Andrade Costa).

Em 1954, Vargas deu um tiro no coração. Nora Ney fazia sucesso com “Risque” (meu nome do seu caderno), “De cigarro em cigarro” (outra noite esperei; outra noite sem fim; aumentou meu sofrer; de cigarro em cigarro olhando a fumaça no ar se perder).

Mas, há outro mega sucesso na voz de Nora que parece ter sido composta para ser cantada hoje pela população honesta do país que quer ver certo tipo de político fora da vida da nação.

Vai, mas, vai mesmo! - Autor : Ataulfo Alves
Vai, vai mesmo
Eu não quero você mais
Nunca mais
Tenha santa paciência
Põe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
Vai ou não vai...


No mais, parabéns ao ídolo e ícone Ney Matogrosso. 


De brinde pra você:

Nora Ney cantando "Ninguém me Ama".


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