TRIBUTO A NORMA BENGELL




Jamais me esqueci do impacto que foi ver, com 10 anos de idade, no majestoso cine São Luiz de minha cidade natal Fortaleza, o filme ”O Homem do Sputinik”  dirigido por Carlos Manga no ano de 1959.

A produção cinematográfica do país nesses anos, era dominada pelo gênero cômico-burlesco denominado  “chanchada” e o grande estúdio da época chamava-se Atlântida. Apesar de a crítica intelectualizada torcer o nariz o público simplesmente adorava e fazia filas de dobrar quarteirão para ver os ídolos histriônicos Oscarito, Zezé Macedo, Dercy Gonçalves e os galãs como Cyl Farney tendo ao lado a onipresente mocinha, Eliana.

Em 1957, o mundo do cinema estremecia com a nova sensação francesa Brigitte Bardot que aos 23 anos já despontava como o sex-symbol definitivo da década com o filme “E Deus Criou a Mulher” (direção Roger Vadim, na época seu marido).

E aí, fui ver o “Homem do Sputinik” com meu falecido e querido pai que religiosamente nos levava ao cinema nas matinês de domingo. Do filme restou a imagem mesmerizante de Norma Bengell no papel de BB (era assim que Brigitte era conhecida).

Era a primeira película de Norma. Cada vez que ela aparecia na tela o público ficava em estado catatônico. Aqui e ali podiam-se ouvir comentários dizendo se tratar da própria Brigitte em carne e osso (muito mais carne, diga-se de passagem). Não era. A paródia da deusa francesa era simplesmente perfeita com direito ao sotaque e ao movimento voluptuoso de lábios que era a marca registrada de BB.

Daí em diante, Norma tornou-se nossa grande estrela sempre incendiando as telas com personagens  ousados e viscerais.

Em “O Pagador de Promessas” dirigido por Anselmo Duarte (1920-2009)  e Palma de Ouro em Cannes em 1962 , Norma protagonizou a prostituta Marli. No mesmo ano, Norma entrou para o seletíssimo rol das atrizes que se tornam ícones com a interpretação de Leda personagem do filme “Os Cafajestes” dirigido por Ruy Guerra.  A longa sequência em que aparece nua ( o primeiro nu frontal do cinema brasileiro)  nas areias de Copacabana ( a cena foi rodada em Cabo Frio, por motivos óbvios) é de uma intensidade dramática e inquietante que só grandes atrizes podem transpor para as telas.

Norma teve uma meteórica carreira internacional com filmes na Itália e França. Em ll Mafioso (Itália-1962 direção de Alberto Lattuada) fez a protagonista Marta contracenando com o lendário Alberto Sordi (1920-2003).

Em 1972 estrelou o filme Les soleils de l'Ile de Pâques do diretor Pierre Kast. De quebra, nessa sua temporada francesa, namorou Alain Delon o grande ídolo europeu da época.

Seria cansativo relacionar os filmes de Norma que além de atriz foi diretora  ( Eternamente Pagu-1988; O Guarani- 1996 entre outros) e  também uma cantora de voz deliciosamente rouca e sensual.

Os desígnios do destino são indecifráveis. Norma, no auge de sua carreira internacional conheceu o ator italiano Gabriele Tinti. Eles chegaram a se casar no Brasil durante as filmagens de “A Noite Vazia” em 1964 , dirigido por Walter Hugo Khouri (1929-2003).

Tinti faleceu em Roma em 1991 vitimado de câncer no pulmão – a mesma moléstia que nos levou Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães d’Áurea Bengell ( Rio de Janeiro 21.02.1935 – Rio de Janeiro 09.10.2013)
Delicie-se com Norma interpretando Brigitte Bardot em "O Homem do Sputinik" contracenando com Oscarito.
Fachada do Cine São Luiz em Fortaleza-Ceará em seus anos áureos (hoje à espera de restauração e pertencente ao Governo do Estado).



Brigitte Bardot em 1957, ano em que filmou "E Deus Criou a Mulher".



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