O PODER HIPNOTIZADOR DA ÓPERA.

Como já dizia Antônio Carlos Jobim (BRA/1927-1994), os desafinados também têm coração. Quando ele compôs a famosa melodia “Desafinado“ em conjunto com Newton Mendonça (BRA/1927-1960) ,eles, claro, pensaram no nível, digamos, normal de sair do tom original de uma música. 

Aprendemos depois que há diversas gradações para o massacre de uma linha melódica. Seguramente, o nível máximo do sacrilégio está nas mãos, ou melhor, nas cordas vocais de Florence Foster Jenkins (EUA /1868-1944).

Florence , como se sabe, às vezes sai do círculo astral dos desafinados congênitos, para incursões artísticas (sob permissão especial), para concertos nos círculos mais “quentes” já descritos por Dante Alighieri (ITA/1265-1321) em sua famosa obra. Quando isso acontece, os habitantes que se dispuserem a ouvi-la ganham um bom desconto no tamanho da pena.

Florence está nas telas do cinema. Dois filmes com abordagens distintas retratam a vida dessa rica estadunidense que, por amar a ópera, entrou de cabeça no obscuro mundo da negação expondo sem qualquer pudor suas severas limitações vocais.

A negação, amplamente discutida na psicanálise, é nossa velha conhecida. Dilma Vana, por exemplo, ao negar seus desvios de conduta de modo patológico, é a versão política de Florence Jenkins com o agravo da falta absoluta de humor e caráter.

A negação, como 90% dos brasileiros sabem, favorece o surgimento de amplo leque de reações. In extremis provoca o aparecimento de bonecos infláveis gigantes.

Os filmes sobre a história de Florence são “Marguerite”, produção franco-belgo-checa dirigido por Xavier Gianolli com Catherine Frot no papel de Marguerite Dumont e “Florence- Quem é essa mulher?” produção anglo-americana dirigido por Stephen Frears e com Meryl Streep no papel título.Ambos, imperdíveis.

Se você acha que já não há mais nada que possa surpreendê-lo vindo de Meryl Streep, melhor rever seus conceitos. A diva está estupenda. Como uma prima donna, aliás, deve ser.

Um aperitivo para você, caro leitor.




Não poderia deixar de apresentar em carne, osso e cordas vocais a verdadeira Florence Jenkins.




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