ELIS. E NÃO PRECISA DIZER MAIS NADA.



Todo país tem sua intérprete número 1. A França teve Piaf. A Inglaterra, Amy Winehouse, Os Estados Unidos, Billie Holiday...

Claro que há outros expoentes pelo mundo a fora a compor as “The Best Lists” individuais. Tenho muita dificuldade, por exemplo, em escolher minha melhor cantora estadunidense – o país com o maior número de divas da música de todos os tempos. O que dizer de uma Barbra Streisand? E de uma Whitney Houston? Isso sem falar de Ella Fitzgerald, Dinah Washington, Sarah Vaughan ...

Mas, uma coisa é certa. Não há, nem nunca houve no Brasil cantora como Elis Regina. Nem de longe...

Você pode dizer que isso é um exagero imperdoável, no país de Maísa, Elizete Cardoso, Gal Costa, Bethânia, Cassia Eller... Todas fantásticas, sem dúvida.

O que quero dizer é que nenhuma tem o DNA de um monstro sagrado. Daqueles que transformam em obras-primas toda música em que põem a voz. Elis é única. Extensão vocal. Perfeita em graves, médios e agudos. Interpretação visceral e inimitável capaz de afugentar qualquer outra voz que por imprudência suprema, se atreva a gravar algo depois dela.

Elis, vai muito além de seus dotes vocais. Ninguém (até agora, pelo menos) teve a visão com foco de um Hubble para descobrir, no universo musical, astros da composição com a magnitude de um Milton Nascimento, João Bosco e Ivan Lins. Elis é uma usina nuclear da música compactada em 1,50m de altura e humor de um bungee-jumping.

Ontem, vi o filme Elis (direção de Hugo Prata) com a Andréia Horta. Foi difícil conter as emoções. Lá estava ela, a estrela definitiva que já previra sua passagem meteórica pelo “planeta música” através da poesia-premonição de Fernando Faro.  

Agora, o braço não é mais o braço erguido
num grito de gol
Agora, o braço é uma linha, um traço,
um rastro espelhado e brilhante
E todas as figuras são assim:
desenhos de luz, agrupamentos de pontos,
de partículas, um quadro de impulsos,
um processamento de sinais
E assim dizem, recontam a vida...

Agora retiram de mim a cobertura de carne
Escorrem todo o sangue
Afinam os ossos em fios luminosos; e aí estou:
Pelo salão, pelas casas, pelas cidades
Parecida comigo
Um rascunho
Uma forma nebulosa, feita de luz e sombra
Como uma estrela
Agora, eu sou uma estrela.


A única coisa que me ocorre agora é dizer a você, caro leitor, veja o filme. Simplesmente imperdível!


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