UM SOPRO DE ESPERANÇA.



Quem já sofreu algum tipo de discriminação (e existem vários) sabe do que estou falando.
A discriminação é um ato odioso. Ela cala fundo na alma e na mente de quem a sofre simplesmente por passar a mensagem tão cruel quanto equivocada de que alguém não merece pertencer ao gênero humano por sua “diferença”.

Em minha primeira viagem à Suécia, nos idos remotos dos anos oitenta, senti na pele a dor da discriminação por ser estrangeiro e moreno. Cada vez que entrava no luxuoso Sheraton de Gotemburgo precisava provar que estava hospedado lá. Era humilhante. Briguei com a maioria dos porteiros e recepcionistas e reportei o ocorrido à minha empresa. Recebi um pedido de desculpas, mas o desconforto da sensação jamais foi esquecido.

Sei exatamente o que deve sentir alguém que é discriminado pela cor de sua epiderme, sua orientação sexual, seu poder aquisitivo ou mesmo pela sua fé. Claro que a coisa não é tão simples assim. Existem formas dissimuladas de discriminação que talvez não sejam percebidas pela maioria das pessoas exceto por quem tem a infelicidade de ser o alvo desse sentimento irracional.

No dia 26 deste mês, o Papa Francisco ,no seu retorno da Armênia, respondendo a um jornalista disse com todas as letras:

“Os cristãos e a Igreja Católica devem pedir desculpas aos gays que tenha ofendido no passado e que não devem sofrer nenhum tipo de discriminação por parte da Igreja”.

Faz sentido. O criador do cristianismo acolhia a todos sem se preocupar com o tipo de vida que levavam ou a que extrato social pertenciam. Na verdade, o que o iluminado Francisco faz é, simplesmente, seguir ao pé da letra, a lei máxima que resume em uma só frase, todo o arrazoado da doutrina que defende “amai ao próximo como a ti mesmo”.

Não vi, nem na mídia, nem nas organizações que defendem o direito dos gays nenhum tipo de reverberação a este relevante fato histórico.

Hoje, está em todos os principais jornais do país: o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter declarou o fim da proibição para que transgêneros se incorporem às forças armadas.

“Estamos falando de americanos talentosos que estão servindo com distinção, que aspiram ter uma oportunidade de servir. Não podemos permitir a existência de barreiras, sem relação com a qualificação, que impeçam contratar e reter aqueles que melhor podem cumprir a missão.”

Carter disse o óbvio. O que deve importar ao exército (assim como a qualquer empresa ou organização) é a competência, a qualificação e o desempenho do cidadão ou cidadã e jamais sua orientação sexual. Simples assim.

Os preconceituosos de todas as cepas e intensidades provocam enorme dano ao gênero humano. Na escala máxima da insanidade estão os fanáticos radicais que exterminam com requintes de perversidade quem não compartilha com suas crenças e valores. Eles explodem aeroportos, decapitam prisioneiros, escravizam mulheres, estupram crianças, queimam afrodescendentes.

Por aqui, eles cospem em oponentes políticos, exaltam torturadores, roubam os aposentados, dilapidam o patrimônio público e admoestam juristas que defendem o afastamento de governantes inescrupulosos e infratores da Lei.

O Papa Francisco é um farol de luz a desbastar as trevas do preconceito. Ele foi mais longe.

“Acho que a Igreja Católica não deve pedir desculpas apenas aos gays, mas também aos pobres, às mulheres que foram exploradas, às crianças que sofreram trabalho forçado. Deve pedir desculpas também por ter abençoado tantas armas”.

Ainda há esperança para a humanidade.

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