A DIVISÃO DO PAÍS E OS ANALFABETOS POLÍTICOS



Os “divisionistas”, aqueles celerados que querem separar o Brasil  a partir dos votos da última eleição poderiam ser mais criativos e inovar em seu demente apartheid caboclo. A seguir propomos formas mais criativas de se dividir o país:
1.     Ateus  x  Crentes
2.     Amantes de Música Sertaneja x Amantes de MPB
3.     Obesos x Bombados de Academia
4.     Carecas/Implantados x Cabeludos de Nascença
5.    Corinthianos x São Paulinos
6.     Flamenguistas x Vascaínos
7.     Fashionistas x Bregas
8.     Fãs da Ivete Sangalo x Fãs da Cláudia Leite
9.     Amantes de Pagode x Amantes de Bossa Nova
10.  Fanáticos por Novelas x Fanáticos por Cult Movies
Claro que isso é uma piada de gosto duvidoso. Só mesmo encarando esses debilóides com humor para afastarmos  o desejo impulsivo de afogá-los em óleo fervente.
A teoria mambembe da divisão do país a partir dos votantes em Dilma e Aécio já seria ridícula se não fosse de uma total obtusidade intelectual.
Uma análise superficial apenas cruzando os percentuais de votos destinados a cada um dos candidatos com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)  dos vários municípios brasileiros nos mostra o tamanho do equívoco (para seu entendimento, quanto mais próximo de 1, mais elevado é o IDH).
No município de Rio Grande - RS ( IDH 0,744)  65,52% votaram em Dilma; 34% no Aécio enquanto que em Medicilândia-PA (IDH 0,582) Dilma só levou 34,97% dos votos ao passo que Aécio ficou com polpudos 65,03%.  O rico município gaúcho prefere o PT enquanto a exótica Medicilândia- assim chamada em homenagem ao General Médici do tempo da ditadura militar- está fechada com o PSDB.
Em Adrianóplis-PR (IDH 0,667) Dilma foi brindada com 63,77% dos votos. Aécio ficou com parcos 36,23%. Mais do que em Surubim-PE (IDH 0,635) onde Dilma abiscoitou 61,07% e Aécio 38,93%. As duas cidades possuem IDH semelhantes, mas na sulista  Dilma extrapolou.
Se dependesse de Campina Grande-PB (IDH 0,720) Aécio seria eleito com 58,02 % dos votos. Dilma perderia feio com 41,98%. Se o parâmetro eleitoral fosse o de Iporanga-SP (IDH 0,703) Dilma seria eleita com impressionantes 64,93%. A Aécio caberia tão somente 35,07% dos sufrágios. 
A lista de municípios das regiões Sul e Sudeste que preferiram Dilma em lugar de Aécio é extensa. São localidades de todos os tamanhos e IDH em torno de 0,70 ( considerado médio-alto) o que põe por terra a ideia de que só áreas carentes e de baixa escolaridade votam no PT.
Município/Estado
IDH
Dilma
Aécio
Alegrete/RS
0,740
53,43
46,66
São Miguel das Missões/RS
0,667
61,81
38,19
Herval/RS
0,687
68,62
31,38
Anita Garibaldi/SC
0,688
56,75
43,25
Passos Maia/SC
0,659
57,18
42,82
Bocaina do Sul/SC
0,647
52,26
47,74
Rio Branco do Sul/PR
0,679
54,52
45,48
General Carneiro/PR
0,652
61,83
38,17
Ortigueira/PR
0,609
61,39
38,61
Euclides da Cunha Paulista/SP
0,704
65,53
34,47
Barra do Chapéu/SP
0,660
65,49
34,51
Eldorado/SP
0,691
54,49
45,93
Ouro Preto/MG
0,741
60,62
39,38
Juiz de Fora/MG
0,778
63,34
36,66
Mariana/MG
0,742
69,09
30,98
Duque de Caxias/RJ
0,711
69,06
30,94
Magé/RJ
0,709
65,6
34,4
Itaboraí/RJ
0,693
72,61
27,39
Serra/ES
0,739
55,36
49,64
São Mateus/ES
0,735
60,66
39,34

Por outro lado, há municípios do Norte/Nordeste com IDHs que variam de médio-alto a baixo que preferiram indiscriminadamente tanto Aécio quanto Dilma.
Município/Estado
IDH
Dilma
Aécio
Luiz Eduardo Magalhães/BA
0,716(médio-alto)
45,32
54,68
Barreiras/BA
0,721 (médio-alto)
68,66
31,34
Conceição do Araguaia/PA
0,640 (médio)
47,26
52,74
Jacareacanga/PA
0,505 (baixo)
37,95
62,05
Anajás/PA
0,484 (baixo)
48,59
51,41
Porto Calvo/AL
0,586 (baixo)
29,31
70,69
São Miguel dos Campos/AL
0,623 (médio)
37,41
62,59
Porto das Pedras/AL
0,541(baixo)
43,29
56,71
Taquaretinga do Norte/PE
0,641 (médio)
48,48
51,52
Pombal/PB
0,634 (médio)
52,24
47,76
A estrela do PSDB foi a pequena Buerarema na Bahia aonde Aécio chegou a inacreditáveis 69%. A lógica é cristalina: os cidadãos bueraremenses repelem o PT por causa dos conflitos indígenas na região, segundo eles, patrocinados pelo partido dos mensaleiros.
A explicação para a escolha de uma ou outra proposta político-partidária é uma só: a identificação por parte do eleitor de vantagens econômicas e/ou sociais para sua vida. Isso pode ocorrer em qualquer ponto do país sob quaisquer condições de IDH. Ponto final.
 
"O problema com o mundo é que os estúpidos são excessivamente confiantes e os inteligentes são cheios de dúvidas"
Bertrand Russell (1872-1970)
 

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