FÉRIAS INESQUECÍVEIS NA ERA DA PÓS-VERDADE.



Não faz muito tempo a máxima dos serviços no Brasil era: “Se não gostou vá reclamar pro Bispo”. Você, simplesmente, era obrigado a engolir, a seco, sapos e escorpiões cinicamente servidos como iguarias raras.

Não mais. Tente tripudiar sobre um cliente. Se esse desafortunado irradiar sua ira nas redes sociais, a empresa que ele representa vai virar o próximo viral da má conduta em um universo sedento por excruciações.

Estive nas férias de fim de ano em um “resort” do famoso Beach Park em Fortaleza. Paguei caro por um pacote de oito dias. O local serviria com mais denodo se estivesse situado em uma praça de guerra de Aleppo. Nenhuma manutenção há décadas. Provavelmente, desde que o estabelecimento foi inaugurado.

Não sou um cliente fácil de agradar. Principalmente quando compro um serviço a peso de ouro e recebo em troca sorrisos e desculpas padronizados de atendentes e gerentes sem escrúpulos.

Após longas negociações com a gerência do hotel, o que incluiu provas irrefutáveis sacadas de meu incansável iPhone, consegui mudar de uma “suíte” tão espaçosa quanto um cubículo-cápsula japonês para algo que me permitia respirar sem o uso de aparelhos.

Minha compra tinha sido uma “suíte júnior”, a nova pós-verdade para quarto com cama e sofá. O banheiro incorporado, tinha manchas seculares de limo e sujeira imunes a qualquer detergente à base de soda cáustica.

Tá certo que me mudaram para uma “suíte master”, melhor que a anterior, se não fosse o comitê de recepção formado por irrequietas Periplanetas Americanas . É isso mesmo que você, caro leitor, suspeita. Aquele inseto da classe dos neópteros de cor marrom, com duas longas antenas e aparência repugnante.

Deixei, na saída, uma carta escrita de próprio punho à gerência do hotel. Nenhuma resposta, claro!

Ao chegar em casa, não tive dúvidas. Relatei o caso no Trip Advisor. Está sendo um sucesso de crítica. Acabo de receber a informação que 323 leitores reagiram estupefatos aos meus comentários.

Anos atrás, li uma entrevista de um dos mais conhecidos maîtres brasileiros. Não me recordo do nome, mas ele era uma verdadeira lenda do famosíssimo hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro dos tempos áureos. Perguntado por que o serviço era tão ruim no Brasil da época, ele respondeu na lata. “Simples. O serviço é proporcional à exigência. Não há exigência, não há serviço”.


Da próxima vez que se sentir enganado, caro leitor, bote a boca no trombone. O nome do novo instrumento chama-se “Rede Social”.

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