UM DEUS DEVE TER MAIS O QUE FAZER...



 

Sei que estou abordando um tema sensível e polêmico para a maioria das pessoas. Mas, vamos lá. Assumo o risco.

Ghorth  ocupa o posto máximo da deidade. Em outras palavras é um Deus mesmo. Poderoso, onisciente e além do mais um gestor inigualável nos cuidados com os elementos de sua própria criação.

Ghorth criou tudo o que se vê a olho nu e até muito além de onde o telescópio Hubble alcança. Como sói acontecer a um deus que se preza, apesar de tê-lo criado, Ghorth  sabe que  o tempo não é algo pra ficar, assim, se perdendo, com coisas irrelevantes.  Nem passa pela cabeça dele ficar se imiscuindo na vida privada das criaturas  que ele mesmo criou à sua imagem e semelhança.

Um dos objetivos estratégicos de Ghorth, desde antes do Big Bang (sim, ele já existia) era investir na diversidade. Galáxias, estrelas, planetas, cometas e tudo o mais que vagueasse pelos hiper-espaços seriam variadíssimos, únicos em sua multiplicidade e mutabilidade,  como um caleidoscópio infinito.

Os seres viventes, esses então, não poderiam ser mais distintos uns dos outros. Para maior consistência de sua obra genial, eles teriam, inclusive, o livre-arbítrio, única forma de se avaliar o desempenho individual ao longo das eras.

Ghorth acredita piamente em descentralização e tem mais o que fazer do que ficar agindo como síndico dos sistemas galácticos que ele projetou com um estalar de dedos. Por isso, delegou a gestão de cada um deles a pessoas de sua confiança (sim, porque dentre suas criaturas há quem não a mereça). Aliás, as coisas “rolam” super-bem, porque Ele não adota esse estilo perdulário de administração percebido em certos setores de sua criação que insistem em manter 40 ministérios, mas isso é outra história...

É importante mencionar que, no entanto, Ghorth arriscou criar um manual de instrução para obter  certo grau de padronização das políticas nos vários mundos semeados. Mas, abandonou a ideia porque isso, definitivamente, não dera certo. Cada um de seus gestores começou a interpretar, a seu modo, de acordo com suas conveniências, as instruções recebidas e depois de algum tempo o texto original, que era um primor de coerência e objetividade, transformou-se em uma barafunda de ideias obtusas, descabidas mesmo, do tipo que não resiste à análise mais superficial.

Aquilo que era um tratado do bom senso e do respeito às brilhantes e imutáveis leis do universo virou uma colcha de retalhos a dar guarida a todo tipo de crenças e valores  nas mentes de radicais e manipuladores de todos os matizes. E o que é pior: todos peleando contra todos com as armas da intolerância , exclusão e do preconceito. Uma absurda guerra sem vencedores.

Em um certo planeta azul, mísera poeira cósmica, quatrilhões de vezes menor que qualquer estrela embrionária, os seres criados por Gorth se odeiam (quando não se exterminam) pelos motivos mais comezinhos.

Uns, por que se acham  os verdadeiros guardiões da palavra de Gorth operam para que todos os demais sejam varridos da face do planeta. Outros, por que pressupõem que sua pele seja a única que possui a tonalidade correta praticam atos os mais hediondos.

E por aí vai. Esse grupo acredita que só eles fazem sexo do modo aceitável. Aquele esbraveja que só sua organização política pode fornecer felicidade e progresso sem limites.

Enquanto isso, Ghorth ocupa seu divino tempo criando mais universos, desenvolvendo  experiências cada vez exitosas gerando seres que se comportem com a inteligência e a magnanimidade que Ele tanto aprecia.

O planeta azul? Que se dane enquanto não sair das trevas da ignorância.
 
Esse texto singelo dedico aos homens e mulheres de boa vontade.
 
Grande abraço!
 
 

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