ALGUNS INDIANOS ILUSTRES, FRANCISCOS E OS POLÍTICOS NACIONAIS.

 
 

 
Nós, ocidentais, conhecemos quase nada sobre as grandes civilizações do oriente. Da Índia lembramos de Buda, Ghandi,  do Taj Mahal, e dos estereótipos das castas, da pobreza e da barafunda de religiões que passam longe da nossa compreensão. Os mais informados sabem que a Índia é uma potência na produção de softwares, do aço e de filmes de “Bollywood”- nome dado à indústria de cinema de língua Hindi formado da fusão de Bombaim (antiga Mumbai) e Hollywood.

A Índia possui uma cultura milenar e multifacetada. Além do Hindi e do Inglês, mais 23 línguas possuem o status de oficial. Nem é bom entrar no tema “religião”. O país possui centenas de crenças distintas que abrigam milhões de deuses (um artigo da revista Superinteressante fala de 330 milhões). Como a população é de cerca de 1 bilhão isso representa uma divindade para cada três habitantes.

A veneranda BBC britânica produziu uma série espetacular sobre a Índia. Ao vê-la, percebi que ao longo de sua história, o país gerou vários indivíduos que abdicaram do poder e da riqueza para buscar o verdadeiro sentido da existência.

Siddharta Gautama (563-483 a.C) , o Buda  (que em sânscrito significa “aquele que despertou”) é, talvez, o exemplo mais inspirador. Nascido rico e poderoso abandonou tudo para ir em busca da “verdade”. Aos 35 anos conquistou “a iluminação”. Fundou o budismo - uma das mais importantes religiões com cerca de 400 milhões de adeptos em todo mundo.

Ashoka Maurya ( 304-232a.C ) conhecido simplesmente como Ashoka ( em sânscrito “aquele que não sente dor”) nos revela uma vida impressionante.

Para início de conversa, Ashoka foi um dos maiores imperadores hindus. Habilíssimo estrategista militar conquistou e dominou extensos territórios          (áreas que hoje vão do Afeganistão a Bangladesh). Seu poder parecia não conhecer limites. Em uma única guerra, a de Kalinga, seu exército matou 100 mil pessoas e aprisionou outras 150 mil.

Após essa carnificina Ashoka caiu em profunda depressão. Percebeu a inutilidade do poder sem benefício ao povo. Adotou a filosofia budista e reformou todo o sistema administrativo do império. Unificou a Índia trocando as práticas despóticas da época pela benevolência, honestidade, verdade, ética e ações em prol da população- algo impensável para a época. Foi ele o precursor da política de “não-violência” adotada muito tempo depois por seu conterrâneo Ghandi.

Ashoka legou à história uma nova forma de governar cujo cerne pode ser resumido por uma de suas mais famosas declarações: “Todos os homens são meus filhos. Desejando que os meus próprios filhos tenham felicidade, e tudo o que precisam, neste mundo e no próximo, o mesmo desejo para todos os homens”.

Faz uma semana que recebemos a visita do Papa Francisco. Impossível não se lembrar de que 1684 anos após Buda, o exemplo deste foi seguido pelo jovem Giovanni di Pietro di Bernardone (1182-1226), mais conhecido como São Francisco de Assis.

Este Francisco, como você certamente sabe, também era rico, jovem e proveniente de uma família poderosa. A história se repete. Francisco parte para a guerra de Perúsia para atender à vontade do pai que desejava mais fama e dinheiro. Na volta, entra em uma violenta crise existencial e decide rejeitar de forma radical o estilo de vida a que estava acostumado. O resto você já conhece: Francisco dedicou sua vida aos pobres e viveu, ele mesmo, na mais exterma penúria abdicando dos luxos e prazeres mundanos. É hoje um dos ícones da Igreja Católica venerado como um dos seus mais populares santos.

Pule para 2013. O jesuíta Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, devoto de São Francisco torna-se o 266º Papa Católico. Simples (carrega sua própria pasta e usa sapatos surrados), humano (privilegia o contato com as pessoas comuns), sábio (trata de temas complexos com a clareza dos iluminados). Rejeita a pompa do Vaticano e promete uma gestão pautada pela retidão de ações e princípios. É uma das personalidades mais poderosas e influentes do planeta, líder espiritual de mais de 1 bilhão de pessoas.

Há em todas as civilizações exemplos de mandatários exemplares. Quanto mais o tempo passa (e o ser humano amadurece) percebe-se que a verdadeira liderança está assentada na ética, na igualdade, no respeito e na luta pelo bem-estar da sociedade.

O verdadeiro poder é o poder do caráter, do exemplo, da correção extrema e da coerência entre princípios e ações.

Os exemplos acima bem que poderiam inspirar os Lulas, Sérgios Cabrais e Renans Calheiros da vida. Eles passarão assim como todos aqueles que se utilizam do poder como um ópio para seu próprio ego.

A história sabe muito bem o que fazer com eles...

Grande abraço e tenham todos um excelente fim de semana.

Dedico esta postagem a Luiz Carlos Barreiro Rodrigues que me emprestou o documentário  ÍNDIA da BBC.

Celso, além de Buda e Ashoka, também temos os exemplos de Mahavira e Chandragupta Maurya, que deixaram uma vida de riquezas para buscar a iluminação. O caso de Chandragupta é ainda mais singular, pois após formar o maior império que já existiu na Índia, abandonou tudo pelo simples fato de considerar que não estava conseguindo fazer o seu povo feliz (isso por volta de 300 a.C.). Enquanto isso, no Brasil, temos figuras como um Lula, que deseja ardentemente voltar a ser presidente e a família Sarney que a décadas não larga o osso no estado do Maranhão, contribuindo para que este continue sendo um dos estados mais miseráveis do Brasil.

Luiz Carlos

posts parecidos

Conectividade de A-Z

O CANAL PARA FALAR DA CONEXÃO HUMANA.

Aqui você tem voz. Pode contribuir, sugerir, criticar, propor temas, discutir e ampliar o escopo do Blog. Nossa conexão poderá fazer a diferença.