ESTACIONADOS NA LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO.


Um século é muito pouco em relação à história da humanidade. Nossa república, proclamada em 1889, nos mostra que caminhamos apenas 124 anos desde então. No Brasil da época, 85% da população eram analfabetos. Se considerássemos apenas a população de ex-escravos, este número subia para inacreditáveis 99%. Em todo o país, que contava com 14 milhões de habitantes, apenas 8 mil cidadãos possuíam algum tipo de curso superior.

Nossa economia dependia quase que exclusivamente da produção agrícola enquanto que nos Estados Unidos a industrialização corria à solta. Lá, o país já contava com cerca de 350 mil fábricas e no Brasil, este número não passava de 200.

Nossa infraestrutura de transporte já era precária desde sempre. A única  ferrovia existente ligava o Rio de Janeiro a Petrópolis (construída para o lazer da família real) enquanto acima do Equador os estadunidenses já cruzavam o país do Atlântico ao Pacífico (caminho aberto para a integração econômica e escoamento das riquezas produzidas).

Fomos o maior escravagista do ocidente durante mais de três séculos e o último das Américas a livrar-se dessa chaga pustulenta, uma vergonha nacional execrada pelos países civilizados. Éramos colocados ao mesmo nível ético de nações que toleravam a pirataria.

Sem mão de obra escrava após a abolição, o Brasil foi obrigado a abrir suas portas à imigração através de uma política desastrosa que proibia os imigrantes de adquirir terra até três anos após sua chegada. Nos EUA, o Homestead Act  autorizava a doação de terras a todos os que se dispusessem a trabalhar. Resultado: a nova nação norte-americana atraíra no final do século 19, cinco milhões de imigrantes. O Brasil 50 mil.

O voto não era permitido aos analfabetos, às mulheres e àqueles que não possuíssem uma “renda mínima” (alta o suficiente para alijar do processo a maioria da população trabalhadora). Nos Estados Unidos, o primeiro estado a conceder o voto às mulheres, o Wyoming o fez em 1869. Só em 1933 as nossas cidadãs puderam votar ainda com muitas restrições.

Cada povo é o resultado de suas escolhas. Só estudando nossa história é que dá pra ter uma ideia do porque de nossas mazelas. A corrupção tão odiada de hoje tem sua origem nos privilégios históricos de poucos escorados na manutenção da ignorância de muitos. Sem uma sociedade participativa e vigilante e, claro, leis severas aplicadas indiscriminadamente a corruptos e corruptores não importando seu status social não é possível o combate eficaz a esta praga.

Foi preciso muita, mas muita água mesmo rolando pelos canais de nossa história para que ,somente neste ano de 2013, pudéssemos colocar na cadeia representantes da elite política e econômica após o mais longo processo penal da República: o vergonhoso mensalão. E vejam vocês as reações dos condenados alheios às mudanças éticas da sociedade que começa a dar provas de que não mais tolera práticas lesivas ao bolso e ao caráter  da  Nação.

Isso é só o começo. Estamos muito longes dos padrões internacionais de correção cívica. Dentre as 177 nações avaliadas pela Transparência Internacional (organismo não governamental com sede em Berlim-Alemanha) em 2013, o Brasil aparece na posição 72 com  CPI (Corruption Perception Index - Índice de Percepção da Corrupção) igual a 42 (quanto mais próximo de 100, menos corrupto é o país; quanto mais próximo de 1, mais corrupto). Retrocedemos três posições desde a última divulgação de 2012.

Este Blog fará para você, caro leitor, um sumário dos resultados.

A. QUEM SÃO OS PAÍSES MENOS CORRUPTOS DO PLANETA?

Posição
País
CPI
   Dinamarca
91
   Nova Zelândia
91
   Finlândia
89
   Suécia
89
   Noruega
86
   Cingapura
86
   Suíça
85
   Holanda
83
   Austrália
81
   Canadá
81

 A. QUEM SÃO OS PAÍSES MAIS CORRUPTOS DO PLANETA?

Posição
País
CPI
168º
 Síria
17
168º
Turcomenistão
17
168º
Uzbequistão
17
171º
Iraque
16
172º
Líbia
15
173º
Sudão do Sul
14
174º
Sudão
11
175º
Afeganistão
8
175º
Coreia do Norte
8
175º
Somália
8

  Os Estados Unidos estão na 19ª posição juntos com o Uruguai (CPI=73). O pequeno Uruguai é o gigante da ética latino-americana situado na melhor posição dentre todos.
O Chile está empatado com a França na 22ª posição (CPI=71). Portugal já deixou para trás as práticas nocivas da época do Império. Está na 33ª posição (CPI=62) muito à frente de seu rival histórico, a Espanha  (40ª/CPI=59).
A Coreia do Sul, democrática, bem educada e com elevado índice de desenvolvimento humano, está no pelotão de frente na posição 46 (CPI=55). Dá pra perceber o contraste brutal com sua desditosa irmã do norte.
Dentre os países que compõem o BRIC, somos os menos corruptos. A poderosa China amarga a 80ª Posição (CPI=40); Índia 94ª/CPI=36 e a Rússia do déspota Putin ocupa o vergonhoso 127º lugar com CPI=28.  

Se nos serve de consolo, a Argentina de Cristina Kirchner, algoz da imprensa livre e usuária frequente de práticas antiéticas, está situada em uma posição bem pior que a nossa: na posição 106 da escala da corrupção (CPI=34) fazendo companhia ao México chagueado pelo narcotráfico.
O Irã dos aiatolás atômicos e a Ucrânia que se encontra submersa em protestos por mais transparência e menos vassalagem à Moscou estão igualados na 144ª posição.
No quadrante inferior, quase no fundo do poço, a Venezuela , o mais corrupto país da América do Sul ,fincada bolivarianamente na 160ª posição (CPI=20).
Os elementos nutricionais da corrupção são por demais conhecidos: primeiro é preciso a falta de liberdade política (ditaduras e seus assemelhados são o fermento ideal), segundo, manter a população alijada do processo educacional , terceiro, a perseguição e, melhor ainda, a extinção da imprensa independente, quarto, a inexistência de instituições (corruptos odeiam a Justiça e qualquer tipo de controle) e por último, quase como consequência de tudo isso, uma sociedade apática e tolerante com essas práticas abjetas.
Essa receita é utilizada em diferentes composições por todos os países que fazem da corrupção seu modo de vida. De Putin à Cristina Kirchner. De Hassan Rohani a Nicolás Maduro. De Kin Jong-un a Hassan Sheikh Mohamud , o presidente do infeliz campeão da corrupção - a Somália.
Mensaleiros são delinquentes comuns condenados por corrupção e formação de quadrilha. O país não pode mais ficar aprisionado na posição 72 dentre as 177 nações avaliadas em relação às práticas ultrajantes dos crimes de natureza ética. Para mudar esta história é preciso mudar os valores da sociedade ou seja: os valores dos seus cidadãos. Eu, você e todas as torcidas organizadas ou não. 

Bom fim de semana!

posts parecidos

Política

Conectividade de A-Z

O CANAL PARA FALAR DA CONEXÃO HUMANA.

Aqui você tem voz. Pode contribuir, sugerir, criticar, propor temas, discutir e ampliar o escopo do Blog. Nossa conexão poderá fazer a diferença.