QUADRINHAS PRÉ-ELEITORAIS.


O homem desde sempre exercitou sua veia irônica. Com um pouco de imaginação podemos imaginar o homem das cavernas  fazendo troça do amigo que fora malsucedido na caçada do dia. Foram os trovadores os criadores das primeiras manifestações poéticas da língua portuguesa no longínquo ano de 1189.  Os estudiosos divergem quanto ao autor da primeira trova, mas uma delas, sem dúvida, deve-se ao gajo  Paio Soares de Taveirós  com sua “Cantiga da Ribeirinha” assim batizada por ter sido dedicada à Maria Pais Ribeira  (uma das amantes de Dom Sancho I - rei de Portugal entre 1185 e 1211).

No mundo non me sei parelha,
mentre me for' como me vai,
ca ja moiro por vós - e ai!
mia senhor branca e vermelha,
Queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia!
Mao dia me levantei,
que vos enton non vi fea!

O trovadorismo perdurou até o começo do século 15 e não se fazia de rogado na função de crítico da sociedade e seus costumes. O gênero (basicamente poesia cantada) era dividido em “Cantigas de Maldizer” afiadas na arte de achincalhar com os desafetos sempre citados nominalmente; “Cantigas de Escárnio” na qual a vítima não tinha sua identidade revelada e por fim, as “Cantigas de Amor”, manifestações apaixonadas sobre os males do coração.
É bom que se diga que este gênero era popular em toda a Europa medieval da Islândia com os eddas (tradição oral escandinava de difusão mitológica) à Provença (Sul da França). Aliás, trovador é uma palavra da língua d’oc originária do verbo trobar que quer dizer inventar.
No Brasil, trovadores (origem nobre) e jograis (origem popular) foram trazidos pela tradição oral portuguesa que por aqui encontraram terreno dos mais férteis.
Pulemos para os dias atuais. As trovas eram uma forma bem-humorada utilizada pelos alunos da prestigiada Faculdade de Direito do Largo São Francisco em São Paulo para documentar os acontecimentos e humores da sociedade.
O homem é mesmo o diabo
Não há mulher que o negue
Mas todas elas procuram
Um diabo que as carregue.
As estrofes eram geralmente compostas por quatro versos o que caracterizava as “quadrinhas” – trovas simples e populares sem preocupação erudita, muitas vezes contendo rimas forçadas ou incorreções gramaticais.
Claro que uma das vertentes desse gênero não poderia deixar de ser a crítica política: esta, um prato cheio para as mais apimentadas composições.
Ficaram famosas as quadrinhas de autoria do médico paulistano Marcelo Toledo que escolheu este formato para pleitear uma indenização da prefeitura gerida por Jânio Quadros após ter seu carro destruído por uma árvore nas ruas da cidade de São Paulo.
Minha história de Natal
a começar do princípio
vem dum fato trivial:
uma árvore que morreu
nas ruas da capital


Só que o carro era o meu
o que se vê no postal.
Foi isso que aconteceu
na véspera do meu Natal.


Não ventava, nem chovia
era um dia bem normal
e meu carro, junto à guia
parado, em lugar legal.


Quem vive da Medicina
não pode – como direi? -
se uma árvore cai em cima
substituir um Del Rey.


Como devo proceder
para ser indenizado?
Ou o destino assim quis,
sou eu que sou azarado?


Sou homem de estimação
educado com ternura
não quero mover ação,
importunar Prefeitura!


Espero que sua resposta
influa na vida minha.
Ou a vida é sem resposta,
e sem rumo é que caminha?


Eis a resposta de Jânio:

O bom médico Toledo
pediu indenização
e requereu-a sem medo
de receber o meu “não”.


A árvore caiu por cima
do carro de estimação
e ele menciona a sina
que parece maldição.


O vegetal era nosso
como  prova a petição;
devo pagar, e eu posso,
a pobre indenização.


O remédio, pois, eu acho
é saldar o prejuízo;
assim decido e despacho
ao Manhães que tem juízo.


Nesta época pré-eleitoral nossa proposta é resgatar as quadras para expressar nosso sentimento cívico-político.

O poeta Pedro Martins nos brinda com estas:

Em ano de eleição
É sempre um Deus nos acuda
Candidato que ri à toa
Eleitor que pede ajuda 

O candidato promete
O eleitor acredita
É um enganando o outro
Numa barganha maldita 

Quem não gosta de política
Vive fazendo crítica
Não faz o que deveria
Escolher com correção
Fiscalizar depois da eleição
Exercendo a cidadania 

Por isso é muito importante
Antes de votar pensar bastante
Pra não errar de novo
Quando se diz que ninguém presta
É mentira. Há gente honesta.
Que quer trabalhar pro povo. 

Este Blog está promovendo um concurso de quadrinhas políticas. Você caro leitor, terá toda a liberdade de aqui expressar seus sentimentos cívicos em relação ao momento político de nosso país. 

Tomo a iniciativa de aquecer seus motores com estas “Cantigas de Maldizer” na melhor tradição medieval que é onde estamos em termos políticos: 

Fora Dilma
Cadê sua gestão
O povo não aguenta
Tanta corrupção 

Fora Dilma
Lula e o PT
Caímos no abismo
Só você é que não vê 

Fora Dilma
Seu tempo terminou
Estamos no buraco
Foi você que nos botou 

Ouça Lula
Não somos bobos não
O povo todo sabe
Quem é o pai do mensalão
 

Progresso
PT nos prometeu
E no final das contas
O povo se  **deu!

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