REFLEXÕES DE UM TURISTA BRASILEIRO NA EUROPA - PARTE 1.



Não sei se teremos sempre Paris ou Roma ou Madri. Estes ícones europeus foram de tal forma tomados de assalto por turistas que talvez, em um dia não muito distante, precisaremos de senhas numeradas para visitar uma dessas cidades.  

Alguns dos pontos mais procurados pelos incansáveis tiradores de selfies já fazem isso. Sem agendar sua visita você, simplesmente, é barrado no Vaticano, no Museu Villa Borghese de Roma, no Uffizi de Florença e até mesmo na Catedral da Sagrada Família em Barcelona. Nos locais onde ainda é possível tentar a sorte, esteja preparado para aguentar horas em filas intermináveis. Não estou falando da alta estação. Refiro-me ao outrora pacato mês de outubro.

O simpático casal de jovens advogados chineses estava na fila para a Basílica de San Marco em Veneza. Puxei conversa. Fiquei sabendo que eles são especializados no ramo de marcas e patentes. Ambos trabalham em Xangai. O inglês perfeito foi aprendido em Londres com direito a estágio em Hong Kong. Ambos bonitos, chiques, educados e bem informados. Perguntaram sobre os ganhos para o Brasil com as Olimpíadas e estavam (compreensivelmente) confusos sobre a avalanche de acontecimentos políticos no nosso período pós-impeachment.

Como até as pedras da Praça Celestial sabem, a China já eliminou, há muito, os mortos-vivos do comunismo de Mao e deleita-se nos prazeres do capitalismo desenfreado que pulsa à taxa de 7% ao ano. E dá-lhe chineses – os novos guerreiros de Xi’an invadindo perfilados e, claro, trajando Armani, quaisquer redutos minimamente conhecidos de Madri, Roma ou Barcelona.

Visitar a Capela Sistina e o Museu do Vaticano só se você dominar todas as técnicas de controle de ansiedade generalizada da Yoga. Se você tiver agarofobia, mesmo que em estágio inicial, nem pense. Encarei o desafio e fiquei preso em um mega engarrafamento de gente centenas de vezes maior que o Carnaval de Salvador. Foram quatro horas de indescritível tormento esgrimindo com os cotovelos para criar uma mínima área vital de sobrevivência. Não tive condições físicas nem psíquicas para o roteiro da Basílica de São Pedro.

Em boa hora, aceitei o convite de um anfitrião de restaurante para degustar a excelente Birra Moretti acompanhando uma magnífica Insalata Caprese com direito póstumo a uma Saltimbocca all’a Romana que ninguém é de ferro.

posts parecidos

Cultura

Conectividade de A-Z

O CANAL PARA FALAR DA CONEXÃO HUMANA.

Aqui você tem voz. Pode contribuir, sugerir, criticar, propor temas, discutir e ampliar o escopo do Blog. Nossa conexão poderá fazer a diferença.