PESQUISAS, RANKINGS E ESTATÍSTICAS...

Hoje soube de uma história de terror sobre pesquisas. Uma história verdadeira. Infelizmente, por conta de riscos legais não é possível neste Blog desvendar para você leitor, a empresa acusada deste ataque à ética e à honestidade (para dizer o mínimo).

Um cliente estava na antessala de reunião de uma conhecida empresa de pesquisa de Curitiba (dessas que usam os manjados jargões do tipo “a maior do sul do mundo” e outras baboseiras do gênero). Acontece que a vedação acústica da sala do diretor da empresa era tão boa quanto sua índole de peneira. O futuro cliente ouviu do outro lado da parede a voz empostada do indivíduo falando com alguém ao telefone. Parecia uma conversa dessas em que meliantes fazem nas prisões para simular sequestros relâmpagos.
O diretor -“ E aí, José (o nome não é verdadeiro). Como vão os negócios?”
Como não é possível ouvir as respostas do interlocutor, vamos adotar uma “licença poética”.
José - “ Cara, as coisas tão meio paradas. Parece que o país tá  andando de lado...”
O diretor“ Que nada! Já vimos esse filme antes desde a época em que era cinema mudo... Nada mudou neste país. O negócio é ser criativo e arranjar um jeito de se faturar em cima dos otários”.
José “ Como assim?”
O diretor (capricha no timbre de deboche e dispara). –“ Muito simples. Se quiser te passo o know-how. A gente diz para o cliente que vai fazer uma pesquisa de mercado e coisa e tal... Inventa um número impactante para o universo. Fala da amostra. Diz que ela foi segmentada de acordo com  critérios científicos. Cria um questionário customizado, é claro... E aí a gente mesmo inventa as respostas. As pesquisadoras até realizam algumas ligações. Mas o que elas fazem mesmo é preencher os questionários de modo que a situação pesquisada pareça a pior possível... Você sabe. Quanto pior a imagem do cliente no mercado, melhor para nós. São muito mais produtos que a gente pode oferecer. Em outras palavras... estamos prontos para agregar valor, sacou?"
Ambos se refestelam em uma gargalhada sinistra. O cliente da antessala, perplexo, deixa o recinto e não retorna nunca mais.
O estrago está feito. As más notícias voam. Não é a toa que a empresa em questão perde mais e mais clientes junto com sua credibilidade.
Somos assolados por pesquisas. Quem não foi importunado ao telefone para responder uma?
A cada dia a imprensa divulga rankings de praticamente tudo. Neste mês a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico  nos conta que a Austrália é o país mais feliz do mundo. O Brasil ,segundo eles, é um dos mais infelizes. Dentre 36 nações pesquisadas ficamos no 33º lugar (melhoramos uma posição desde a última aferição).
O ranking mundial de universidades por disciplina QS 2013, coloca a USP entre as 50 melhores.
Tem lista dos smartphones mais caros do mundo, das mulheres mais poderosas, das franquias com mais “curtidas” no Facebook, das festas de divorciados mais quentes do planeta e por aí vai...
Há também coisas esdrúxulas: perfeita simbiose do grotesco com o mau gosto. Sabe qual  a festa de graduação mais cara do planeta? Custou 20 milhões de dólares e foi realizada na Disneylândia de Paris pelo príncipe saudita Fahd al-Saud. Tudo isso para o anfitrião e seus convidados bailarem com a Branca de Neve o Mickey e a Bela e a Fera... Tem gosto ( e conta bancária)  pra tudo não é mesmo?
e conheça os Estados brasileiros que mais matam pessoas com armas de fogo. A tabela mostra o número de mortes por 100 mil habitantes e traz muitas surpresas.

Estado
Mortes por 100 mil habitantes
Classificação
Alagoas
55,3
1º.
Espírito Santo
39,4
2º.
Pará
34,6
3º.
Bahia
34,4
4º.
Paraíba
32,8
5º.
Pernambuco
30,3
6º.
Paraná
26,4
7º.
Rio de Janeiro
25,3
8º.
Distrito Federal
25,3
9º.
Ceará
25,0
10º.

São Paulo está apenas na 24ª colocação. Roraima é o Estado onde menos se morre vítima de arma de fogo.
Outro ranking  muito divulgado é aquele que mostra quais são os países mais competitivos do globo. Aí é preciso ter muito discernimento e cautela.
Dois organismos internacionais fazem este tipo de aferição. O World Economic Forum – WEF  e o International Institute for Management Development – IMD. Veja como ambos avaliam a posição do Brasil nesse quesito:
WEF-2013
IMD-2013
    Suíça
    Estados Unidos
    Cingapura
    Suíça
    Finlândia
    Hong Kong
    Suécia
    Suécia
    Holanda
    Cingapura
    Alemanha
    Noruega
    Estados Unidos
    Canadá
    Reino Unido
    Emirados Árabes
    Hong Kong
    Alemanha
10º Japão
10º  Catar
48º BRASIL
51º BRASIL

 A coisa fica ainda mais confusa se verificarmos as posições do Brasil nos anos de 2010 a 2013 indicadas pelas duas instituições.
WEF - BRASIL
IMD - BRASIL
Ano
Posição
Ano
Posição
2010
56ª
2010
38ª
2011
58ª
2011
44ª
2012
53ª
2012
46ª
2013
48ª
2013
51ª

 Como se pode observar, segundo o WEF, o Brasil está melhorando. Já o IMD tem opinião oposta. Qual das duas está correta?  Deixo a você a decisão final.
Enquanto isso, vamos trabalhar para termos uma semana produtiva que é o que o país precisa.

Grande abraço.

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