A BATATA DO GOVERNO ESTÁ ASSANDO...


 
Não tem conversa. Um dia a casa cai. É pouquíssimo provável que a geração dos estabelecidos (de qualquer idade) faça algo radical ou não. Os que acham que têm muito a perder, raramente se insurgem contra o modelo de comportamento vigente. Isso é quase antropológico. Dia desses estava conversando com um leitor que acabara de fazer 30 anos e cuja família possui empresas que dependem da cessão do poder público.

Ele me contava que os achaques de políticos corruptos para conseguir vantagens financeiras inconfessáveis era a moeda de troca para assegurar a possibilidade de remuneração do trabalho em condições minimamente rentáveis. Perguntei o óbvio. Por que eles não denunciavam as tentativas de suborno ao Ministério Público ou a outra instância qualquer do poder judicial? A resposta veio à queima roupa: “Se fizermos isso teremos que fechar a empresa”.
Para operar as mudanças que todos queremos é preciso mais que vontade. É preciso compromisso com valores e coragem.  Muita coragem. E isso, além de desgastante, traz efeitos colaterais imprevisíveis.
A música de Marcos e Paulo Sérgio Valle sucesso nos anos 60 do século passado “Não confie em ninguém com mais de 30 anos” não poderia ser mais didática:
Não confie em ninguém com mais de trinta anos
Não confie em ninguém com mais de trinta cruzeiros
O professor tem mais de trinta conselhos
Mas ele tem mais de trinta...
Não confie em ninguém com mais de trinta ternos
Não acredite em ninguém com mais de trinta vestidos
O diretor quer mais de trinta minutos
Pra dirigir sua vida, a sua vida ...
A metáfora é clara. Não espere mudanças de quem não mais acredita que elas sejam possíveis. E aí o que faz a geração que tão somente observa o status quo com ares de indignação, mas pouquíssima ação? Reclama. Reclama do governo, dos políticos, das leis, dos impostos, da segurança, da inflação, da corrupção e de tudo o mais que esteja no raio de ação de seu limitado periscópio de vida.
O país em que todos nós queremos viver não vai acontecer por geração espontânea. Ele será o resultado das crenças, valores, prioridades e ações dos seus cidadãos. Todos somos eleitores, mas pouquíssimos são os que acompanham criticamente o mandato daqueles que ocupam um cargo eletivo qualquer.
Ainda bem que temos os jovens idealistas de todas as idades que não se acovardam em lutar pelo que acreditam. Eles podem ser anárquicos mas são eficazes. Lembram-se dos caras pintadas da era Collor? Pois é...
Alguns podem dizer que não deu em nada já que o Collor voltou. Mas as coisas são assim mesmo. É preciso não esmorecer jamais e acreditar sempre.
Quem poderia imaginar que a Copa do Mundo e as Olímpíadas tão fanaticamente defendidas pelo governo Lula como modo de provar ao mundo que enfim chegamos ao Olimpo do desenvolvimento seria o estopim para um movimento de protestos contra “tudo o que está aí”? O aumento das tarifas dos ônibus foi o "pretexto concreto" inicial. Não mais do que isso.
As faixas não deixam dúvidas. Elas dizem não a tudo quanto está preso em nossa garganta: a PEC 37, os gastos desnecessários com estes eventos passageiros, a inflação (adubada pelo incompetente modelo de gestão atual – quem tem 40 ministérios não tem compromisso com o dinheiro público), a falta de investimento em mobilidade urbana, em segurança, em saúde, saneamento, moradia, educação...
A batata do governo está no forno. A temperatura está subindo. Não dá mais pra investir apenas em circo. Não dá mais pra se segurar apenas no “pão” das esmolas sociais. É preciso muito mais do que isso. Os que têm menos de 30 anos sabem. E fazem acontecer.
 
 

Desejo a todos vocês, caros leitores, uma semana corajosa.


Pra você curtir: Cláudia canta "Com mais de 30..."
Cláudia é uma cantora excepcional que teve uma carreira repleta de altos e baixos. Fez muito sucesso cantando Jesus Cristo de Roberto Carlos e no papel de Evita na primeira versão do musical em 1983. Sua interpretação de "Não Chores por mim Argentina" é uma das melhores jamais gravadas.



 
 
 
O musical Evita com Cláudia no papel principal fez tanto sucesso que foi capa de Veja- fato inédito até hoje. 
 

 

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