A PREOCUPAÇÃO DE GERALDO ALCKMIN.


A Google chinês chama-se Baidu. Como se sabe, a internet na China é tão monitorada quanto o Neymar. O sistema de prevenção do país gasta bilhões de Yuans por ano para impedir que seus cidadãos possam receber e devolver informações que, segundo a paranoia oficial ,tragam algum potencial para desestabilizar o governo. Pura fantasia. Não há um meio 100% seguro de bloquear maciçamente as comunicações entre pessoas, a não ser, obviamente, se elas forem encarceradas em solitárias.

O NSA-National Security Agency, órgão do governo  Obama, tem se divertido em interceptar as conversas de Dilma (se forem com seus ministros deve ser uma total perda de tempo). Nem os brios do governo nem o uso da melhor tecnologia disponível serão suficientes para impedir este tipo de bisbilhotice cibernética. O governo não consegue concluir obras singelas do PAC o que dirá implantar um sistema tão caro e complexo de proteção da comunicação nacional.

Na semana passada a mídia noticiou com estardalhaço sobre a investigação e prisão de 175 pessoas do temido PCC de São Paulo que, tão eficaz quanto as organizações de classe mundial, consegue, através de uma bem administrada rede corporativa, estender seus tentáculos para fora dos muros das prisões de segurança máxima e dar sequência ao seu desafiador planejamento estratégico do crime. Geraldo Alckmin, governador de São Paulo (PSDB) ficou preocupado com o teor de algumas interceptações telefônicas nas quais a organização discorria sobre possíveis táticas para eliminá-lo.

Há anos que se fala neste país sobre a instalação de bloqueadores de celular nas prisões. Até agora, evidentemente, nada aconteceu. Se, você, caro leitor(a) acha que esse é um problema do Brasil, saiba que ele existe em todos os países que possuem sistemas prisionais.

Uma navegada rápida na internet nos mostra o trabalho incansável da polícia dos Estados Unidos para coibir este tipo de crime. O mais rico e poderoso país do mundo sofre nas mãos de bandidos que tramam os mais diversos delitos via celular, mesmo dentro das prisões modernas que costumamos ver nos filmes de Hollywood.

Ora vejam: na prisão de Baltimore (Maryland-EUA), o chefe de uma gangue interna (Tavon White) gerenciava um bem sucedido negócio de compra e venda de aparelhos para seus colegas de reclusão com o recebimento do pagamento diretamente via celular. Vinte e cinco pessoas foram indiciadas incluindo 13 policiais do sexo feminino que eram as “mulas” para a entrada dos objetos ilícitos.

O governo de Maryland está investindo alto em um novo sistema de bloqueio que torna inoperante qualquer celular indesejável com a vantagem de que não impede que outros telefones do presídio possam falar.

 Isso não elimina o monitoramento intensivo de todas as possibilidades de contrabando para dentro das instalações que é realizado através de detectores de metal e cães farejadores (a exemplo do que é feito nos aeroportos). Recentemente, houve no país um movimento do sindicato da categoria para impedir a revista eletrônica de agentes penitenciários (o corporativismo é uma praga mundial como você pode ver).

Segundo o Departamento de Segurança Prisional e Correcional de Maryland, mais de 1.300 celulares ilícitos foram detectados no ano passado. Ao contrário de seu colega Alckmin, o governador Martin O’Malley de Maryland tem motivos para comemorar e vai expandir o sistema para todas as unidades prisionais do estado.

Por aqui, o buraco da cela é muito mais embaixo. Nossas cadeias parecem centros de tortura medievais devastadas por uma guerra nuclear. As nossas leis concedem aos bandidos  vantagens equivalentes a um sistema de lazer “all inclusive”. Os políticos, bem, eles mesmos como potenciais usuários do sistema prisional, não possuem o menor interesse em votar um novo código de processo penal que nos traga ao século 21.

E, dentre tantas outras prioridades, o país vai naufragando na educação, na saúde, na comunicação, no transporte, na segurança e onde mais o governo esteja presente.

Ontem ouvi de um amigo e leitor deste Blog a seguinte piada:
Um casal que frequentava a Igreja Universal saiu em um cruzeiro de navio. Lá pelas tantas, o navio afundou e eles, com muito esforço, chegaram a uma ilha deserta no meio do oceano onde, obviamente, não pegava sinal de celular algum. Eles estavam vivos, mas a esposa continuava muito chateada. O marido tentava alegrá-la de todas as maneiras ao que ela, em um repente, finalmente confessou o motivo de tanta preocupação: ela não havia pago o dízimo à igreja. O marido, ao ouvir isso, sorriu e suspirou aliviado dizendo “Graças a Deus, estamos salvos. Fique tranquila que eles nos acharão”.

Enquanto nossos governantes não se cercarem de profissionais realmente competentes, em todos os escalões e que façam o país deslanchar; enquanto nossa administração pública ficar refém de cabos eleitorais semi-analfabetos; enquanto a sociedade não monitorar, sem descanso, como seus representantes desempenham em seus mandatos, continuaremos eternamente a mercê dos profissionais do crime (de qualquer modalidade) ou de outras instituições não republicanas que sabem como obter resultados.

Boa semana a todos! (Especialmente ao governador Alckmin que, certamente, tem muitos motivos para se preocupar).

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