O PÂNTANO HEREDITÁRIO.




Ciro Gomes, apesar de ter nascido em Pindamonhangaba, São Paulo, filho de pai cearense e mãe paulista, pertence a um clã que atua na política cearense desde a Proclamação da República. De 1890 a 2017, os Gomes ocuparam 8 vezes a cadeira mais importante do município. Os Gomes também geriram o Estado do Ceará por três vezes durante o período de 1991 a 2015.

Isto não representa nenhuma novidade. Famílias de políticos, ao longo de sua vida, se tornam “castas” autoimunes. Enxergam os cidadãos, com capacidade crítica, como células invasoras que devem ser combatidas até sua eliminação sumária. Apenas cúmplices e mantenedores deste sistema orgânico nocivo possuem alguma chance de sobrevivência.

De acordo com a publicação Congresso em Foco, 48% dos nossos congressistas possuem parentes nas bancadas partidárias. Essa distorção é mais visível nos estados do Nordeste. Mas, também ocorre com força nos estados do Sul e Sudeste. Mais de trinta por cento dos representantes de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul possuem familiares na política. No Paraná, de seus 32 congressistas 13 (41%) possuem laços consanguíneos. O deputado João Arruda, por exemplo, é sobrinho do senador Roberto Requião. Ambos do PMDB. Zeca Dirceu, como se sabe, é filho do presidiário José Dirceu.

A bancada do Centro-Oeste é, praticamente, formada por parentes. Dos 50 deputados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal 24 são “família”. O deputado Júlio Campos é irmão do senador Jayme Campos, ambos do DEM.

O sudeste possui cerca de 200 parlamentares. Destes, 87 (44%) possuem algum tipo de parentesco. O estado mais rico da federação, São Paulo, possui famílias solidamente assentadas nos três níveis do Poder Legislativo. O deputado federal Alexandre Leite é filho do vereador Milton Leite e irmão do deputado estadual Milton Leite Filho – todos do DEM. O deputado federal Jilmar Tatto é irmão do vereador Arselini Tatto e do deputado estadual Enio Tatto.

Essa intrincada árvore genealógica política tem raízes profundas. Sua seiva irriga interesses nem sempre condizentes com os anseios da sociedade.  Dos 513 deputados que votaram pelo impeachment de Dilma Vana, cerca de 300 respondem a algum tipo de inquérito judicial. Destes, 191 possuem mais de um processo. O PMDB não tem concorrência neste terreno pantanoso. De seus 67 parlamentares, 43 (64%) estão com os pés sujos de lama.

Quem são os TOP 5 na Câmara dos Deputados?

Deputado
Partido/Estado
Processos
Beto Mansur
PRB/SP
47
Veneziano Vital do Rêgo
PMDB/PB
35
Washington Reis
PMDB/RJ
30
Marco Tebaldi
PSDB/SC
27
Roberto Góes
PDT-AP
25

Estes indivíduos fazem da política um meio de perpetuação de odiosos privilégios. Tem sido assim desde sempre. A única saída para que possamos nos libertar dessa armadilha mortal é o voto. Mas, isso não é tudo. Precisamos urgentemente mudar o velho e imprestável modelo eleitoral que retroalimenta este pântano profundo.

Deste pântano não saem príncipes.

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