O QUE FAZ UMA NAÇÃO SER RESPEITADA?


O Egito de Ramsés II que reinou entre 1279 a.C e 1213 a.C  era invejado pelas nações vizinhas. Seu governo, seguramente o mais dinâmico e bem-sucedido de toda a dinastia trouxe o país a um novo nível econômico, militar e cultural. Dos onze Ramsés, somente ele passou à história como “O Grande”.

Outro “Grande”, como você já sabe, foi Alexandre da Macedônia. Desde a adolescência já desenvolvera uma sólida competência em gestão e era o braço direito do pai o imperador Felipe II. Quando assumiu o trono conquistou a Pérsia, transferiu a corte para a Babilônia, anexou a Síria e a Fenícia. Dominou o Egito sendo inteligente o bastante para manter sua cultura e religião. Foi ele quem fundou Alexandria cidade que passou à história como detentora de uma das 7 maravilhas do mundo antigo: o seu farol.

A Grécia de Péricles (495-429 a.C) no seu período áureo elevou as artes, a literatura, a política (com a democracia) e a arquitetura a um novo grau de excelência. Tem algo mais elegante que colunas gregas? Em todas as grandes metrópoles você encontrará prédios públicos com réplicas delas. E claro. O legado grego ao mundo ocidental não deixa dúvidas sobre o supremacia intelectual desse povo.

Certas nações são respeitadas pelo seu desenvolvimento cultural. Algumas são mais temidas do que respeitadas pelo seu poder militar. Outras pelo seu poder econômico. Umas poucas por seus valores morais e sociais que denotam um alto nível civilizatório.

Em que somos nós, como nação, respeitados no planeta?

Ser a sétima economia do planeta, por si só, não nos coloca no patamar das nações mais respeitadas. É preciso muito mais do que isso.

No ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ocupamos a vexatória 85ª posição dentre 185 nações. Mais informações em http://www.un.cv/files/HDR2013%20Report%20Portuguese.pdf 

Nenhuma universidade brasileira pode ser encontrada dentre as 200 melhores do mundo. Nossa USP que ocupava no ranking anterior a 158ª posição caiu para a 225ª. No PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) o Brasil está na posição 53 dentre 65 nações pesquisadas. A China é a número 1. Dados complementares em http://www.oecd.org/pisa/

Na classificação feita pela Transparência Internacional em relação à corrupção, somos o número 69 dentre 176 nações pesquisadas (quanto mais perto da posição 1 menos corrupto é o país). O país menos corrupto do mundo é a Dinamarca. Amplie suas informações em http://www.transparency.org/country#BRA_DataResearch

Em termos de competitividade (relatório de 2013 do Fórum Econômico Mundial) estamos literalmente atolados na 56ª posição dentre os 148 países investigados. O motivo você já sabe: infraestrutura medieval, incompetência administrativa, deterioração macroeconômica, incerteza regulatória, tarifas internacionais não competitivas e burocracia endêmica. A Suíça é a economia mais competitiva do globo. O único ponto positivo do relatório em relação ao Brasil é “Tamanho do Mercado”. E só.

Nós brasileiros, nos orgulhamos de nossa capacidade inventiva e de nossa proverbial criatividade. Tudo isso não encontra respaldo no mundo real.

Dentre 142 países analisados pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual através de estudos da Universidade de Cornell-EUA e INSEAD-França, estamos ainda piores do que éramos em 2011. Somos o número 64 no Índice Global de Inovação.

Hoje, há índices e classificações para tudo. Se quisermos, objetivamente, saber nossa posição entre as nações mais respeitadas do planeta, podemos recorrer à pesquisa feita em 2013 pelo Reputation Institute (ele existe!).

Na verdade, o instituto avalia países sob os critérios de confiança, admiração e respeito.

O número 1 em respeito é o Canadá. O Brasil está na 21ª  posição dentre os 50 mais importantes países do mundo. A nossa consolação é que os Estados Unidos, a nação mais poderosa do planeta, ocupa a surpreendente 22ª (é isso mesmo que você leu) posição como prova de que poder e respeito são dois departamentos distintos.

A segunda maior economia do planeta (China) está na modestíssima posição 44. O tecnológico Japão na 14ª.

Veja o “TOP 10” da respeitabilidade:

Posição
País
1.
Canadá
2.
Suécia
3.
Suíça
4.
Austrália
5.
Noruega
6.
Dinamarca
7.
Nova Zelândia
8.
Finlândia
9.
Holanda
10.
Áustria

 

Recentemente, o Brasil protestou formalmente contra a espionagem feita pela NSA (National Security Agency) estadunidense em relação a nossos cidadãos (incluindo a própria presidente Dilma). Nenhuma resposta digna desse nome foi dada ao país. Mas, quando a premier alemã Angela Merkel, também submetida à mesma safadeza, estrilou, a administração Obama rapidamente reconheceu que o país “tinha ido longe demais”.

Ainda temos muito chão pela frente para estarmos no pelotão de frente das nações mais respeitadas. Para isso é preciso, antes, que cada brasileiro inclua o respeito em sua agenda pessoal. Primeiro, como dizia nossas mães é preciso “dar-se ao respeito” para depois incorporar a sua prática em relação aos outros concidadãos. E isso não tem nenhuma relação com poder econômico e político.

Bom fim de semana!

 

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