ELYSIUM E O PAPA FRANCISCO.


O homem quer ser feliz. Nem sempre consegue. Para poucos viver é uma experiência dionisíaca para muitos, infernal. O Banco Mundial define pobreza extrema como a situação em que seres humanos sobrevivem com menos de um dólar por dia (ao câmbio atual algo como R$ 70,00 por mês). 1,1 bilhões de pessoas vivem no planeta nessas condições. Se incluirmos as que se aguentam com menos de dois dólares ao dia o número passa para cerca de assustadores 4 bilhões.

O último relatório da ONU (de 2012) sobre a América Latina informa que há 124 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza na região, das quais 37 milhões no Brasil. O segundo maior contingente encontra-se no México: 25 milhões.

A boa notícia (se é que se pode dizer isso) é que a proporção de despossuídos caiu de 48 para 33% na última década.

Claro que o espectro da miséria humana é muito mais amplo e complexo. É papel das estatísticas só se ater à penúria física escancarada naqueles que não têm o que comer nem onde morar. Não se coloca nessa soma as legiões que sofrem os horrores das guerras e o martírio das perseguições sob os mais torpes motivos. A Síria de hoje com suas crianças corroídas pelo gás sarin ou algo ainda mais infame são o retrato cruel desse mundo de horrores.

Neill Blomkamp é o diretor sul-africano que foi percebido pelo radar de Holywood por seu filme Distrito 9 (2009). A história é aquela de sempre: nossa recorrente fixação na invasão do planeta por seres alienígenas mal-intencionados –agora eles invadem Joanesburgo- ( como se não fôssemos vitimados com muito mais intensidade pelos políticos corruptos e ditadores sanguinários de plantão).

Dia 20 próximo, invadirá as telas do país o último filme de Blomkamp “Elysium”. O nome vem da mitologia grega Elísio ou Campos Elísios nome dado ao paraíso helênico no qual somente os que foram virtuosos em vida podem entrar. A novidade é a presença dos atores brasileiros Wagner Moura (em seu primeiro papel internacional) e Alice Braga.

O tema central é a exclusão social que bilhões de seres humanos sofrem no planeta de todas as formas e em todos os quadrantes agora contada sob a forma de uma metáfora “sci-fi”.

Enquanto isso, nesta semana, o Papa Francisco declarou algo inédito se levarmos em conta os usos e costumes da Igreja Católica. Ele pediu às ordens religiosas que acolhessem os refugiados nos conventos que estão sub-aproveitados os quais “não devem ser usados para ganhar dinheiro”.

Francisco foi além: Os conventos vazios não devem servir às igrejas para serem transformados em hotéis para ganhar dinheiro. Os conventos não são nossos, são para a carne de Cristo, representada pelos refugiados", disse.

Escrevo isso enquanto aguardo o julgamento dos “embargos infringentes” pelo Supremo Tribunal Federal -STF. A coisa toda parece que trará aos cidadãos de bem (sim; eles existem) uma inenarrável frustração com a possibilidade concreta de termos a continuidade desse processo e a convivência na mídia com seus personagens repulsivos.

Seremos nós, novamente, órfãos da justiça? O pior é que não temos a possibilidade de entrarmos no Elysium (este, ao contrário do grego, exclusivo para nossos mal-feitores) nem,tampouco, um Papa Francisco com coragem e estatura moral para dizer as verdades de que o país tanto  necessita...

Abraços.
Pra você curtir o trailer de Elysium.

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