A MALDIÇÃO DO ANEL DE CAVENDISH.



Anéis exercem um estranho fascínio na humanidade. Já existiam, como os conhecemos, desde a Idade do Bronze. Anéis adornavam e distinguiam seus donos. Os faraós os possuíam forjados em ouro puro com seu nome gravado. Podiam ser de âmbar, ferro, argila esmaltada ou marfim. Funcionavam, às vezes, como um atestado de nobreza ou, se de ferro, caracterizavam o status de “homem livre” na Roma antiga.

Anéis são protagonistas poderosos em contos, filmes e óperas. Richard Wagner precisou de quatro óperas para narrar uma saga cujo tema central era um anel, o de Nibelungo.  A história nos fala de um certo anel do Rei Salomão com poderes de controlar demônios. Os vampiros da série Vampire Diaries podem tomar sol na cara sem virar pó de traque. O segredo? Um anel, é claro.

O Lanterna Verde tem um anel. O Fantasma idem. Você, caro leitor, deseja a invisibilidade? Tem um anel, dizem, que opera este milagre.  

Mas, há um certo anel que entrará para a história dos políticos corruptos. O diabólico “Anel de Cavendish”. Fernando Cavendish (Delta Construções), como se sabe, possuía um pacto secreto com Sérgio Cabral (ex-governador do Rio, atualmente em Bangu 8). Ele ganhava obras superfaturadas e destinava 5% para Cabral.

Quando Cabral quis comemorar o aniversário de sua mulher, Adriana Ancelmo em 18.07.2009, não deixou por menos. Não poderia ser um anel qualquer. Tinha que possuir brilho e lapidação perfeitos. O “amigo” Cavendish encontrou um exemplar na Van Cleef & Arpels da Place du Casino em Mônaco. Pagou R$ 800 mil.  

Adriana veio de Mônaco com o anel no dedo. Passou pela Receita Federal sem declará-lo. Sonegou, em impostos, R$ 400 mil. Começou aí a maldição do anel.

O resto é história. Será contada, no futuro, como ópera bufa cujo Primeiro Ato se chamará “Operação Calicute” deflagrada em 06.12.2016. Os ouvintes ficarão sabendo pela voz de um narrador (barítono, por supuesto) que ao celebrar 10 anos de casados, o notório casal incorporou ao patrimônio, brincos e anéis de ouro com rubi no valor de R$ 1 milhão.  

Na famosa ópera “Don Giovani” de Mozart, a pobre Dona Elvira tem que ouvir a lista interminável de traições do personagem título. A abertura do segundo ato nos mostrará Cabral e Adriana mirando a tabela de crimes cometidos por ambos com o respaldo de uma numerosa gangue de malfeitores do dinheiro público.

Está nos jornais de hoje para quem se dispuser a ler:

Criminoso
Número de Crimes
Sérgio Cabral
184
Carlos Miranda
147
Carlos Bezerra
97
Álvaro Novis
32
Francisco de Assis Neto
29
Adriana Ancelmo
07
Thiago de Aragão Gonçalves
07
Sérgio de Oliveira
06
Ary Costa Filho
02

Montante da propina no Brasil (período de 01.08.14 a 10.06.16):  R$ 39.757.947,69. Montante ocultado no exterior: R$ 317.874.876,00

O Gran Finale, nos mostrará Cabral e Adriana em uma gigantesca lavanderia cênica apupados por seres hediondos aos gritos de “ladrões, mentirosos, hipócritas, libertinos, perjuros, imorais “. Ao fundo, um gigantesco painel com os dizeres:

“Um Anel para a todos governar, um Anel para encontrá-los, um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los” (homenagem explícita à mega trilogia “O Senhor dos Anéis”).

Cai o pano.

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