O ANTIMARKETING DA AMAZON ATACA DE NOVO.



Propagandas desastrosas não são incomuns. Quanto maior for a potência anunciante de um país, mais comuns os rankings das melhores e piores propagandas do ano, do século, do milênio...

Dá pra entender. Desde as cavernas, o homem adora alardear para a posteridade seus feitos e conquistas. Atrás de uma pintura rupestre de um animal qualquer tem um caçador de sucesso.

A revista Exame publicou, em dezembro do ano passado, um perturbador painel dos equívocos publicitários que certamente transformaram a suada verba do cliente em pó de traque de segunda por causa do extremo mau-gosto dos “criativos” contratados.

A mais “sem noção” do ano (quiçá do planeta) foi a peça publicitária da Fit Flex, uma escola de natação de Esteio, RS. As motivações do criador de tal anúncio não podem ser respondidas à luz do marketing atual. Este indivíduo, simplesmente, utilizou-se daquela trágica foto do menininho sírio morto por afogamento nas praias da Turquia. É preciso provar o fato senão ninguém acredita...



Nesta semana, outro dardo propagandístico errou feio o alvo. Pelo tamanho do estrago, a flecha parece ter se alojado no traseiro do seu criador.
A Amazon quis trombetear em São Paulo as vantagens do Kindle, seu leitor de livros digitais. Para isso, centrou fogo na defesa subliminar de grafites indesejáveis e pichações odiosas que deixam a cidade com a aparência de uma Allepo in extremis.

Não sabiam com quem estavam lidando.
O prefeito João Doria (70,3 % de aprovação no último levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado esta semana) foi rapidíssimo no gatilho: gravou um vídeo triturando a “peça” e ainda abriu espaço para que concorrentes da Amazon tripudiassem. 

Campanhas de TV são caras. Elas também não surgem por geração espontânea. Por detrás delas, existe um detalhado trabalho de briefing do cliente e longas sessões de brainstorming por parte da agência criadora e um subsequente processo de análise e aprovação por parte dos profissionais da empresa contratante. Quem é do ramo sabe disso.

Ocorre que a Amazon tem um histórico curioso. No ano passado, decidiu fazer uma campanha suicida na cidade de Nova Iorque- a segunda cidade do planeta com mais cidadãos de origem judaica- para promover sua nova série de TV, “The man in the high castle” cuja trama trata de como seria o mundo se os nazistas e japoneses tivessem ganhado a Segunda Guerra Mundial. Para isso, cobriram paredes, tetos e assentos do metrô de Nova Iorque com uma parafernália de símbolos nazi-nipônicos.

Anúncios inspirados nos nazistas .Que gênio bolou isso? The Guardian

O prefeito da cidade, Bill de Blasio, declarou que “a propaganda da Amazon é irresponsável e ofensiva aos sobreviventes do holocausto, seus familiares e à população da cidade de Nova Iorque”.

No último trabalho do Instituto Paraná Pesquisas, o programa “Cidade Linda”, do prefeito João Doria, obteve 80% de aprovação. Sua cruzada contra pichadores e pseudo-grafiteiros bateu em impressionantes 88% de aprovação por parte dos paulistanos.

É preciso muita incompetência e alienação de quem quer que esteja à frente do marketing da multinacional (e que aprovou o anúncio) para uma ação desta natureza. Recado de Doria para a Amazon: “Se vocês gostam de São Paulo, doem livros para bibliotecas, doem computadores para escolas públicas municipais, doem aquilo que a população precisa para fazer dessa cidade uma cidade mais feliz”. Lacrou!




O filme que estreia hoje nas telas do país “A Vigilante do Amanhã” (direção Rupert Sanders) com a sobrenatural Scarlett Johansson tem uma frase perfeita para o Caso Amazon: “Ações (e não memória) nos definem”. 

Aguardem resenha aqui neste Blog.

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