À SOMBRA DE UMA ÁRVORE.

 

 
Tão rara quanto lacônica é a ária que abre a ópera “Xerxes” escrita em 1738 pelo compositor alemão naturalizado inglês Georg Friedrich Händel (1685-1759) : “Ombra mai Fu” em uma tradução livre “Nunca houve sombra”. Trata-se de um dos mais belos tributos à natureza.

 Xerxes, imperador da Pérsia (518aC-465aC), ao se deparar com um gigantesco plátano, cuja sombra inundava de tranquilidade os arredores, recita palavras de gratidão e contentamento.

É um intrigante prenúncio do que está por vir. O poderoso Xerxes, auto-proclamado  “Rei dos Reis” (a empáfia dos homens parece não encontrar limites) é subjugado pela altivez imóvel de uma árvore.

Ombra mai fu (Nunca houve sombra)
di vegetabile (de uma árvore)
Cara ed amabile (tão querida, amável)
soave piú. (e suave.)

Como se sabe, Xerxes combateu os gregos sem trégua no período que passou à história como Guerras Médicas. Tendo derrotado Leônidas na famosa Batalha das Termópilas e após enfrentar o insano exército de 300 gregos que resistiram até a morte (empreitada muitas vezes transposta para o cinema), saqueou todas as cidades no roteiro até Atenas terminando por destruir a Acrópole.

Como não há mal que sempre dure (exceto talvez o do "Mensalão"),  a frota de Xerxes foi derrotada em Salamina e a ele não restou outra opção senão retornar à Pérsia onde seria assassinado por seu ministro Artabanus (no Brasil os ministros matam politicamente os presidentes com a arma da corrupção).

Como a experiência humana nos ensina, a história anda em círculos. A Pérsia de ontem é o Irã de hoje.

Os persas eram imperialistas vorazes. Dominaram a Babilônia, a Mesopotâmia, o Egito, a Líbia, a Trácia, parte da Grécia e chegaram até os limites do Indo (região que corresponde atualmente ao norte da Índia e boa parte do Paquistão). O que o Irã critica nos Estados Unidos, já realizou de sobra no passado. Hoje, ameaça a paz mundial com a provável construção de uma bomba atômica, apesar das juras em contrário do seu atual presidente Hassan Rouhani.

Voltemos à ópera.

A ária  Ombra mai Fu originalmente escrita para ser cantada por um castrato, plural castrati ( cantor que para manter sua voz aguda com o timbre da voz feminina soprano, pratica a castração na fase anterior à puberdade).

A nata do canto lírico tem esta ária no currículo. Da inigualável Maria Callas à diva estadunidense Kathleen Battle, passando por um incontável número de virtuosi masculinos donos das mais intrigantes vozes da atualidade.

Para colorir o seu sábado, caro leitor, ofereço-lhe  quatro interpretações da belíssima Ombra Mai Fu.

1.  Kathleen Battle – Soprano /EUA reconhecida por sua voz privilegiada , beleza física e interpretações eletrizantes.

2. Andreas Scholl – Contratenor- Alamanha ( cuja extensão vocal se assemelha à do famoso castrato Senesino para quem Händel dedicou vários trabalhos.

3. Edson Cordeiro - Contratenor - Brasil ( atualmente radicado na Alemanha) 

4. Aled Jones – “O garoto soprano”/País de Gales , na época com 12 anos. Hoje com 43.

Obama e Rouhani ensaiam uma aproximação após décadas de rancor e ódio entre seus respectivos países. Xerxes só existe no cinema. E como dizia o cineasta italiano Frederico Fellini (1920-1993)  “E la nave va...”

Em tempo: Terroristas atacam o shopping Westgate em Nairóbi-Quênia. 39 morrem. Dezenas estão feridos.

 
 
 



 
 
 
 
Grande abraço e tenham todos um suave fim de semana.
 

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