O MUNDO, O BRASIL E A CORRUPÇÃO - PARTE 2.


Vamos nos ater agora apenas aos países que, de alguma forma, possibilitam algum tipo de reflexão em relação à nossa posição no ranking.

Posição
País
CPI
54º
Turquia
49
58º
Cuba
48
64º
Gana
45
66º
Arábia Saudita
44
69º
Brasil
43
69º
Macedônia
43
69º
África do Sul
43
72º
Itália
42
80º
China
39
94º
Índia
36
102º
Argentina
35
105º
Bolívia
34
105º
México
34
118º
Equador
32

 A Turquia dos protestos contra a radicalização religiosa (um dos ingredientes da instabilidade social que é terreno fértil para a corrupção) está aí à frente do Brasil. Vamos acompanhar de perto sua posição nas próximas publicações do índice frente aos desdobramentos políticos atuais.
Cuba, ao contrário do que se suporia, está melhor do que nós já que as ditaduras ferrenhas são um dos ingredientes essenciais para a corrupção.
A grande surpresa é Gana, país situado na África Ocidental o que comprova que pobreza não é, necessariamente, sinônimo de corrupção. Gana está duas posições à frente da rica, fundamentalista e monarco-absolutista Arábia Saudita. Gana é pobre, mas é democrática.
E chegamos, enfim, ao Brasil. Nossa ”nota” 43 demonstra que estaríamos reprovados no exame do ENEM da ética. Decididamente é uma pontuação vergonhosa para um país que almeja uma posição de relevância no cenário mundial. Estamos no mesmo nível da África do Sul que esteve imersa no tenebroso regime de apartheid até 1990 e ainda percorre um demorado processo de consolidação social.
O fato importante a considerar é a rica e europeia Itália situada três posições abaixo do Brasil. Fica evidente que as sequelas provocadas pela tolerância com o crime (nesse caso a máfia) e escolhas ou alianças políticas equivocadas são duradouras.
Nossos colegas do BRIC, China e Índia estão em posição muito pior que a nossa. Faz sentido. A China é uma ditadura disfarçada de potência econômica em que inexiste segurança jurídica , liberdade política e de opinião. Lá prolifera o espúrio “controle social da mídia” que alguns setores do governo brasileiro defendem ardorosamente como biombo para esconderem suas falcatruas.  Outra mazela chinesa é a falta de independência do sistema judiciário ranqueado de 0 a 10 com nota 3,9.
A história da Índia tem sido pontuada por disputas religiosas, políticas e étnicas agravadas pela absurda divisão de sua sociedade em castas em pleno século 21. Isso só não explica o elevado índice de corrupção, exponenciado por uma burocracia  tentacular, diferenças sociais abissais e um baixo nível de alfabetização (62,8%).
Mas, ironicamente, chegamos à culta, rica (em recursos naturais) e homogênea Argentina. Outrora uma das nações mais desenvolvidas do planeta. Amarga a 102ª posição. A receita para chegar a esse ponto é amplamente conhecida: messianismo político-sindical renitente, desapreço pela liberdade de imprensa, ojeriza à competitividade econômica e retrocesso institucional. Cristina Kirchner pode explicar melhor...
Os fantoches bolivarianos  Equador  e Bolívia fazem coro com a Argentina. Outro exemplo paradigmático é o México. Nesse caso a balança pende para uma explosiva e complexa equação que mescla conflito social com sintomática corrupção política, tibieza institucional e a força dos cartéis da droga.  As recentes conquistas mexicanas em termos de desenvolvimento econômico parecem abrir novas perspectivas para esse simpático país.
Chegamos agora, ao fundo do poço da corrupção. São os países que estão na rabeira da ética social, institucional e política.

Posição
País
CPI
133º
Iran
28
133º
Rússia
28
144º
Síria
26
150º
Paraguai
25
 
 
 
165º
Venezuela
19
169º
Iraque
18
170º
Turcomenistão
17
170º
Uzbequistão
17
172º
Mianmar
15
173º
Sudão
13
173º
Afeganistão
8
174º
Coreia do Norte
8
174º
Somália
8

 O que eles têm em comum?
 Quase todos são ditaduras disfarçadas de democracias. O Iran é uma teocracia controlada com mão de ferro por fundamentalistas religiosos fanáticos. A Síria é uma ditadura feroz que dizima seus próprios cidadãos. A Rússia, que até 1991 era um país comunista, apoia a Síria.
Dá pra entender. Foram mais de 70 anos de uma das mais cruéis ditaduras da história responsável pelo extermínio de milhões de cidadãos nos “gulags” gelados da Sibéria.  A Rússia “capitalista” está longe de ser uma sociedade verdadeiramente democrática. O país carece de reformas e, principalmente, de uma oposição coesa que possa enfrentar o Grão Vizir Vladimir Putin.
O Paraguai  ainda está vivendo um penoso processo de transição entre anos de desgoverno autoritário de direita para algo mais compatível com o mundo moderno e democrático. Vai levar algum tempo para que a sociedade paraguaia desempenhe com eficácia seu papel reformador.
A Venezuela dispensa comentários. Seus alicerces democráticos foram dilacerados pela doutrina chavista que colocou o país em ruínas. Não há liberdade de imprensa, de expressão, independência do judiciário, enfim, todo o receituário das ditaduras paquidérmicas é seguido à risca pelo presidente atual que continua a conduzir o país ao estado de insolvência terminal.
O grupo dos “nistões” estão soterrados pelo fundamentalismo religioso extremo (outra forma de ditadura). Perseguições, mutilações, mortes e absoluta falta de liberdade condenam seus cidadãos ao verdadeiro inferno em vida.
Aí chegamos à dupla mais corrupta do planeta. Coreia do Norte e Somália.
Não há nada mais ilustrativo do que comparar o “paraíso” ficcional do gorducho Kim Jong-un com a desenvolvida Coreia do Sul. Esta no topo da lista das nações menos corruptas é em tudo a antítese de sua desventurada irmã do norte. Ambas se pautam por agendas diametralmente opostas.
Quanto à Somália o que temos é um filme de terror explícito cujo roteiro já é conhecido (usado em versões alternativas também em Mianmar e Sudão):
Dizime um país através de uma brutal guerra civil. Faça-o refém de uma milícia terrorista religiosa (melhor se for a Al-Qaeda). Negue à população comida, saúde, educação, segurança, trabalho, liberdade, justiça, informação independente, instituições sólidas, participação política e qualquer perspectiva de futuro.
Persiga e extermine todos os dissidentes. Elimine a imprensa (melhor, fuzile os jornalistas). Feche suas fronteiras para qualquer tipo de ajuda humanitária. Se precisar de dinheiro sequestre, mate e até pilhe navios. E quando nada mais restar reduza o país a cinzas.
Não há nação isenta de corrupção. As armas mais eficazes para decepar as múltiplas cabeças dessa hidra perversa são as crenças, valores, atitudes e comportamentos da sociedade. Não tolerar a corrupção nem compactuar com ela em qualquer uma de suas muitas formas e manifestações é o único e duradouro antídoto. O resto é conversa fiada.

Pense nisso, caro leitor.
Grande abraço e excelente fim de semana!

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