UM PEDIDO À LUANA PIOVANI.


 


Sou fã da Luana Piovani. Além de linda e talentosa ela tenta usar sua natural visibilidade, decorrente da profissão de atriz, para divulgar seus pontos de vista, quase sempre polêmicos.

Nesta semana Luana usou o Twitter para espinafrar os políticos. Certíssima, ela. A maioria deles merece bem mais do que isso.

O motivo de sua indignação era a excrescência em forma de ideia do deputado petista Nazareno Fonteles: submeter o STF à Câmara dos Deputados.

Cara Luana. Não adianta muita coisa gritar, pintar a cara, tirar a roupa (apesar de ter muita gente torcendo por isso), nem tampouco dormir em frente da Presidente Dilma como você sugere. O que dá resultado mesmo é pressionar, sem tréguas, os deputados com milhares de e-mails demonstrando que nós, eleitores, estamos no controle. Atentos ao menor sinal de desfaçatez.

Pena que os eleitores ainda não se deram conta do enorme poder que  detêm. Político tem medo de perder voto. Esse é o ponto. O resto é discussão periférica.

 Se o deputado em que você votou passar a receber diariamente centenas de cobranças da sua base eleitoral, certamente sentir-se-á (adoro mesóclise) acuado.

Já escrevi neste Blog sobre isso diversas vezes. Nunca recebi nenhuma mensagem (nem a favor nem contra). Percebo que este tema não cria vínculo com os leitores. Lamento profundamente, mas é isso que temos para o momento e é ingenuidade minha querer apressar o ritmo das mudanças comportamentais da sociedade.

Costumo receber várias sugestões de postagens sobre temas políticos os quais, pelas estatísticas que recebo do Blogspot, são os preferidos dos meus seguidores. Mas, quando sugiro que eles exerçam seu papel de fiscalizadores dos políticos em que votaram ... silêncio profundo!

Lembro-me de uma propaganda tempos atrás que dizia “Tomou seu Toddy hoje ?” Essa é minha proposta. Criar um movimento nacional de cobrança diária de deputados, senadores e vereadores que são os nossos legisladores. Melhor ainda seria ampliar também para presidente, governador e prefeito que são os nossos gestores. O tema da campanha bem que poderia ser “Pressionou o seu político hoje?”

A pauta de temas é interminável. Poderia começar com a questão da redução da maioridade penal. Este tema não é considerado importante pelos políticos e a sociedade parece ainda não ter se indignado o suficiente para exigir mudanças na lei.

É simplesmente inaceitável, na segunda década do século 21, acreditar que  cidadãos de 15, 16 anos sejam incapazes de ter o mais tíbio julgamento moral. Até um curumim yanomami sabe que não se pode tocar fogo nas pessoas como fez “F” menor de 16 anos com longa ficha criminal em conluio com outros dois assassinos brutais .

Enquanto a família da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza martirizada até a morte por causa de R$30,00 sofre a interminável dor de uma perda imponderável, “F” ,que segundo a lei, cometeu tão somente “um ato infracional”, receberá do Estado “medidas socioeducativas” e após três anos, no máximo, estará livre para continuar barbarizando pessoas de bem.

Nosso Código Penal como todos já sabem, é de 1940. Nessa época a música de maior sucesso era “A deusa da minha rua” (a que tinha olhos onde a lua costuma se embriagar) de Newton Teixeira e Jorge Faraj.

O máximo em histórias de ação eram os livros de Monteiro Lobato cujos personagens principais, Pedrinho, Narizinho, Emília, Tia Nastácia e Dona Benta moravam no idílico Sítio do Pica-Pau Amarelo. Nessa época, nenhuma criança na idade de 16 anos saía de casa sem os pais após as 18:00h. Caso tentasse era colocada de castigo.

Hoje, cidadãos de 16 anos, votam. Sabem absolutamente tudo sobre o mundo. Podem até construir uma bomba de destruição em massa se quiserem. Tá no Google. Namoram, fazem sexo, engravidam. Passam as noites em baladas nada inocentes. São homens e mulheres completos. Sabem perfeitamente fazer escolhas morais.

Não resiste ao julgamento mais superficial a tese de que esses indivíduos sejam incapazes de fazer julgamentos.

É por isso que nos Estados Unidos a maioridade penal varia entre 6 a 18 anos, dependendo do Estado. No México, de sociedade religiosa e conservadora é de 12 anos. Na Europa varia entre 8 e 15 anos. Na Argentina é de 16 anos. Até em países paupérrimos da África a maioridade penal vai de 7 a 15 anos. Na maioria dos países muçulmanos acontece o mesmo.

Na China, adolescentes entre 14 e 18 anos se submentem a um sistema penal que prevê até prisão perpétua no caso crimes hediondos.

Para haver mudanças é preciso que a sociedade lute por isso. Sem pressão não se muda. Por isso, querida Luana, use o Twitter para convencer seus incontáveis admiradores a usar os instrumentos disponibilizados pela nossa democracia para provocar mudanças. Essa é a única saída.

 Acabo de saber que você resolveu sair do Twitter com o seguinte epitáfio Deixo aqui meu beijo, meu queijo e minha saudadinha... Foi bom prosear com vocês todo esse tempo. No more Twitter for me”.

Não faça isso Luana. O Brasil precisa de você. Só que do jeito certo!

Grande abraço e um aconchegante final de semana.

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