REMINISCÊNCIAS DO CINE RÍVOLI.


Em 1976, cinema não era em shopping. Em Curitiba todos ficavam em um raio de 200 m da Avenida Luiz Xavier (a menor avenida do mundo de uma quadra só). No Cine Rívoli situado ao lado do Museu de Arte Contemporânea só passava filmes cult. Ir ao cinema sempre foi um programa emocionante. Ver “Carrie, a estranha” na sua versão original dirigida por Brian de Palma e interpretada pela estupenda Sissi Spacek então era emoção ao cubo.

A história, baseada no livro homônimo de Stephen King, é universal e atemporal. Trata da rejeição de uma adolescente (des)educada dentro dos rigores fundamentalistas de uma mãe  psicótica  (Margaret ) para quem, fora de sua religião, todos são pecadores fadados à danação eterna. Pra você ver como pouca coisa mudou desde então...

Na época, a perseguição sádica a um ser humano, ainda não se chamava “bullying” e a pobre Carrie foi a vítima, em sua expressão mais repulsiva, da sanha de seus colegas de colégio que a ela se lançavam como piranhas em sangue fresco. Quem viu, certamente não se esquece da cena antológica da protagonista estupefata e desorientada ao constatar sua primeira menstruação. Claro, que jamais ouvira uma palavra da mãe sobre este fato normal da vida das mulheres por se tratar do “prelúdio de práticas imundas e obscenas”.

O filme é um dos melhores de todos os tempos no gênero terror-psicológico. Pra você ter uma ideia, basta dizer que o incensado diretor Quentin Tarantino o considera o número 8 de sua lista de favoritos.

Ainda não vi o remake de 2013 mas já sei que foi devidamente atualizado com todos os adereços culturais desses tempos de ubiquidade digital (agora, a menstruação de Carrie é capturada  pelos celulares das colegas e postado nas redes sociais).

A vingança de Carrie não deixará pedra sobre pedra. Seu ódio eclode sem controle como um Krakatoa visceral agindo telecineticamente sobre tudo o que estiver ao seu alcance.

Pois bem. Não dá pra utilizar as mesmas fórmulas batidas de lançamento de películas do século passado. O “Carrie 2013” foi lançado em um dos cafés mais descolados de Nova Iorque o S’Nice Café através de uma mega montagem realista produzida pela empresa de marketing Thinkmodo com o objetivo de introduzir  os clientes ao universo de Carrie e claro, gerar um evento viral no YouTube tão sem controle quanto a personagem principal.

Vejam vocês o vídeo da montagem que desde outubro deste ano já foi visto por milhões de pessoas.

 

 

E o cine Rívoli? Bem... sua trajetória tem sido a mesma de todos os cinemas antigos do país. Para sua inauguração a elite curitibana vestiu-se de gala para ver Sarita Montiel em “Meu último Tango” , filme mexicano dirigido por Luis Amadori. Em 1982, o Rívoli fechou as portas após sua última projeção: a pornoprodução italiana “A Rainha do Sadismo” dirigida por Elias Milonaco. E assim caminha a humanidade...

 
Ótima semana a todos.

Veja também esta outra produção feita no Kreuzberg Café na cidade estadunidense de San Luis Obispo. O objetivo era pura gozação...

 


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