O LADO BLACK BLOC DO DIPLOMATA.


 
Todo homem esconde um espírito de Black Bloc. Em alguns ele se manifesta à toa. Não é nem necessário um Sérgio Cabral para fazê-lo eclodir como um Godzilla furioso. Noutros, ele vai se libertando aos poucos alimentado pela vilania incontida dos poderosos de ocasião.  Outros há em que ele apenas exala momentaneamente. O resto do tempo fica nas entranhas a envenenar corações e mentes.

Vivemos épocas de Black Bloc explícito tendo na tresloucada rebelião Síria sua expressão máxima. O Itamaraty já tem o seu diplomata Black Bloc. Eduardo Saboia, encarregado de negócios na embaixada brasileira de La Paz-Bolívia, passou os últimos 455 dias tendo que aturar na sala ao lado da sua a inquietação do senador boliviano Roger Pinto Molina que lá se refugiara por dizer-se perseguido pelo governo do líder narco-indigenista Evo (Viu a Erva) Morales.

Outrora reconhecido mundialmente por sua competência, o Iramaraty da era petista é uma pálida imagem do que já foi. Não é preciso muito esforço para se entender o que deve ter acontecido. Um senador boliviano resolve fazer oposição ao governo Evo Morales. Sua vida é escrutinada e descobre-se alguns deslizes na categoria “corrupção” (como se isso não fosse absolutamente corriqueiro na Bolívia e fora dela). Após um julgamento relâmpago o “réu” é condenado a prosaicos 12 meses de prisão (pela pena imposta dá pra se ver a “gravidade” da acusação).

Ciente de que sua prisão é política, o senador se refugia na embaixada brasileira. Ano e meio decorrem sem nenhum progresso nas tratativas bilaterais (algo assim como as obras do PAC). O homem é claramente, um perseguido político. Os mandatários da ocasião (não esqueça de que a “presidenta” é ex-terrorista) para os quais a repressão sofrida dantes por suas convicções políticas não serviram para nada, preferem empurrar o imbroglio com a barriga para não se atritar com o cacique inca bolivariano.

Segundo o jornal britânico The Independent, na edição de hoje, não estaria havendo negociação nenhuma entre os governos que pudesse antever um final aceitável para esta situação clara de direitos humanos. Embora há mais de sete meses o governo boliviano concordasse com a saída do exilado, o mesmo governo declarava que “não poderia garantir a segurança da viagem”. Algo assim: “não nos responsabilizamos se os viajantes forem metralhados na sua rota para o Brasil”.


O que até as cholas com seus chapéus coco sabem é que o governo de Morales faz uma releitura bufônica do libreto dos caudilhos latino-americanos ,seus precursores. O Brasil é imperialista e seus investimentos locais devem ser apropriados . Lembra-se do caso da refinaria da Petrobrás na Bolívia em 2006?

 

Lembra-se da deportação “pá-pum”dos atletas cubanos que pediram asilo ao Brasil por ocasião dos jogos Pan-Americanos de 2007?

E o que dizer do apoio ao ex-presidente Manuel Zelaya de Honduras (aquele de chapéu Panamá que se asilou na nossa embaixada transformando-a em escritório particular)?

Pode haver imbecilidade diplomática maior do que incensar os regimes da Venezuela  e de Cuba ao mesmo tempo que se pretende ser tomado a sério pela comunidade internacional?

Diplomacia de verdade, não se pauta pela ideologia política do regime de plantão. Ainda mais se esse regime foi o mentor de um “mensalão”.

Boa semana!

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