AS CRIANÇAS DO FACEBOOK


Foi minha querida amiga Suely Raya  (a linda criança da foto) quem me convidou para participar do movimento “Poste sua Foto de Criança no Dia da Criança” no Facebook.

No começo achei algo meio ridículo, mas depois, ao me emocionar com as crianças que se escondem sob o semblante adulto (às vezes cuidadosamente ensaiado) de muitos de meus amigos percebi a profundeza contundente dessa ação.

Na verdade, acredito que somos o que somos desde sempre. Cada um de nós como acontece com as sementes, já carrega todos os elementos  que pouco a pouco vão se revelando no passar dos anos. Há sementes que geram sequoias, outras tão somente um capim de várzea independentemente do solo em que caíram e dos cuidados que receberam.

Nesse ponto ouso discordar dos empiristas e em especial do  filósofo inglês John Locke (1632-1704) que disse em seu “Ensaio sobre o Entendimento Humano” que nascemos como uma folha em branco (a expressão usada foi tábula rasa) e tudo o que sabemos e somos depende exclusivamente de nossas experiências.

O que Locke não nos explica é por que, se todos nascemos iguais e totalmente vazios de ideias e talentos, como pode então existir um Mozart (1756-1791) e um Salieri (1750-1825) considerando que ambos viveram na mesma época e receberam a mesma educação formal para a música desde criança?

Mozart já compunha aos cinco anos de idade e suas mais de seiscentas obras (que abrangem todos os tipos de arte musical possível) possuem uma qualidade até hoje extasiantes. Salieri, bem... você conhece alguma grande obra dele? Não se trata de diminuí-lo. A questão é que não aparecem Mozarts todos os dias por mais que se invista nisso colocando  à disposição de um talento promissor todos os conhecimentos, instrumentos  e ferramentas do mundo.

Voltemos, ao Facebook.
É inspirador ver tantos amigos com seus rostinhos alegres e olhares eloquentes quando ainda não tinham sido tocados pelas mazelas humanas. Neste ponto concordo com o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) para quem o ser humano vive em função do significado que dá à própria vida. Somos aquilo que acreditamos e aprendemos para o bem e para o mal. Alguns conseguem com mais ou menos sofrimento desaprender coisas que não lhes servem mais.

Aprender na verdade é simplesmente desaprender. Jogar na lata do lixo conhecimentos, crenças e valores que perderam o prazo de validade. Lembram-se do planeta Plutão? Pois é. Desde 24.08.2006 a União Astronômica Internacional nos disse que ele, por suas características, não pode mais ser considerado um planeta. Quando muito se trata de um “planeta anão”. Ganhou até uma nova identidade: 134340 Plutão.

Que tal o átomo? Quando estudava química aprendi que o átomo continha um limitado número de partículas. Hoje elas contam-se às dezenas sendo que a última de existência comprovada chama-se Bóson de Higgs (Prêmio Nobel de Física de 2013 para o cientista belga François Englert e o britânico Peter Higgs).

Para ficarmos em temas mais comezinhos, falemos do chocolate. Aprendemos que ele provoca espinhas e seu consumo está associado a todo tipo de culpa. Certo? Errado. A lista de benefícios dessa gostosura parece não ter fim. Além de ele prevenir uma série de doenças, ajuda na manutenção do peso e decididamente não provoca espinhas.

A sociedade evoluiu como nunca nos últimos séculos e não estamos falando apenas da tecnologia. A China transformou-se na segunda maior economia do planeta através de um “peculiar” sistema capitalista. Os Estados Unidos da segregação racial possuem um presidente negro. Direitos até então inexistentes a grande parcela dos cidadãos agora são reconhecidos pelo Estado.

E, infelizmente, há os que ainda não desaprenderam o que efetivamente precisa ser desaprendido e continuam acorrentados às velhas ideias condenados por vontade própria ao tormento de Atlas ( castigado por Zeus a carregar o mundo nas costas).

Por isso, a importância do movimento do Facebook. Claro que, passado o “Dia da Criança”, as fotos voltarão a ser o que eram.  Proponho que só as fotos voltem. Não os preconceitos. Não a intolerância. Não a arrogância. Não a prepotência. Não a falsidade. Não a hipocrisia.

Aqueles que acham que estão destinados a carregar o mundo nas costas que possam finalmente, se aliviarem de todas as culpas, rancores e relações mal resolvidas.

Vamos dar uma nova chance à criança que vive em nossos corações.

FELIZ DIA DA CRIANÇA!


Veja que talento incrível aos 5 anos de idade. O nome dele é Tsung Tsung. Ele é chinês, nascido em Hong Kong e diz que seu ídolo é o Mozart.

 

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