DE MÉDICO E DE LOUCO...



Poder dispor de um bom médico é uma das grandes bênçãos da vida.
Bons médicos são (ou pelo menos deveriam ser) diligentes conhecedores da alma humana. Mas, para isso é preciso entender a medicina como algo muito além de um talão de cheques.

Meus 67 anos de idade me obrigam a recorrer a vários especialistas. Demorei a encontrar um cardiologista que me visse além de um gráfico de eletrocardiograma. Passei por vários, já que sou hipertenso severo. Um deles, mal me olhava no rosto e talvez pensasse que a telepatia fosse a melhor maneira de se comunicar comigo.

Hoje, tenho o privilégio de ser cuidado por uma cardiologista que além de sua indiscutível competência é um ser humano absolutamente fascinante e adorável. Durante minhas consultas, ao contrário do que reza a lenda médica, minha pressão cai para níveis de contemplação monástica.

Minha hepatologista, é a prova de que existem anjos que usam um guarda-pó branco. Seu semblante sempre inspira eterna confiança comunicada através de um olhar genuinamente atencioso. Apesar de ser reconhecida como uma referência na especialidade (com doutorado e pós-doutorado) lida com seus pacientes com a simplicidade somente disponível nos grandes corações.

Só por isso poderia me considerar um felizardo. Mas, tem mais: o meu geriatra. Sim, porque como todos sabem, envelhecer é o embate final entre a dignidade e a degenerescência. Vencerá quem, além do esforço próprio, contar com a cumplicidade de um profissional devotado.

Dr. Luiz Antônio Sá acaba de lançar um livro. Para mim, lê-lo foi uma experiência emocionante. Uma das principais características de um geriatra é sua disponibilidade para ouvir seus pacientes. É assim que os seres humanos criam vínculos duradouros (Não. Não é nas postagens do Facebook).

Todos, eu inclusive, costumamos preencher boa parte do tempo de consulta com fatos e histórias que certamente não seriam revelados a outros especialistas.

Dr. Luiz Antônio agora fez o contrário. Compartilhou conosco parte importante de sua vida. Uma vida repleta de desafios encarados e superados com o que há de melhor e mais heroico dentre os discípulos de Hipócrates.

Agradeço aos meus médicos e em especial ao Dr. Luiz Antônio, Dra. Regina Bigarelli (cardiologista), Dra. Maria Lúcia Pedroso (hepatologista) por serem verdadeiros seguidores de Lucas de Antióquia, que antes de ser um dos evangelistas foi médico de profissão. Lucas ficou ao lado de Paulo de Tarso até o seu martírio. 
É preciso ter um pouco de louco e muito de médico. E isso não é para qualquer um.

O livro do Dr. Luiz Antônio é “Desafios de um Médico no Interior”.


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