A ETERNA LUTA DA LUZ CONTRA AS TREVAS.


Estar na Europa passou a ser um risco. Ainda não é o mesmo de enfrentar uma bala perdida no Rio ou ser assaltado em qualquer cidade brasileira, mas, mesmo assim, um risco. Londres e Paris, ícones da civilização ocidental e representantes de um estilo de vida tão admirado quanto invejado, estão se tornando os alvos preferenciais dos novos bárbaros do século 21.

Não há muita diferença entre os dementados do Estado Islâmico e Hunos, Vândalos, Visigodos e Ostrogodos. Ou melhor: há! Os bárbaros conseguiram ascender na escala evolutiva civilizatória. Aos assassinos do Estado Islâmico restará, quando muito, a lata de lixo da História.

Estive em Berlim logo após a queda do muro que separava os cidadãos da cidade entre as categorias Gold Liberty e Dark Dungeon. Na época, a famosa parede de concreto ainda podia ser vista em algumas quadras. O cenário era mais ou menos aquele que nossos esquerdopatas adotam como a representação de sua loucura terminal adornado com pichações (socialistas de butique, como estamos cansados de saber, adoram um muro pichado).

A estética comunista da antiga Berlim oriental só existe nos museus da cidade justamente para que não esqueçamos os anos de ferro e chumbo. No lugar da penúria e do terror, a cidade reunida em novo e sadio corpo, em nada relembra os gêmeos siameses que jamais poderiam conviver no mesmo útero já que gerados em ambientes visceralmente opostos. Ver Berlim pulsando de riqueza e cultura é um espetáculo indescritível para os amantes do progresso e da arte.

O muro durou 28 anos (de 1961 a 1989). De sua derrubada até hoje se passaram outros 28 anos. É incrível o que crenças e valores diferentes podem fazer por uma cidade e por conseguinte, por um país. Estas lições, claro, jamais serão compreendidas pelas mentes trevosas que se apegam, desesperadamente, ao “socialismo” como regime de redenção social.  Uma voltinha de Trabant pelo território do terror (hoje, encontrado apenas em museus) faria bem aos adeptos de Maria do Rosário, Lindenberg Farias e outros luminares da esquerda nacional.

Berlim é tudo aquilo que comunistas odeiam (da boca pra fora). Bela como uma Valquíria, limpa como uma sala cirúrgica, chique como Karl Lagerfeld.

Os berlinenses são a cara que a união europeia gostaria de ter. Jovens, cultos, modernos e sobretudo gentis e bem-educados. Longe, muito longe do estereótipo do alemão de calças curtas com um copo de cerveja na mão.  Não é por acaso que a cidade hospeda uma das melhores filarmônicas do planeta a Berliner Philharmonie. Vi um concerto vespertino sobre trechos de aberturas famosas da música erudita contemporânea.

Também assisti na Deutsche Oper, L’Elisir d’Amore (O Elixir do Amor) de Gaetano Donizetti com a soprano polonesa Aleksandra Kurzak e o tenor franco-italiano Roberto Alagna. Ambos são casados. Alagna havia se separado da também soprano Angela Gheorgiu e parece ter retornado à vida, tão radiante que se apresenta no palco.

A famosíssima ária Una Furtiva Lacrima encerrou meu périplo pela capital de Angela Merkel na voz de Alagna.

Uma furtiva lágrima em seus olhos saltaram... O que mais eu poderia querer? Ela me ama...
Sentir por um só instante o palpitar de seu coração e confundir meus suspiros com os dela.
Céus! Sim, eu poderia morrer!  Isso é tudo que eu peço.

A liberdade é uma lágrima furtiva. Só se conhece o seu valor quando se a perde.

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