QUANDO NÃO HÁ CONEXÃO NÃO HÁ LIDERANÇA.


Os consultores estadunidenses Jack Zenger e Joseph Folkman são incansáveis no estudo dos meandros que compõem a liderança corporativa. Uma de suas descobertas atesta que se um determinado líder recebe nota baixa no quesito “simpatia” suas chances de ser considerado eficaz são praticamente nulas (uma em duas mil).

Amy Curdy da Harvard Business School autora do artigo “Conecte-se, depois lidere” (em parceria com Matthew Konut e John Neffinger) vai mais longe. Ela simplesmente diz que a ciência comportamental já encontrou a resposta para se exercer influência autêntica e verdadeira sobre os comandados: “projetar afetividade”. Veja que fantástico: “só depois de conquistar o afeto das pessoas é que o líder deve exibir competência para aqueles que tenta inspirar” dizem ou autores.

Faz todo o sentido e nem é preciso ser de Harvard para saber disso. Arrogância e autossuficiência como todos sabem são atitudes extremamente antipáticas. Quem lidera dessa forma pode até conseguir adeptos à sua causa, mas nunca pelos motivos corretos. Para usar um termo da moda, esse tipo de liderança não é sustentável. Trocando em miúdos: um dia a casa cai.

Liderar é inspirar. O verdadeiro líder mobiliza pela sua capacidade de se conectar com as pessoas. Sem conexão não há liderança. Não estamos no século 16, nem na Florença de Nicolau Maquiavel (1469-1527).

 Maquiavel em sua obra definitiva “O Príncipe” (1513) ensinava aos líderes da época as artimanhas para a manutenção do poder absoluto através do governo. Tá certo que o contexto era outro, mas uma de suas frases “a ambição é uma paixão tão forte no coração do ser humano, que, mesmo que galguemos as mais altas posições nunca nos sentiremos satisfeitos” parece que foi escrita para certos tipos de políticos do século 21.

Não obstante o mundo já tenha sido cenário para (quase, nunca cansamos de nos surpreender) todo tipo de experiência política e sociológica alguns governantes parecem nada ter aprendido. Preferem mirar-se em modelos de liderança sabidamente tão nocivos quanto ineficazes.

Nações não deixam de ser corporações apesar de muito maiores e complexas. Presidentes são CEO’s (executivos-chefes no comando) cuja função , em última análise, é gerar valor à sociedade. Nós, os cidadãos somos os verdadeiros acionistas desta empresa. Queremos nossos dividendos. Se eles não vêm podemos destituir o “manda-chuva” através do voto.

Para fazer uma boa gestão, o presidente tem que seguir o ABC básico de qualquer manual de administração. Primeiro tem que ter um “Plano”. Criar o arcabouço de um planejamento minimamente realista e executável. Depois, tem que arregaçar as mangas e por a mão na massa, ou seja, “Fazer”. Claro que, para isso, há que se confiar em uma equipe coesa, competente e motivada (você já sabe bem no que dá ter 40 ministérios distribuídos por gente sem o perfil adequado e nenhum plano digno desse nome).

Aí vem a fase crítica da “Checagem” melhor chamá-la de “Marcação Cerrada” dada as circunstâncias que costumam acometer este tipo de empreitada. Você como eu, certamente se pergunta quais são os resultados obtidos para o país com o Ministério da Pesca? Por que a obra da transposição do São Francisco não foi concluída? Por que 89 obras de saneamento básico do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) estão paradas? Por que navios e caminhões fazem filas nos portos brasileiros? Por que pacientes morrem nos corredores de hospitais públicos sem atendimento? A lista é interminável.

Por fim chegamos à etapa essencial que todo administrador conhece: “Agir Corretivamente”. É hora de demitir os incompetentes, realocar recursos, reavaliar estratégias, premiar os bons, aprender com os erros e tocar o barco pra frente.

Para que tudo isso funcione no século atual das mudanças constantes, da volatilidade dos cenários, da ubiquidade da informação (para falar do óbvio) o estilo de liderança não pode ser o de Gêngis Khan, Fidel Castro ou Osama Bin Laden.

As corporações (e as nações) precisam de líderes inspiradores, agregadores, confiáveis e que façam do relacionamento com seus comandados um saudável exercício de conexão emocional profunda, genuína e produtiva. É só assim que se consegue gerar valor aos acionistas e cidadãos.

Maquiavel também nos avisou do alto de sua experiência: “Na política, os aliados atuais são os inimigos de amanhã”. Para quem tem aliados como os de agora, esse governo nem precisa de inimigos...
 

Um bom fim de semana a todos vocês.

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