COMEÇAR DE NOVO COM O QUE TEMOS.



A rainha da Inglaterra merece ser uma das pessoas mais protegidas do planeta. Afinal, ela não é algo passageiro como Theresa Mary May que pode, muito bem, deixar o posto antes do “brexit”.

Elizabeth Alexandra Mary Windsor ou, simplesmente, Elizabeth II estava de camisola, pronta para se recolher, naquela insólita noite do verão de 1982, quando teve que papear por 10 longos minutos com um de seus súditos que, claro, não marcara audiência. 

O desempregado Michael Fagan, escalou as paredes do Palácio de Buckingham, entrou por uma janela aberta, comeu queijo e bebeu vinho na cozinha real e terminou seu périplo no quarto da própria rainha. Elizabeth, como sabemos, tem sangue frio além de azul. Fagan sentiu-se tão à vontade que lhe pediu um cigarro. Foi a deixa para a soberana chamar um auxiliar que imobilizou o invasor até a chegada da polícia.

Na semana passada, enquanto Michael Temer articulava mais uma jogada para livrar-se da última armadilha urdida pelo seu arqui-inimigo Janot, o Beligerante, um adolescente de 15 anos invade o Palácio da Alvorada de carro e, ora vejam, chega até o terceiro andar da residência oficial. Marcela e Michelzinho estavam (aparentemente) à salvo no Palácio do Jaburu.

Em maio de 1992, Michael Dowd, um oficial graduado da polícia de Nova Iorque foi preso após um longo período de investigações.  Sua ficha corrida era paralisante: ele roubava armamentos e repassava-os para criminosos, vendia cocaína e protegia os barões da droga. Perguntado se se considerava um policial ou um traficante, ele respondeu cinicamente: “os dois”. Dowd recebeu o epíteto de “O policial mais corrupto de Nova Iorque”.   A maior vergonha para a corporação, foi a descoberta desses crimes todos não pela corregedoria da polícia nova-iorquina, mas pela inexpressiva polícia do distrito de Suffolk.

Por aqui, o sargento da PM carioca, André Luiz de Oliveira ,que em 2015 recebera o prêmio de “Melhor Policial do Ano”, foi preso  após um cuidadoso processo investigativo. Oliveira, cuja imagem era a de “agir com pulso firme” contra a bandidagem recebia gordo suborno do tráfico. O “Sobrancelhudo”, como era conhecido, arrecadava R$ 1.000,00 por semana. A bufunfa lhe era entregue em padarias, debaixo de viadutos e, ora vejam, até dentro do próprio batalhão, em prosaicos copos de refrigerante.

Enquanto as reformas, que já deveriam ter sido feitas há décadas, não saem por conta do perverso conluio da turma que quer, a ferro e fogo, continuar mamando nas tetas do privilégio e dos políticos que os representam, há em curso uma nova Revolução Francesa justamente para passar a guilhotina em tudo o que emperra a economia do país de Robespierre.

Explico: a França deu um salto qualitativo ao marginalizar as vetustas raposas dos partidos tradicionais (tanto à esquerda quanto à direita). Elegeu o jovem (39 anos) Emmanuel Macron liderando o movimento "República em Marcha". A ideia é trazer o Estado francês ao patamar de importância econômica e política da Alemanha. Para isso, cortes e mudanças nos tentáculos que sufocam o país (os mesmos daqui): leis medievais nas relações trabalhistas, sistema educacional com crenças equivocadas, previdência inviável e vantajosa para uma casta de bem-aventurados, estado obeso, lento e ineficaz e por aí vai.

Se você, caro leitor, assim como a maioria dos cidadãos de bem, está cada dia mais desesperançado com o inesgotável jorro do crime e da corrupção que eleva o nível da lama local a alturas preocupantes e com a inépcia do Congresso formado, majoritariamente, por elementos desqualificados, não desanime.

De Nova Iorque a Nova Delhi, seres humanos são passíveis dos erros mais abjetos. Um dia, como fez a Dinamarca, a sociedade passa a não mais tolerar o crime e a corrupção. Em outro, surgem novos corações e mentes como Macron, e  Justin Trudeau (primeiro-ministro canadense) que trazem ao sol um novo significado para a política.

Calma! Vamos chegar lá. Em 2018, dois terços do senado serão renovados (ou seja, 54 senadores que ficarão no cargo até 2026).

Em 2018, escolheremos novos deputados estaduais e federais que ficarão no cargo até 2022.

Também em 2018, elegeremos um novo Presidente da República com a missão de transformar o país em uma nação moderna, competitiva e justa.

Infelizmente, muitos de nós não estarão aqui para festejar o país que queremos ter (quem sabe nossos netos, ou os filhos deles). Entretanto, o que nossa geração pode fazer é trabalhar, arduamente, para mudar os rumos da política brasileira. Que tal começar divulgando, ao maior número possível de pessoas, o mantra: “Não reeleja ninguém em 2018”?


Como dizia Aristóteles, um bom começo é a metade. 

posts parecidos

Política

Conectividade de A-Z

O CANAL PARA FALAR DA CONEXÃO HUMANA.

Aqui você tem voz. Pode contribuir, sugerir, criticar, propor temas, discutir e ampliar o escopo do Blog. Nossa conexão poderá fazer a diferença.