O QUE OS CLÁSSICOS NOS ENSINAM SOBRE A POLÍTICA.


Desde a última era glacial não víamos tanta histeria no país. Os crentes fundamentalistas tentaram demonizar a novela Babilônia por causa de um inocente beijo trocado por senhoras que vivem  uma relação estável desde o dilúvio. A manipulação corre solta por quem se arvora em ser a fonte de consulta definitiva sobre o bem e a moral. Se lessem além da bíblia conheceriam alguns personagens cujo caráter está no grau máximo da escala Richter da maldade. A lista é longa.

Os personagens de William Shakespeare (1564-1616) deixam a trama do noveleiro Gilberto Braga parecida com uma briga de vizinhos. O rei Hamlet-pai é assassinado pelo irmão Claudius que além do trono desejava a cunhada Gertrude transformada em viúva precoce. Hamlet-filho fala com o espectro do pai que lhe conta como tudo aconteceu. Na sua sede de vingança Hamlet mata por engano Polônio o pai de sua amada Ofélia que enlouquece e se suicida. Laertes, irmão de Ofélia, recebe de Claudius a incumbência de matar Hamlet . O estratagema é equipar Laertes com uma espada envenenada. Se por acaso Hamlet matar o oponente ,Claudius já terá pronto um plano B. Brindará à vitória de Hamlet fazendo-o beber de um cálice envenenado. Querem saber quem morre? Gertrude, a rainha prevaricadora e mãe de Hamlet. Ela, sem saber, bebe do cálice que era destinado ao filho.

Hamlet é ferido pelo artefato envenenado, mas há uma troca de espadas e Laertes também é golpeado com o veneno.  Percebendo o efeito da peçonha, Hamlet descobre a armação do tio e o obriga a beber do cálice mortal. Não sobra ninguém no reino da Dinamarca.

Mas, é na política nacional que os personagens transcendem a elegância sinistra de Shakespeare para se chafurdar no enredo-bufão-escola-de-samba-de várzea.

Sibá, o líder petista da Câmara com seus delírios patéticos envergonha toda a estirpe de  bobos da corte de Rigolleto a Fígaro. Não. Sibá não possui sequer a estatura de um Fígaro. Quem sabe pode se comparar ao Coyote trapalhão do “Papaléguas”. Talvez nem isso.

Renan é uma cópia mazzarópica do recorrente personagem de Shakespeare, Sir John Falstaff, que agrega os mais reprováveis comportamentos que vão da vaidade à falta de escrúpulos. Alguém em sã consciência acredita mesmo na faceta progressista e protetora da classe trabalhadora do implantado marajá das Alagoas?  

Eduardo Cunha pertence a outro diapasão. Poderia encarnar com perfeição o papel do barão Vitellio Scarpia ,o insidioso chefe de polícia da ópera Tosca de Giacomo Puccini. A Câmara dos Deputados é o Castelo de Sant’ Angelo reacionário. Sua agenda exterior é  a manutenção da moral e dos bons costumes enquanto, claro, por trás dos panos tenta seduzir e chantagear a frágil e sonhadora Tosca com promessas que não vai cumprir.

E Dilma? Uma Lady Macbeth tupiniquim que está disposta a qualquer coisa para conquistar o poder? Melhor talvez caracterizá-la em seu melhor momento como a irascível Rainha de Copas de Alice. Louca pra cortar a cabeça de quem se atreve a cruzar seu caminho. Agora, mais parece encarnar o fantasma de Hamlet-pai a vagar pelo planalto central enquanto a multidão furiosa bate panelas pelo país afora...

Nem o mais delirante libretista seria capaz de criar esta ópera bufa encenada abaixo da linha do Equador...

posts parecidos

Política

Conectividade de A-Z

O CANAL PARA FALAR DA CONEXÃO HUMANA.

Aqui você tem voz. Pode contribuir, sugerir, criticar, propor temas, discutir e ampliar o escopo do Blog. Nossa conexão poderá fazer a diferença.