BOA NOTÍCIA, MESMO QUANDO ELA É MÁ.




A justiça é uma senhora gorda e lenta, além de míope. Em 29 de setembro de 2011, onze carros esportivos, no valor de 5 milhões de dólares, foram apreendidos na região dos Champs-Élysées. Eles pertenciam à gang dos Obiangs, indivíduos sem escrúpulos que governam a paupérrima Guiné Equatorial, um país rico em petróleo mas com 75% da população em estado de penúria. Em 6 de julho deste ano (sete anos após), a justiça francesa condenou, finalmente, Teodoro Obiang, o filho do presidente do país, a três anos de cadeia, confisco de bens e pagamento de multa de 30 milhões de Euros.

Esta história, e muitas tão nauseantes quanto, você, caro leitor, pode encontrar no sítio da International Transparency  (https://www.transparency.org ) o incansável organismo sediado na Alemanha que expõe as vísceras da corrupção no planeta.

Vivemos em um planeta corrupto. Dois terços dos 176 países investigados pela Transparência Internacional estão abaixo de IPC=50 (Índice de Percepção da Corrupção) em uma escala que vai de 0 - extremamente corrupto a 100- extremamente honesto. A média do planeta é de vergonhosos 43 pontos.


Os países mais honestos do mundo são democracias liberais dotadas de instituições sólidas e com uma população que repele fortemente qualquer transgressão às leis e às práticas sem respaldo ético. 



O IPC do Brasil apresentou uma pequena melhora. Era de 38 em 2015; passou a 40 em 2016. Em termos de classificação, caímos para a 79ª posição em 2016 dentre os 176 países investigados (estávamos na 76ª em 2015).

A média do IPC brasileiro nos últimos cinco anos é de 41. Em termos puramente estatísticos estamos onde sempre estivemos.

O planeta passa, todo ele, por um doloroso processo de depuração. Estamos literalmente empatados, no quesito corrupção, com China e Índia nossos parceiros do “BRICS”. Muito melhores que a Rússia de Putin mas, piores que a África do Sul.


Dentre nossos vizinhos, estamos ainda muito longe dos líderes sul-americanos da honestidade: Uruguai, na 21ª posição com IPC=71 e Chile, na 24ª com IPC=66. Mas, comparados aos argentinos (95ª posição; IPC=36), e mexicanos (123ª posição; IPC=30), muito melhores.

É sempre educador lembrar o que representa uma ditadura populista e jurássica como a Venezuela, apoiada pelas correntes mais atrasadas da política brasileira como PT e PC do B. O país do facínora Maduro está na 166ª posição com IPC=17 ao lado dos TOP 10 da corrupção planetária.


O Brasil honesto, que está sendo resgatado pelos heroicos juízes federais da estirpe de um Sergio Moro, é a grande boa notícia do último relatório da Transparência Internacional. Esqueça os políticos. Até porque fomos nós que os colocamos no Congresso. Eles não representam mais o país que queremos ter. Somos nós que podemos construir uma nação ética.

E, por favor, pare, de uma vez por todas, de culpar os portugueses por nossas mazelas históricas. Eles, há muito tempo, já mudaram de crenças, valores e atitudes. Portugal está dentre os 30 países mais honestos do planeta; posição 29 com IPC=62. À frente dos espanhóis (posição 41; IPC=58).

A bola, decididamente, está conosco. E o jogo começa em outubro de 2018.

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