WENDELL LIRA. O NOVO ÍDOLO DO BRASIL.

Nada contra o futebol. Nada contra jogadores que fazem sucesso e ganham milhões. O futebol é puro business (assim como o carnaval) e gera empregos e renda para milhares de pessoas. O problema é ancorar no futebol nosso desejo de reconhecimento mundial. Não funciona e jamais irá funcionar. Nem com ele nem com esporte algum.

Nações são respeitadas pela forma como constroem (e mantêm) uma sociedade justa, pujante, empreendedora e geradora de riquezas. Povos são respeitados pelo grau de bem-estar visível que suas instituições propiciam a seus cidadãos. Nações são invejadas pela força de sua inventividade e pela qualidade de sua produção cultural e científica. Fora disso é discurso mambembe de esquerdopatas congênitos e mistificadores de variadas cepas.

Wendell Lira é, agora, atacante do Vila Nova de Goiás campeão da Série C do Campeonato Brasileiro em 2015 e que, graças a isso, adquiriu o direito de disputar a Série B deste ano. A consagração de Wendell se deu através de um belo gol de meia-bicicleta em partida de seu time anterior, o Goianésia, contra o Atlético de Goiás em março de 2015. Por que todas essas explicações? É impossível avaliar fatos de que natureza forem sem a devida contextualização.

Wendell conseguiu seus 15 minutos de fama. Parabéns para ele. Agora, você caro leitor, certamente jamais ouviu falar de Suzana Herculano-Houzel.

Dra. Suzana é neurocientista carioca e diretora do Laboratório de Neuroanatomia Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi a primeira cientista brasileira convidada a proferir uma palestra na TED Global, o mais importante e renomado evento de compartilhamento de ideias revolucionárias no planeta.

 Dra. Suzana simplesmente criou um processo científico que permite comparar o número de neurônios nos cérebros de animais. Seu método, por ela mesma batizado de “sopa cerebral”, permitiu determinar com precisão o número de neurônios do cérebro humano. São 86 bilhões!

Wendell, em seu discurso como novo pop-star do esporte nacional, fala de sua origem humilde. O prefeito de Goanésia, Jalles Fontoura de Siqueira (PSDB) quer construir uma estátua em bronze eternizando o gol de Wendell. Wendell também vai virar selo dos Correios.

Enquanto isso, outro brasileiro realizou ,em 2015,  uma proeza inimaginável a qual só se pode creditar ao império de uma vontade férrea contra todas as adversidades. Seu nome: Elias Oliveira da Silva. Com apenas 19 anos de idade e um estoicismo de Prometeu, o jovem Elias, filho de uma costureira na cidade de São Fidélis-RJ, conseguiu ser aprovado para o curso de Engenharia Civil em nada menos que oito universidades (três estrangeiras e cinco brasileiras). Optou pela (ora vejam) Universidade de Coimbra em Portugal, uma das mais antigas e celebradas instituições da Europa.


Um país é feito de Wendells, Suzanas e Elias. O problema reside na forma assimétrica com que as realizações desses cidadãos são valoradas. Nas cabeças de alguns, decididamente, não se contam os 86 bilhões de neurônios... 

FELIZ 2016!

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