O QUE A SERRA DO CAFEZAL DIZ SOBRE NÓS.


 
Algumas coisas são difíceis de mudar. Outras, só mudam com muito esforço e determinação. Há aquelas que nunca mudarão. Fazem parte da natureza intrínseca das coisas como o escorpião da fábula. Por mais que se aposte nelas não adianta! É como o Adriano. Apesar de todas as chances que lhe foram dadas ele não é capaz de cumprir um simples compromisso de reapresentação ao clube que, pacientemente, o está brindando com uma nova chance. Ao invés disso, irresponsavelmente, faz um selfie (posta uma foto de si próprio) em uma churrascaria do Rio. Saiu hoje nas redes sociais... Pobre Atlético Paranaense. Não consegue terminar a arena para a Copa e ainda investe no Adriano.

Havia mais de 10 anos que eu não fazia de carro o percurso entre Curitiba e São Paulo pela Régis Bittencourt que como todos sabem trata-se de uma rodovia tão estratégica (única ligação direta entre São Paulo e o Sul ) quanto perigosa (5212 acidentes em 2013 com 155 mortos). Os 14 acidentes por dia concedem à Régis a sinistra alcunha de “Rodovia da Morte”.

O inferno da Régis está na Serra do Cafezal entre os municípios de Juquitiba e Miracatu, próximo a São Paulo. É um trecho de apenas 21 km que falta ser duplicado. O IBAMA levou duas décadas para liberar a obra. Agora, pela enésima vez, os martirizados usuários da rodovia recebem um novo prazo de conclusão dos trabalhos: algum mês de 2017!

Não existe no mundo civilizado nada que se compare à incompetência brasileira em gestão pública. Em menos de dois anos o Japão consertou todos os estragos do tsunami que destruiu Fukushima (os serviços públicos essenciais foram reestabelecidos quase que de imediato). Toda a infraestrutura rodoviária e ferroviária foi colocada em estado de nova. 90% dos hospitais afetados (165 unidades) retomaram suas atividades e 80% das escolas idem. Tudo isso em menos de dois anos!

 A China construiu sua  ferrovia  de 2.300 km para trem-bala ligando Pequim e Guangzhou em cinco anos. Após uma década de trabalho a China conseguiu tirar da estaca zero uma rede ferroviária de oito mil km. Hoje, o país possui a maior malha do planeta e esse número deve dobrar em 2020.

A Índia inaugurou o moderníssimo aeroporto internacional Indira Ghandi em Nova Délhi (capacidade de 40 milhões de passageiros por ano) em exatos três anos. Em Dubai, o maior terminal aéreo do mundo com capacidade de 43 milhões de passageiros ao ano foi erguido em 4 anos ao custo de USD 4,5 bilhões ( o terminal 3 de Guarulhos terá uma capacidade de 12 milhões de passageiros ao ano e custará cerca de 1 bilhão de dólares). Não se sabe se estará pronto para a Copa.

A incompetência não é algo aferrado à índole do brasileiro. Temos inúmeros exemplos de empresas de categoria mundial que conseguem ser competitivas apesar de todos os esforços em contrário habilmente engendrados pelo governo.

A questão é o modelo de gestão pública do país. Não funciona. Premia a incompetência. É corrupto. É vergonhoso. Em suma: um completo desastre. Há séculos, nossos governantes insistem na nefasta estratégia de colocar à frente de ministérios e órgãos públicos gente com um currículo que seria rejeitado até para uma vaga de guarda-noturno.

Chegamos a 2014 com o surrealismo absoluto de 40 ministérios capitaneados por uma gangue de parasitas cuja especialidade é debochar do cidadão que trabalha honestamente no país (a maioria da população) através de  práticas asquerosas e seu total descompromisso com  a ética e uma gestão minimamente profissional.

Se a sociedade não enfrentar corajosamente esses comportamentos históricos que nos envergonham e nos colocam na periferia das nações nosso destino será virarmos uma gigantesca Serra do Cafezal.

Grande abraço!

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