NEM ANJOS NEM DEMÔNIOS.


Políticos como sabemos, a maioria não possui princípios. Se os possuem, na primeira dificuldade encontrada, se assim preciso for, os jogam na caçamba de dejetos para manter-se no poder. Poder é realmente o nome do jogo. O resto é “marolinha” como diria aquele cuja conhecida ética gelatinosa tem elevado a falta de princípios a um novo e perigoso patamar.

Exemplos é o que não falta desde o descobrimento da Terra de Santa Cruz. Para acabar com a lambança das Capitanias Hereditárias, Dom João III (1502-1557), rei de Portugal, decidiu estabelecer um Governo Geral no Brasil nos idos de 1549 como forma de unificar o poder na colônia e por termo ao descalabro administrativo de gente sem escrúpulos movida apenas pela ganância e oportunismo. Pra você ver, caro leitor, que a história se repete e as versões farsescas dessa comédia política sempre conseguem ser piores.

Raríssimos políticos se pautam por princípios e valores. Getúlio Vargas (1882-1954), um dos mais transformadores presidentes de todos os tempos (modernizou a administração, reformou o ensino, instituiu o voto feminino, a Justiça Eleitoral, criou uma legislação trabalhista, fundou a Petrobrás...), simpatizava com o fascismo do ditador italiano Benito Mussolini (1883-1945), mas não titubeou em tentar cooptar o comunista foragido na Argentina Luís Carlos Prestes (1898-1990) após ter sido banido do país. Ocorre que Getúlio estava mais interessado em fazer decolar sua Aliança Liberal e se tornar presidente do que perder tempo ora veja, com...princípios. Para isso se aliaria ao demônio se necessário fosse.

Prestes, por sua vez, em um de seus encontros com Getúlio dissera             “ Jamais apoiarei sua candidatura . Não acredito que o senhor, um político do Partido Republicano Rio-Grandense, reacionário, latifundiário, queira fazer um governo em benefício do povo.”

Ao final, o comunista Prestes sai de braços dados com o fascista Vargas achando que esta aliança o ajudaria a implantar sua tão sonhada “revolução popular”.  Se fosse em dias atuais a frase perfeita para caracterizar este texto de chanchada política seria “me engana que eu gosto”.

Isso sem contar que o gaúcho de São Leopoldo Lindolfo Collor (1890-1942) avô do carioca Fernando Collor e inimigo de Getúlio pudesse a ele se aliar. Assim é a política!

O partido de Lula e Dilma se alia a Sarney, Jader Barbalho, Fernando Collor, Renan Calheiros, Paulo Maluf elementos em tudo antípodas ao ideário petista.  Luíza Erundina, por esse motivo, teve a coragem de desfiliar-se do PT em 2007 e abandonou a possibilidade de ser a vice-prefeita na chapa de Fernando Haddad em 2012, após ver a indecorosa foto do Lula beijando a mão de Maluf que passara, com seu partido o PP   ( um dos beneficiários do Petrolão) a apoiar a  candidatura do ex-ministro da Educação de Lula/Dilma. Goste-se ou não da Erundina, ela pelo menos demonstra ter vergonha na cara  (a prima-irmã do princípio).

Dilma Rousseff (PT) Aécio Neves (PSDB), Marina Silva (PSB) , Luciana Genro (PSOL), Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV), Levy Fidelix (PRTB) e tantos outros que escolheram a vereda política não são anjos nem demônios. Assim como a maioria dos políticos da história da humanidade em todas as épocas, são frágeis consciências sujeitas a vergar sob a ação dos ventos do destino.

A única forma conhecida e eficaz de fazê-los respeitar os estreitos limites  da lei e da ética é mantê-los, sem trégua, sob férreo controle.  Para isso é imprescindível o concurso de instituições sólidas, democráticas e apartidárias, imprensa livre e, antes de tudo, o monitoramento constante da sociedade representada por cada eleitor. Não há outra saída.

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