O "BRAZIL" SEGUNDO O “THE ECONOMIST”.


 
 
É sempre bom ouvir o que os outros acham de nós. Principalmente se não possuem nenhum interesse em particular a não ser o de expressar uma opinião sincera. Se ela for consistente, isenta, baseada em fatos, melhor ainda.

Na edição de 14.11.2009 o “The Economist” estampou em sua capa a elogiosa foto do Cristo Redentor decolando como se um foguete fora mirando o espaço do progresso. Fazia sentido. O país crescera estupendos 7,5% no ano de 2009 e estava eufórico com a trinca “Pré-sal, Copa, Olimpíadas”. No ano seguinte com a vitória de Dilma, parecia que suas decantadas competências de gestão poderiam fazer pelo país aquilo que não acontecera no governo Lula.

Após três anos de governo as coisas, se não saíram totalmente dos eixos, patinam como uma pick-up pesada, sem tração nas 4 rodas, trafegando em estrada lamacenta.
O que jornal britânico relata, é aquilo que até as nossas araras-azuis sabem: o Brasil está parado. Não sai do lugar e o que é pior: se o clima piorar corre o risco de atolar de vez.
A avaliação do jornal abrange os itens que já são velhos conhecidos de quem ainda acredita que um dia os sopros da modernidade cheguem ao país.

1. Reformas estruturais

 O Brasil não fez as reformas estruturais necessárias nos anos de bonança nem tampouco na era Dilma. Ao contrário: o governo inchou, os custos com a máquina pública aumentaram, a inflação voltou a subir e a economia não cresceu.
Ocorre que a gestão atual renega os princípios mais comezinhos da eficácia administrativa com seus 39 ministérios sendo que alguns não servem para quase nada a não ser dar vazão à sanha dos partidos políticos “aliados”. Ou você já ouviu algum resultado memorável do Ministério da Pesca?

2. Investimento em Infraestrutura

 Muito pouco foi feito para trazer da idade média a infraestrutura do país que segundo estatísticas do Fórum Econômico Mundial colocam o Brasil na posição 114 dentre 148 países avaliados.  A revista é bem-humorada ao dizer que o que o país investe em infraestrutura pode ser comparado a um biquíni fio dental.
Você já deve ter ficado indignado por diversas vezes ao ver na televisão caminhões carregados de soja arquejando em estradas que mais parecem picadas abertas pelos bandeirantes no começo do século 17. Isso para não falar dos portos, aeroportos, ferrovias, hidrovias, saneamento, geração de energia e etc...

 3. Falta de Competitividade

 A falta de competitividade brasileira não deve ser debitada apenas à precária infraestrutura, mas também aos atuais índices de produtividade da indústria que, ao contrário do que diz o governo, tem caído inclusive em relação a outros países da América Latina. Ficamos à frente apenas dos resultados da Bolívia de Evo Morales.
Saiba você, caro leitor, que a produtividade média do trabalhador brasileiro é cerca de 20% do desempenho médio de um trabalhador estadunidense (tomada como índice=100). O Brasil trafega na contramão da produtividade global cuja média subiu 1,8% em 2012.
Ora, ora. Produtividade tem tudo a ver com educação da mão de obra. Ou você acha que só comprar equipamentos de última geração adianta alguma coisa sem pessoal técnico habilitado para operá-los?

4. Visão retrógrada sobre o papel do Estado

 A centralização excessiva, o retorno à crescente intromissão do governo na economia e nos contratos e uma visão extemporaneamente estatizante tem causado uma enorme apreensão da iniciativa privada que pensa três vezes antes de planejar investimentos.
A questão é muito mais filosófica. Dilma e grande parte do PT e de seus apoiadores acreditam (ainda!) que os empresários são todos gananciosos e que deveriam investir a fundo perdido ou ter lucro zero. Daí, ninguém se interessar mesmo pelos “leilões” do governo para aeroportos, estradas e o que mais for colocado na mesa de negociação.
Já perdemos a conta de quantas vezes leilões de privatização foram adiados por aqui. O mais recente caso foi a ausência de lances para rodovia BR 262 que liga Minas Gerais ao Espírito Santo. Essa visão de velha lente bifocal (alguém ainda usa isso?) é a principal responsável por tudo o que o governo faz demorar uma eternidade ou jamais chegar a termo.
A paciência e a tolerância da sociedade com a histórica incompetência da gestão pública (com raras ilhas de excelência) parece ter chegado ao limite. Contudo, não será pela via das passeatas e protestos com diferentes graus de indignação que teremos o país que tanto queremos.
Enquanto as mudanças estruturais não acontecem (e olha que esse tema já vem sendo discutido e adiado há décadas) a única arma eficaz de que nós, cidadãos, dispomos é mesmo a escolha correta de nossos representantes e a luta sem tréguas no controle de suas ações.
Em 2014 teremos mais uma chance. Não podemos perdê-la dessa vez.


Em tempo: 

Após andar afastada do Twitter desde 2010, a Presidente Dilma resolveu reativar sua conta no microblog para rebater a reportagem da The Economist.

“Eles estão desinformados. O dólar estabilizou e a inflação está sob controle... Quem aposta contra o Brasil vai perder”.

 


Grande abraço e bom fim de semana.

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