LA-LA LAND, PRISCILLA E EMOÇÕES INTENSAS.

Adoro cinema. Acho que antes mesmo de nascer.

Meu pai me levava para assistir filmes inesquecíveis no deslumbrante Cine São Luiz de Fortaleza. Pegue uma criança de 9 anos (em 1958) e coloque-a cara a cara com Kim Novak e James Stewart ampliados pela mágica do Cinemascope. O filme: Sortilégio do Amor (Bell, Book and Candle- Direção Richard Quine). Não há quem consiga ver o mundo da mesma maneira depois disso.

Pule para 1983. Pegue uma garotinha de 10 anos e faça-a deslumbrar-se com o roteiro sem palavras e um milhão de emoções de O Baile (direção de Ettore Scola). Preparado para as consequências?

Claro que Priscilla abandonou o curso de Propaganda e pegou o trapézio sem rede de Artes Cênicas, na PUC de Curitiba. De repente, lá estava ela nos Estados Unidos fazendo seu mestrado em Interpretação na prestigiada Southern Methodist University de Dallas-EUA.

Por que isso? Para lhe garantir, caro leitor, que sei do que estou falando. O (para muitos) deslumbrante e ficcional mundo de atores e atrizes não passa de uma tresloucada e cruel competição onde o sucesso é uma eterna incerteza e o sofrimento, seguro como o aviso vislumbrado por Dante Alighieri na Divina Comédia... “Deixai toda a esperança, vós que entrais”.

O cinema já cansou de contar esta história. Cantando na Chuva (Direção: Gene Kelly - 1952), Nasce uma Estrela (George Cukor- 1954) só para ficar com os clássicos. Pois bem, após décadas de fastio insuportável para nós, amantes de musicais, chega às telas La-La Land ( Damien Chazelle -2016).

O título já é um spoiler. A terra da ilusão (e da desilusão) em um trocadilho bem sacado com as iniciais de Los Angeles, conhecida também como LA. Esqueça a inexplicável elegância de Fred Astaire e Cyd Charisse flutuando em Dancing in the Dark  no Central Park (cena antológica de A Roda da Fortuna- direção: Vincent Minnelli-1953). Nem queira comparar com o mesmo Astaire e Eleanor Powell em Melodia da Broadway (Norman Taurog-1940), homenageados em La-La Land em uma referência high-tech nos passos de Ryan Gosling e Emma Stone.

Simplesmente aterrisse ao lembrar que o cinema já produziu obras-primas dirigidas e coreografadas por Bob Fosse (Charity, meu amor- 1969). Chazelle lhe presta uma sutil homenagem com a cena que nos remete a Shirley Mac Laine, Chita Rivera e Paula Kelly cantando e dançando There’s gotta be something better than this (os vestidos de Emma Stone e suas amigas são exatamente das mesmas cores).

Um bom observador e conhecedor de musicais encontrará dezenas de discretas homenagens nesta encantadora película. Sim. Encantadora. O termo é o único que encontro para descrevê-la. La-La Land é também nostálgica, requintada e, sobretudo, contida. Não é um revival dos anos das sapatilhas douradas de Hollywood. É o que se pode obter nesta década dos anos 2000. E, lhes confesso, não é pouca coisa.

Afinal de contas, no dia 20 entra em cena “A Noite dos Espantalhos”, versão 2017, estrelada por Donald Trump.  

Para você curtir:

1. "Lovely Night Dance"



2. Fred Astaire e Cyd Charisse em "A Roda da Fortuna"-1953 "Dancing in the Dark")



3. Shirley Mac Laine, Chita Rivera e Paula Kelly em Sweet Charity - 1969 "There's gotta be something better than this".


4. A insuperável coreografia de Bob Fosse "The Aloof..." em Sweet Charity.


5. Fred Astaire e Eleanor Powell em "Melodia da Broadway" dançando "Begin the Beguine"

 



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