DESCULPE, A ODEBRECHT ERROU.


Jamais suporia que, nos meus anos de vida, pudesse ler nos jornais um pedido de desculpas de uma multinacional brasileira à sociedade, por ela ludibriada e aviltada. Isso costuma acontecer em países onde a maturidade institucional aliada à ação enérgica dos órgãos de defesa dos consumidores, não admite outra atitude.

Deslizes éticos de multinacionais não configuram nenhuma novidade. Do Wal-Mart ao McDonald’s, da Nike à Proctor and Gamble, as marcas mais cintilantes do mundo já demonstraram, em maior ou menor intensidade, evidências de sociopatia com recorrentes surtos de mentira, abuso, roubo e desonestidade na condução de seus negócios.

Está lá nos manuais de psiquiatria: sociopatas não sentem remorso pelos males praticados. São mentirosos compulsivos e se utilizam de tudo o que estiver ao seu alcance para se evadir da justiça. Faltam-lhes o senso da ética e da moral o que os torna capazes de realizar os atos mais danosos sem se sentirem culpados.

O Brasil é um país considerado corrupto por quaisquer métricas que se queira utilizar. Uma delas é a da Transparência Internacional https://www.transparency.org/ . O relatório de 2015, indica, mais uma vez, que nosso Índice de Percepção da Corrupção-IPC resiste na parte vexatória do ranking. Pior! Descemos a ladeira. Estávamos na 69ª posição (alerta laranja) e agora caímos para a 76ª (alerta vermelho) dentre 168 países analisados. Nosso IPC é igual a 38.

O IPC funciona assim: quanto mais perto de 100, mais honesto é o país; quanto mais perto de zero, menos honesto. A Dinamarca continua sendo (há décadas) o país mais honesto do planeta com índice 91. A Somália, também não arreda pé do desonroso título de país mais corrupto do mundo com índice 8.

O Uruguai (21º/IPC=74) e Chile (23º/IPC=70) são os países menos corruptos da América Latina. Estão no mesmo patamar, por exemplo, do Japão (18º/ IPC=75).
Mas, há indícios de mudança neste cenário vergonhoso.

 A Transparência Internacional acaba de escolher a Lava-Jato como a vencedora de seu Prêmio Anti-Corrupção 2016. O troféu está sendo concedido, hoje, 3 de dezembro, por ocasião da 17ª Conferência Internacional Anti-Corrupção, na cidade do Panamá.

Quanto a Odebrecht, a sociedade brasileira espera , sinceramente, que a empresa honre a afirmação que fez em seu pedido de desculpas.


“Foi um grande erro, uma violação dos nossos próprios princípios, uma agressão a valores consagrados de honestidade e ética. Não admitiremos que isso se repita. Estamos comprometidos, por convicção, a virar esta página”.

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