TUDO COMEÇA COM OS VEREADORES...



Na Roma antiga eles eram os “edis”, encarregados de zelar pelos prédios, obras e serviços públicos. Pertenciam ao segundo escalão da administração e também possuíam a responsabilidade pelo abastecimento de gêneros e água.

Hoje, são denominados “vereadores”: a porta de entrada para a carreira política. Poucos sabem o que eles fazem. Raríssimos já se dispuseram a cobrar deles uma atuação minimamente coerente com sua plataforma eleitoral.

Já escrevi aqui neste Blog, algumas vezes, tentando motivar meus leitores a “adotar um vereador”. A ideia era fazer com que os eleitores fiscalizassem os atos de seus representantes e exigissem as correções de rumo que julgassem necessárias. Não obtive êxito.

Os vereadores são responsáveis pela proposição, discussão e votação de leis que afetam diretamente a vida dos cidadãos que vivem em cada um dos 5.570 municípios brasileiros. São eles, também, os responsáveis pela fiscalização das ações do Prefeito cabendo-lhes monitorar todas as decisões da administração municipal no que tange ao uso do dinheiro público proveniente dos impostos. Não é pouca coisa.

Se os eleitores sequer se lembram em quem votaram para deputado ou senador, seria uma ficção mambembe querer que eles se recordem quem escolheram para ocupar a vereança de sua cidade.

E aí tudo começa a dar errado... Cidades como São Paulo, por exemplo, possuem um orçamento maior do que a maioria dos Estados da federação. Para se ter uma ideia do que isso representa, o orçamento fiscal para 2016 aprovado pela Câmara Municipal da Cidade de São Paulo é de 54,4 bilhões de Reais. O mesmo que o do Estado do Paraná (54,5 bilhões).

Os vereadores de São Paulo (assim como os de outros estados) custam ao erário uma verdadeira fortuna. 
Segundo http://www.camara.sp.gov.br/transparencia/custos-de-mandato/ o salário líquido de Antônio Donato Madorno (PT) é de R$ 11.042,37, mas o nobre vereador tem direito à verba para pagamento mensal de até 17 assistentes parlamentares (R$ 143.563,67) e ao auxílio para encargos gerais de gabinete (R$ 264.937,67 anuais). 

Não dá pra entender porque o chefe de gabinete de Madorno, o Sr. Rodrigo Juncal Rossler recebe remuneração líquida de R$ 17.972,22 e Cecília de Arruda, chefe de cerimonial, seja agraciada com incríveis R$ 19.151,17. Isso deveria fazer parte das preocupações dos cidadãos paulistanos.

Os vereadores de São Paulo não respeitam o artigo 19, inciso I da Constituição Federal de 1988 que diz: “É vedado ao Poder Público estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles, ou seus representantes, relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

De janeiro a julho deste ano, a Câmara de Vereadores de São Paulo foi transformada em palco de cultos religiosos por um tal de Grupo de Oração Ministério Ágape Reconciliação ligado à Igreja Bola de Neve (é isso mesmo que você leu).

Foram 24 atos religiosos (quase um por semana) nos quais vereadores ligados a essa seita, utilizaram nada menos que o Salão Plenário para a prática de manifestações de intolerância contra outras religiões ou minorias. Tudo sob os auspícios do vereador Jean Madeira (PRB) que também é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.

Você poderá conhecer a “produção” de Madeira em http://www.camara.sp.gov.br/vereador/jean-madeira/

Do mesmo modo, todos os Estados da federação possuem páginas na internet com dezenas de informações relevantes sobre seus vereadores. Da próxima vez, (em outubro deste ano) antes de votar em um vereador pesquise sobre ele.

A qualidade da gestão do país começa na sua cidade.

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