REFLEXÕES SOBRE HOMENS E CÃEZINHOS BEAGLE.

Qual seria sua reação se alguém lhe dissesse que aquela simpática galinha carijó que sua avó criava ficava triste cada vez que uma de suas irmãs ia acabar na panela?

E que aquele papagaio de estimação de sua tia sabia perfeitamente ser um ente ciente de sua própria existência e da de outros indivíduos de suas relações?

Bomba! Certamente você ficaria perplexo se alguém lhe afirmasse que as moscas são capazes de ter mais foco em perseguir seus objetivos estratégicos do que muitos empresários iniciantes.

Tudo isso está sendo fartamente comprovado pelos cientistas que se aprofundam nas investigações sobre o nível de consciência dos animais. E não estamos aqui falando apenas das “estrelas” conhecidas como macacos e golfinhos famosos por demonstrarem um comportamento assustadoramente inteligente.

O neurocientista Christof  Koch do Allen Institute for Brain Science sediado na cidade de Seattle-EUA afirma categoricamente que as pesquisas sobre o assunto não deixam dúvidas de que os animais compartilham conosco, humanos, a capacidade de autopercepção, de sentir e também de sofrer.

A coisa não para por aí. Em julho de 2012, cientistas de entidades de notório renome internacional como o Instituto Max Planck da comunidade europeia, o MIT  e a Universidade de Harvard  (EUA) promoveram uma conferência sobre consciência animal na Universidade de Cambridge, Inglaterra. O resultado deste convescote científico foi a divulgação de um documento no qual declaram ter evidências suficientes para afirmar que alguns mamíferos, aves e até moluscos “possuem faculdades neurológicas que geram consciência” (como você já sabe os polvos têm o especial dom de prever resultados de jogos de futebol...).

O mundo civilizado está cada vez mais propenso a mudar os métodos históricos de tratamento de animais, seja em relação àqueles criados para o consumo humano ou aos que são utilizados para pesquisas científicas.

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos já criou um banco de dados com cerca de duas mil substâncias tóxicas visando à eliminação completa dos testes em cobaias animais.

Como até as muriçocas brasileiras sabem, somos totalmente incompetentes no tratamento digno não apenas de animais, mas, sobretudo, de seres humanos. Os exemplos divulgados ontem na TV sobre as condições em que vivem nos centros “reeducativos” os menores infratores de Norte a Sul do país nos envergonham como sociedade. Elas, definitivamente são piores do que as dispensadas a muitos animais.

Se você é daqueles que não se comovem com  menores infratores, talvez se importe com crianças inocentes habitando áreas tão insalubres que certamente até os nossos ratos refugariam.

Enquanto isso, o que vemos é o Programa “Minha Casa, Minha Vida” que deveria se chamar “Minha Casa, Meu Suplício” pelas condições em que as mesmas são entregues aos incautos proprietários e a total ausência de uma política consistente de saneamento  básico. Dados da organização não-governamental “Trata Brasil” http://www.tratabrasil.org.br/situacao-do-saneamento-no-brasil  nos mostram que a coleta de esgoto no país chega apenas a 48,1% da população e que do esgoto gerado pífios 37,5% recebem algum tipo de tratamento.

Claro que os bichos (principalmente se forem dóceis e indefesos cãezinhos beagle) merecem todo o nosso carinho e uma sociedade minimamente civilizada não pode, sob pretexto algum, tratá-los de forma cruel. Mas, infelizmente, não percebemos nenhum movimento social em luta por assegurar condições de vida “humanas” aos milhões de brasileiros que vivem, literalmente, como animais.

Um bom fim de semana para você e seu animal de estimação.

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